São Paulo/SP - 17 de maio de 2012

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20 de maio, 2011 - 02:01
Quando é vantajoso utilizar milho na engorda

O milho deixou de ser barato e voltou a valer relativamente o que valia nas últimas décadas, ou seja, o valor de uma arroba já não é suficiente para comprar quatro sacas do produto. Por isso, é hora de se pensar se a sua utilização é recomendável na alimentação do gado confinado.
Rogério Goulart

O milho deixou de ser barato e voltou a valer relativamente o que valia nas últimas décadas, ou seja, o valor de uma arroba já não é suficiente para comprar quatro sacas do produto. Por isso, é hora de se pensar se a sua utilização é recomendável na alimentação do gado confinado. Na minha opinião, agora é o caso de se ter paciência e esperar.

Em seus poucos anos de experiência no País, o confinamento evoluiu de uma ação esperta do produtor para viabilizar boi gordo na seca para convertêlo em um negócio independente. Muitos produtores e também empresários não diretamente vinculados à pecuária viram nele uma oportunidade de negócio - e o resultado é que se criaram ao longo dos anos muitos boiteis, além de empresas especializadas em engorda intensiva o ano inteiro. O Vale do Araguaia, ao redor de Mozarlândia, em Goiás, é um exemplo.

Mas no Brasil cerca de 90% do rebanho é alimentado a pasto, o que significa dizer que a grande revolução ocorrida na pecuária foi a do sal proteinado na seca.Aqui, também, o produtor gostou da coisa - juntou a experiência e conhecimento de nutrição, que obteve no confinamento, e passou a alimentar melhor o animal no pasto. Tem para todos os gostos. De meio quilo a quatro a dez quilos de ração pronta por dia - o tal do confinamento no pasto.

Essas duas formas de aumentar a velocidade de engorda resultaram em maior disponibilidade de animais para o abate ao longo dos anos. Isso atesta a capacidade do pecuarista de oferecer carne às famílias brasileiras e também do exterior.

Em contrapartida, o fortalecimento da capacidade do pecuarista de fornecer animais acabados o ano inteiro gerou uma dependência da disponibilidade de milho. Pegou-se o gostinho pelo grão amarelo. Essa necessidade tem crescido ao longo dos anos, à medida em que mais pecuaristas aderem ao confinamento ou ao uso de ração no pasto.

Sob o ponto de vista do sujeito que compra o milho para dar ao gado, existe uma forma de se analisar a relação entre o milho e a arroba do boi, para avaliar o ponto em que ela é vantajosa ou prejudicial. É só dividir a saca do milho pela arroba do boi. Observe no gráfico a trajetória da linha, que expressa essa relação de troca, e veja como a quantidade de milho que uma arroba de boi consegue comprar se mostrou previsível ao longo dos anos. Quanto mais para cima está a linha, melhor para o pecuarista. Os valores utilizados aqui são o do milho e do boi cotados em São Paulo.

Quando se observa uma relação tão estável por tantas décadas, fica fácil distinguir quando a situação apresentouse muito favorável para o pecuarista. Os melhores momentos se deram quando o produtor conseguiu comprar mais de quatro sacas de milho com uma arroba de boi. Como mostra o gráfico, isso ocorreu de forma expressiva em 1979, 1986/87, 1989, 2001 e 2008/11. O período mais longo favorável ao pecuarista ocorreu recentemente, de 2008 para cá.

Mas desde 2006 a situação do milho favoreceu o invernista. Coincidência ou não, foi também nesses últimos cinco anos que o Brasil viu intensificarse a utilização do milho na suplementação dos animais tanto no período seco quanto, mais recentemente, no período chuvoso do ano.

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