22 de maio de 2020

Caminhos para um bom marmoreio

Pesquisa da UFV indica que vitamina A não deve ser usada em núcleos para dietas de confinamento que visem maior produção de gordura intramuscular

Por Denis Cardoso

Produzir gordura intramuscular (marmoreio) é um desafio para muitos programas de carne de qualidade, pois, além dos animais precisarem ter aptidão genética para a característica, é preciso adequar a dieta e o manejo, visando bons resultados.

Já se comprovou, por exemplo, que a aplicação de vitamina A em bezerros favorece a deposição de gordura intramuscular, mas qual o efeito desse aditivo na terminação? Trabalho conduzido na Universidade Federal de Viçosa (UFV), em parceria com a Cargill/Nutron, mostrou que o uso de núcleos minerais para confinamento contendo vitamina A pode inibir o marmoreio.

Hoje, no Brasil, muitos produtores que trabalham com carne premium desconhecem esse efeito e continuam usando núcleos com doses até elevadas de vitamina A nas dietas de terminação, o que pode comprometer todo um investimento em seleção genética e nutrição feito em etapas anteriores.

Márcio Duarte, professor da UFV

“É como nadar, nadar, e morrer na praia”, compara Márcio Duarte. O professor da UFV, contudo, não defende a exclusão do aditivo de todas as dietas de confinamento. Propõe sua supressão apenas em projetos mais focados em carne marmorizada.

O trabalho que lastreia essa proposta foi realizado em duas etapas: 1) avaliação de desempenho no confinamento, seguida de classificação de carcaças no frigorífico; 2) análise de expressão genética e quantificação de gordura intramuscular. A primeira etapa da pesquisa envolveu 960 machos tricross (50% Wagyu, 25% Angus e 25% Nelore) de um confinamento comercial de Mineiros, GO. A segunda etapa, foi realizada com 20 animais escolhidos aleatoriamente dentro desse grupo maior.

Nos dois estudos, os bovinos foram divididos em dois lotes iguais. confinados por 320 dias com dois tipos de dieta: ração com silagem de milho, milho moído, casquinha de soja, melaço de soja e núcleo contendo vitamina A (100 KUI/kg de núcleo) e ração idêntica, mas sem vitamina A no núcleo.

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Drone agiliza leitura de cocho

Pesquisa mostra que equipamento ligado a software tem 82% de precisão, economiza tempo e possibilita avaliação comportamental

Para fazer leitura de cocho com drone é preciso acostumar previamente os animais ao som do aparelho

Por Renato Villela

Uma pesquisa realizada pela UFMT – Universidade Federal do Mato Grosso, abriu nova possibilidade para o uso de drones na pecuária de corte: a leitura de cocho. Nos confinamentos, esse papel cabe a uma pessoa treinada, que avalia de forma subjetiva a quantidade de alimento que sobra enquanto percorre as linhas de cocho, a pé ou de moto.

Na maioria das vezes, o responsável precisa levar esses dados, anotados em uma caderneta ou armazenados em um aplicativo, até o escritório para que seja recalculada a quantidade de comida a ser distribuída, de acordo com o escore registrado. “O tempo gasto para todo esse processo pode levar mais de uma hora, conforme o tamanho do confinamento”, afirma Fernanda Macitelli, pesquisadora da UFMT.

Com o drone, o trabalho fica mais ágil. Além disso, as imagens permitem observar os animais, o que pode ajudar a explicar porque há falta ou sobra de comida. “A leitura de cocho é extremamente importante, mas também é preciso observar o comportamento animal”, ressalta ela.

O experimento orientado pela pesquisadora foi realizado em outubro de 2018, em um confinamento comercial localizado em Rondonópolis, MT. Foram escolhidas 10 baias dispostas paralelamente na mesma rua (cinco de cada lado). O drone sobrevoou as linhas de cocho a uma altura de 3 m e velocidade de 19 km/h, suficientes para se obter boa visibilidade da quantidade de alimento dentro dos cochos. Cada voo durou, em média, 20 minutos, para um trajeto de pouco mais de 500 metros (ida e volta).

As definições de rota, altura, velocidade e captação de imagens foram programadas por meio de um aplicativo de smartphone e a coleta de imagem feita durante cinco dias não consecutivos, às sete da manhã, ao mesmo tempo em que o funcionário da fazenda executava as leituras de cocho. Todo o material gravado foi armazenado em um computador.

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