O Brasil avançou muito pouco no combate à febre aftosa em 2011. Além da suspensão da ZAV - Zona de Alta Vigilância, na fronteira de Mato Grosso do Sul com Bolívia e Paraguai, apenas as zonas de proteção da Bahia e Tocantins - regiões fronteiriças com Estados classificados como de condição sanitária inferior - alcançaram o status de área livre da doença com vacinação, reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OIE, sigla em inglês). A antiga zona de proteção de Rondônia também foi incorporada à zona livre. A elas juntaram-se duas áreas localizadas nos municípios amazonenses de Canutama e Lábrea.
Sete Estados do Nordeste mantiveram a condição de risco médio e três Estados do Norte permanecem como de "alto risco" para a doença.
A região Nordeste enfrentou os mesmos problemas detectados em 2010. "Encontramos inconsistência nos números dos rebanhos, com uma diferença significativa entre os dados de cadastro e os resultados das campanhas de vacinação", informa Plínio Lopes, coordenador do Programa Nacional de Erradicação e Controle da Febre Aftosa do Ministério da Agricultura.
As autoridades sanitárias dos Estados foram orientadas a visitar novamente as propriedades para conferir o total dos rebanhos, além de aumentar o número de vacinações assistidas. Segundo Lopes, a estagnação no quadro da aftosa em 2011 é reflexo das eleições do ano anterior. "A mudança na política interferiu na reestruturação que vinha sendo feita. Por isso, houve retardamento no processo".
De acordo com Lopes, no Nordeste é mais crítica a situação nos Estados de Alagoas, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará. Faltam unidades veterinárias, profissionais, serviço de capacitação, além de um sistema de vigilância mais efetiva. Ele informa que o Ministério da Agricultura tem fortalecido o suporte técnico para apoiar a solução de problemas e acelerar a estruturação dos serviços. Na região Norte, a infraestrutura precária é apontada como responsável por dificultar a melhoria na classificação sanitária. A região é a única no País a contar com áreas classificadas como de "alto risco" para a febre aftosa.
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