12 de junho de 2020

Boiada segue firme o estradão

Preço da arroba é sustentada pela baixa oferta e por exportações em alta

Por Denis Cardoso

O movimento de desova de boiada gorda de final de safra também não ocorreu em maio – e pelo jeito não mostrará a cara este ano, devido à forte restrição de oferta de animais terminados, reflexo principalmente do processo de liquidação de fêmeas registrado no passado recente. Analistas de mercado apostam em uma nova onda de valorização da arroba ao longo de junho, se estendendo para os meses seguintes.

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Consumo de carne bovina caiu no 1° tri de 2020

Retração no consumo de proteína vermelha foi gerado pelas medidas restritivas impostas para desacelerar a propagação da Covid-19

Por Alcides Torres Jr. – Engenheiro agrônomo e  diretor-proprietário da Scot Consultoria, de Bebedouro, SP. *Colaborou: Ana Paula Remedio Barbosa.

Um mundo diferente. Este ano de 2020 certamente ficará para a história. Uma pandemia em tempos modernos, com comunicação instantânea pela internet e tudo o que isso tem de bom, mas também com tudo o que isso tem de ruim, incluindo uma montanha de boatos e desinformações propagadas na velocidade da luz. Uma pandemia, uma peste, tão ruim como todas as pestes, e o mundo pasmo diante da disseminação dessa doença pelos quatro continentes, numa velocidade atroz. Sem medicamentos eficazes para combatê-la ou uma vacina imunizadora, optou-se pelo isolamento social, pelo distanciamento das pessoas.

O isolamento foi decretado pelas autoridades sanitárias e somente serviços essenciais foram autorizados a funcionar. Essas medidas (necessárias) para conter a velocidade de propagação da doença pegou em cheio o setor de serviços, dentre eles os de alimentação (restaurantes, bares, lanchonetes etc), importantes canais de escoamento da produção de carnes. Com isso, o consumo de proteínas de origem animal caiu drasticamente.

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Um cowboy diferente

Mauro Lúcio Costa luta pela regularização fundiária no Pará como forma de frear o desmatamento e defende a convivência harmônica do boi com a floresta

“Tenho de preservar a floresta, porque a cobertura vegetal tem impacto sobre o clima e isso afeta diretamente minha produção, meu negócio” – Mauro Lúcio Costa

Por Maristela Franco e Renato Villela

Quem vê Mauro Lúcio de Castro Costa, camisa sempre alinhada por dentro da calça, cinto, fivela lustrada, com seu inseparável chapéu de cowboy, que se tornou sua marca registrada, pensa estar diante de um fazendeiro tradicional. Ledo engano. O mineiro Mauro Lúcio, como é conhecido, natural de Governador Valadares, MG, entende, como poucos, a importância do meio ambiente para a prosperidade do seu negócio.

A atenção que confere à fertilidade do solo e ao manejo da pastagem é a mesma que dedica à manutenção da biodiversidade e à preservação de nascentes e rios. O sindicalista, que defendeu com afinco os interesses da classe produtiva nos seis anos à frente do Sindicato Rural de Paragominas, PA, é o mesmo que cedeu uma sala dentro do sindicato para trabalhar lado a lado com uma ONG de preservação ambiental. Visões – e atitudes – nem sempre compreendidas por seus pares.

A relação com a terra vem do avô, um tropeiro que ganhou a vida negociando sacas de café transportadas no lombo de mulas, de Minas Gerais até o Rio de Janeiro. “As terras em Governador Valadares eram tão baratas que meu avô dizia que se dava uma espingarda em troca de um pedaço de terra”, conta. Quando se mudou com os pais e o irmão para Paragominas, em 1982, Mauro Lúcio viu o mesmo se repetir no Pará. “Meu pai dizia que as terras eram baratas porque ainda não tinham chegado seus donos, mas que um dia isso aconteceria. Eu não acreditava”.

O pai, Itagiba Quirino da Costa, havia comprado uma fazenda em Paragominas e era um entusiasta do Pará. Aconselhava os filhos a trabalhar duro, pois a região os impulsionaria na vida. Mas Mauro Lúcio, que começara na lida adolescente, chegou à idade adulta disposto a recuperar o tempo perdido e desfrutar dos prazeres da vida.

“Lembro do meu pai dizendo: filho, tô pelejando para te ensinar de graça e você tá querendo pagar para aprender. Foi o que aconteceu. Quebrei e perdi tudo”. Sem terra, sem dinheiro e desacreditado, viveu tempos difíceis. “A pior coisa que você sente quando quebra é a falta de crédito das pessoas nas suas palavras”, diz. A volta por cima não ocorreu antes que se revelasse outra faceta de sua personalidade. “Pessoas próximas a mim diziam: não venda nada do que você tem. Trabalhe e me pague. Essa confiança aumentava minha responsabilidade. Vendi tudo, paguei o que devia e fui trabalhar como empregado”.

A chance do recomeço veio do empresário paulista Simon Bolívar da Silveira Bueno que o contratou para administrar três fazendas no Pará. Ficou por 12 anos, de 1995 até 2007. Saiu para assumir a presidência do Sindicato de Paragominas. A cidade, que chegou a ser conhecida como “Paragobalas”, em referência aos conflitos de terra e sofreu embargos do Ministério Público Federal após a Operação Arco de Fogo, deflagrada em 2008, rompeu com o ciclo do extrativismo graças ao trabalho da prefeitura em parceria com o sindicato e as ONGs Imazon e TNC que criaram juntos o projeto “Município Verde”.

A “Parisgominas”, como a denomina carinhosamente, tornou-se uma referência no combate ao desmatamento. Atualmente Mauro Lúcio comanda a Fazenda Marupiara, localizada no município de Tailândia, PA, comprada em 1997. A propriedade se dedica à recria e engorda. São 4.356 ha, dos quais 523 ha são reservados à pecuária e 357 ha à agricultura, num total de 880 ha de área aberta. A produtividade é de 33,64 @/ha/ano.

Nessa entrevista para o Prosa Quente, concedida à editora Maristela Franco e ao repórter Renato Villela, o produtor fala sobre o desmatamento, que voltou a crescer na região Norte, os esforços para regularização fundiária no Pará e sobre a dificuldade identificar os chamados “fornecedores indiretos”, que têm pendências ambientais ou trabalhistas, mas que escapam dos olhos do Ministério Público e da indústria frigorífica, vendendo seus animais para produtores regularizados, numa comercialização triangulada.

Mauro Lúcio também comenta, com entusiasmo sobressalente, sobre a nova etapa do Projeto “Pecuária Verde”, previsto para começar em janeiro de 2021, com foco nos pequenos produtores do Estado. “Acredito muito nesses caras. Eles farão uma revolução no Pará”. Confira!

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