São Paulo/SP - 17 de maio de 2012

› Comércio Exterior
04 de outubro, 2011 - 05:46
Barreiras prejudicam exportações em 2011

No acumulado do ano, o embarque de carne bovina é 21% menor. De acordo com a Abiec, a receita não foi afetada, devido ao aumento no preço médio
Mônica Costa


Entre janeiro e setembro deste ano, o Brasil exportou 689,5 mil toneladas de carne bovina, volume 21% menor que o embarcado no mesmo período do ano passado. Apesar disso, o setor conseguiu manter praticamente estável o faturamento com as vendas externas. Dados divulgados pela Associação Brasileira da Indústria Exportadora de Carnes (Abiec) mostram que a receita ficou em US$ 3,56 bilhões, valor 3,88% acima dos US$ 3,42 bilhões registrados entre janeiro a setembro de 2010. O aumento na receita foi possivel por causa do aumento de 30,63% no preço médio da tonelada da carne bovina exportada, que subiu para US$ 5,13 mil.

Segundo a entidade, a queda no volume exportado é reflexo dos embargos impostos por mercados importantes, como a Rússia e países da Europa, da crise política nos países árabes e do aumento no custo de produção – consequência do câmbio e do reajuste na cotação das commodities agrícolas -.

Com a valorização do dólar, há expectativa de aumento nas exportações, já que o produto brasileiro volta a ser competitivo no mercado externo. Outro fator que anima os exportadores é a eventual estabilização nos países árabes, o que pode representar o retorno de potenciais compradores da carne bovina brasileira.

Em setembro, a receita com as exportações de carne bovina in natura ficou em US$ 393,28 mil. Apesar das barreiras impostas à vários frigoríficos do Brasil, a Rússia liderou as compras do produto brasileiro. Foram 20,2 mil toneladas embarcadas, o equivalente a 22% do total enviado ao mercado externo em setembro, por US$ 87,47 mil. A demanda por um volume 67% maior que no mês anterior foi provocada pela necessidade dos importadores em anteciparem as compras antes do período de congelamento dos portos no final do ano.

A carne processada, de maior valor agregado, rendeu aos produtores brasileiros, US$ 64,54 mil, com o embarque de 9,8 mil toneladas. Os EUA mantiveram a liderança, com a aquisição de 1,86 mil toneladas e receita de US$ 24,41 mil. Mas apesar da liderança, o desempenho dos embarques para o país segue abaixo do observado no mesmo periodo do ano passado, quando a média da exportação era de 2,70 mil toneladas. Além a valorização cambial, que também tirou a competitividade do produto brasileiro no mercado norte-americano, os exportadores ainda não conseguiram recuperar o mercado perdido depois do embargo imposto pelo governo dos EUA ao setor por causa da descoberta de resíduos acima do permitido do vermífugo ivermectina na carne industrializada em uma planta do JBS.

Com as dificuldades impostas ao produto brasileiro no mercado mundial, a entidade tem expectativa de terminar o ano com um volume exportado 15% menor e receita 20% maior que em 2010.


 



Em defesa do boi



Para mudar a percepção negativa que o mundo tem da pecuária brasileira, a Abiec está investindo em um grande projeto para esclarecer o consumidor europeu. A entidade participa, entre os dias 10 e 14 de outubro da Feira Internacional Anuga, em Colonia, na Alemanha e durante o evento, pretende promover ações para conscientizar o consumidor europeu sobre a qualidade da carne brasileira. Um vídeo de sete minutos, realizado com produtores e frigoríficos em três biomas diferentes mostrará as mais avançadas práticas agropecuárias em andamento. Pecuaristas localizados na Amazônia, Pantanal e nos Pampas gaúchos explicam de forma didática como funciona o sistema brasileiro o que é possível agregar em tecnologia. “O Brasil das indústrias frigoríficas não é o Brasil do desmatamento, mas sim da pecuária de ponta”, afirma Antonio Jorge Camardelli, presidente da entidade.

A feira também servirá para fazer um alerta aos consumidores europeus. Para entrar na Europa, a carne brasileira é obrigada a pagar 12,8% mais 3,04 euros por quilo apenas em impostos, o que impacta diretamente no preço final do produto. Esse protecionismo beneficia alguns milhares de criadores de gado europeus, mas acaba prejudicando milhões de consumidores em todo o continente, que, sem opção, são obrigados a pagar mais caro pelo produto sobretaxado. Uma afronta às regras de livre comércio, ainda mais se levarmos em consideração que a União Europeia importa apenas 5,4% da carne que consome. Em 2020, no entanto, o percentual de importação subirá para 7,8%. Ou seja: a Europa vai precisar importar mais carne nos próximos anos – e o Brasil é um dos únicos países capazes de suprir esta demanda.

De acordo com a entidade, não existem motivos técnicos para a restrição à carne do Brasil. O país nunca registrou um caso de Vaca Louca e toda a área habilitada para exportar para a Europa está livre da aftosa desde 2005.



 



 


Fonte: Portal DBO

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