São Paulo/SP - 21 de maio de 2012

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23 de novembro, 2011 - 02:53
O Plano Hemisférico de Erradicação da Febre Aftosa e o ressurgimento da doença no Paraguai

Autor aponta entraves e soluções para que meta seja atingida
Luiz Alberto Pitta Pinheiro

O PHEFA, criado em 1988, tinha como meta atingir a erradicação continental da febre aftosa em 2009, através do controle e erradicação da doença em áreas endêmicas e pela prevenção da entrada nas áreas livres do continente e nas que forem sendo reconhecidas como livre com vacinação e sem vacinação, fortalecendo ao mesmo tempo as estruturas zoo-sanitárias dos países da região. Em razão do não alcance do objetivo final, fixou-se nova meta para o período 2011 – 2020, quando espera-se que a enfermidade esteja erradicada do continente americano.

Já em 2008, por ocasião da reunião da 35ª COSALFA, comentávamos que provavelmente a meta de erradicação em 2009 não seria alcançada pela ocorrência da enfermidade em 2007, na Bolívia, e por existirem algumas dificuldades nas estruturas sanitárias de países da região, além de uma coordenação sub-regional igualmente necessitando de maior integração entre os membros.

Posteriormente, novos focos surgidos no continente em 2008, 2009 e 2010, demonstraram que a área de ocorrência e o comportamento do vírus não estavam corretamente avaliados e a projeção de erradicação comprometida além de evidenciar os referidos problemas de estrutura, de integração e de coordenação do Plano Hemisférico.

Estes eventos alertaram que o endemismo ainda não abandonara totalmente a região, apesar de existirem áreas onde é pouco provável que exista a presença de circulação viral ou, se a mesma existir, encontra obstáculo à manifestação da doença na imunidade dos rebanhos obtida por bons programas de vacinação. Entretanto esta imunidade não é uniforme e, nas áreas onde a vacinação não atinge os índices recomendáveis, existem animais não vacinados responsáveis pelos eventuais focos.

Muito provavelmente, resida aí a grande questão. A evolução do programa deve basear-se, entre outros aspectos, na qualidade dos inquéritos soroepidemiológicos, visando comprovar a ausência de atividade viral e no alinhamento das políticas de defesa sanitária com regiões vizinhas (risco externo).

A avaliação soroepidemiológica é uma questão crítica. Se os inquéritos não são suficientes, se o espaço analisado não é o mais adequado, se há pouca observação, seja pela dificuldade de vigilância ou de insuficiente cobertura de áreas pelas estruturas oficiais, ou pela baixa participação de informação pelo setor pecuário, teremos uma imagem que não refletirá a realidade.

Se a amostragem não for representativa não traduzirá a verdade do universo pesquisado - isto é básico em estatística. Finalmente outra questão, mais delicada ainda e que não pode ser omitida é a da transparência: informar integralmente e a tempo os achados da vigilância e os resultados encontrados nos inquéritos sorológicos é fundamental.


As maiores debilidades no PHEFA, identificadas naquela ocasião, foram principalmente a falta de caracterização epidemiológica e a redução dos quadros técnicos: médicos veterinários, técnicos de campo e de laboratório, em alguns países. Outro aspecto, também de relevância, é a dificuldade na coordenação público-privada.

Este diagnóstico obtido após exaustivas discussões em 2009, em sua maior parte permanece válido neste momento. Para que não ocorra, em 2020, a repetição de não alcançar a meta projetada, é preciso que efetivamente os países assumam compromissos efetivos pela erradicação da febre aftosa e pela rigorosa observação das disposições do PHEFA.

O prazo proposto permite a tomada de providências na correção das carências identificadas, a intervenção política, uma maior integração entre os atores, a valorização e respeito dos organismos existentes em nível regional engajados nesta luta, que não são poucos.

Fonte: Luiz Alberto Pitta Pinheiro é médico veterinário e assessor técnico da Farsul

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