10 de julho de 2020

Confinamento também funciona como “ilha”

Confinamento aliviou a taxa de lotação da Fazenda Bararuba, em Paranavaí, noroeste do Paraná, e deu inicio a intensificação

Garrotes confinados na Fazenda Bararuba.

Por Renato Villela

A Fazenda Bararuba, localizada no município de Paranavaí, noroeste do Paraná, trilhou um caminho diferente na intensificação. Até 2008, a propriedade se dedicava exclusivamente à atividade de cria, com um plantel de 3.000 animais. Nessa época, o proprietário vendeu outra fazenda e trouxe de lá mais 1.500 cabeças. Como o sistema era bastante extensivo – a taxa de lotação não superava 1 UA/ha –, com a chegada do gado a capacidade de suporte das pastagens se excedeu.

Ricardo Burgi, da Bürgi Consultoria

Sem tempo para separar uma área de pastagem para rotacionar, adubar e, desse modo, aumentar a taxa de lotação, a fazenda decidiu fazer um confinamento. “Percebemos que se confinássemos as vacas de descarte conseguiríamos um alívio grande e mais rápido para os pastos durante a seca. Foi nosso primeiro passo na intensificação”, afirma Ricardo Burgi, sócio da Bürgi Consultoria Agropecuária, de Piracicaba, SP, que presta assessoria à propriedade.

No ano seguinte, em 2009, começaram a ser montados os rotacionados destinados à recria de fêmeas para reposição. Foram montados sete módulos, cada qual contendo 12 piquetes cada, em formato de pizza com uma praça de alimentação central. No início foram aplicadas apenas adubações corretivas. Como a braquiária estava bem formada, não foi preciso reformar a pastagem.“Com aplicação de calcário e gesso e o manejo correto do pasto no rotacionado dobramos a capacidade de lotação”, diz Burgi.

A área foi reservada para bezerras recém-desmamadas e novilhas com 20-22 meses, próximas a entrarem na estação de monta. Os machos eram todos vendidos na desmama. Depois que a equipe aprendeu a manejar os animais no rotacionado é que teve início a adubação nitrogenada (de produção), primeiramente em dois módulos que estavam melhor localizados de modo a facilitar a operação.

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“Começar pequeno” é estratégia vencedora

O produtor Marcos Vinicius Cipriano Sacaramussa, da Fazenda São Luiz, em Paragominas, PA, separou 200, dos 2.100 ha de pastagens que tinha em 2011 para intensificar a produção. Já dobrou a área, triplicou a lotação, liberou 600 ha para a lavoura e projeta novo salto com a inauguração de um confinamento no ano que vem.

Gado na “ilha de tecnologia” da Fazenda São Luiz, em Paragominas, PA: “alta produtividade”

Por Renato Villela

O produtor Marcos Vinícius Cipriano Scaramussa, da Fazenda São Luiz, município de Paragominas, PA, reservou 200 dos 2.100 ha da área útil de pastagem de sua propriedade para inciar um projeto de intensificação. Com o auxílio do professor Moacyr Corsi, da Esalq, grande defensar da estratégia de “começar pequeno”, diagnosticou as áreas com maior potencial produtivo. Escolheu dois módulos próximos aos currais, um de 62 ha que já estava dividido em 5 piquetes de pouco mais de 12 ha cada, e outro de 140 ha, composto por 6 pastos, que foram fatiados em 24 piquetes, de 6 ha cada.

Moacyr Corsi, professor da Esalq/USP

Com os módulos prontos, ele instalou os bebedouros nas praças de alimentação, corrigiu o solo e adubou as pastagens. “O primeiro passo da intensificação é o manejo do capim, que exige do produtor um comportamento diferente. Precisa disciplina. Tem de mudar os animais na hora certa, respeitando as alturas de entrada e saída de acordo com cada capim”, ensina Corsi, que tem “discípulos” por todo o Brasil.

A Fazenda São Luiz, com 5.000 ha de área total, fez parte do projeto Pecuária Verde, iniciativa do Sindicato Rural de Paragominas para melhorar os índices produtivos da atividade, que estava perdendo espaço para a agricultura e silvicultura na região. No primeiro ano do projeto, em 2011, a produtividade na área intensificada, destinada à recria e engorda, saltou de 7 @/ha para 14 @/ha. “Nos primeiros anos, nosso crescimento foi exponencial. Há quatro anos atingimos nossa maior produtividade, de 50 @/ha”, conta o produtor.

Produtividade da Fazenda São Luiz atingiu o maior pico há anos: [email protected]/ha.

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Oásis de produtividade

Usando a estratégia de criar “ilhas de tecnologia” na fazenda, com ajuda da irrigação, produtor alagoano quer produzir [email protected]/ha em 2020

Animais no projeto irrigado: 20 ha altamente produtivos.

Por Renato Villela

Para boa parte dos produtores superar a baixa produtividade é uma tarefa hercúlea. Com recursos muitas vezes insuficientes e sem saber ao certo o que fazer ou por onde começar, eles pulverizam as ações e nem sempre alcançam o resultado desejado. Acabam por se resignar em produzir poucas arrobas por hectare, com rentabilidade bem inferior àquela que a atividade pode oferecer.

O caminho para virar esse jogo não passa necessariamente por grandes investimentos, tampouco por atacar em várias frentes. Ao escolher uma pequena área da fazenda e focar nela seus esforços, o produtor pode torná-la uma referência produtiva dentro da propriedade, capaz de impactar o sistema como um todo e servir de modelo a ser replicado em outros locais.

Chamadas de “ilhas de tecnologia” pelo consultor Wagner Pires, sócio-proprietário da Wagner Pires Consultoria & Treinamentos, de Indaiatuba, SP, essas pequenas porções de terra permitem que o produtor, com investimento menor, alcance altas produções de arrobas por hectare e se capitalize para que, aos poucos, tenha condições de expandir o modelo. “Melhorar a fazenda como um todo, de uma só vez, demanda muito dinheiro. O produtor desanima e desiste no meio do caminho”, diz ele.

Esse “oásis de produtividade” ainda desempenha papel estratégico e mercadológico, pois alivia a lotação na seca. Além disso, abre uma oportunidade de negócio em um período em que poucos têm pasto e a maioria precisa vender. O produtor pode comprar o gado a preços mais baixos e levar para dentro da “ilha”.

Mas afinal, por onde começar? Que tamanho essa ilha de tecnologia deve ter? Para o professor Moacyr Corsi, da Esalq/USP, pioneiro no uso desse tipo de estratégia, cabe ao dono da propriedade e não ao técnico estabelecer as dimensões da área que deseja intensificar. “O produtor é quem tem de dizer quanto pode investir por hectare”, diz.

Segundo o professor, o tamanho tem pouca importância para dar início a um projeto de intensificação. Para ilustrar o que diz, ele cita uma passagem sua quando era estudante de agronomia da Esalq, nos anos 70. “Começamos em uma área de apenas 1,4 ha, que representava 2% do total de pastagens que tínhamos no departamento de Zootecnia”, afirma. Já a escolha da área deve ficar a cargo da equipe técnica e não do produtor. “O técnico é quem identifica a melhor área para dar retorno econômico já no primeiro ano de investimento”, diz.

“Ilha” de alta produção

Ricardo Dantas, da Fazenda Novo Horizonte.

O produtor Ricardo Barreto Dantas, proprietário da Fazenda Novo Horizonte, localizada no município de São Sebastião, ao lado de Arapiraca, região do agreste alagoano, foi fornecedor de cana-de-açúcar para usinas sucroalcooleiras até 2010, quando decidiu enveredar de vez na pecuária. De início, a diferença de retorno financeiro entre as duas atividades o assustou. “A cana me trazia uma rentabilidade por hectare seis vezes maior do que a pecuária”, conta. A propriedade, de 150 ha, destinada à recria/ engorda, trabalhava no sistema tradicional, com piquetes grandes, entre 30-40 ha, sem nenhum aporte de tecnologia e taxa de lotação de apenas 1 UA/ha.

Incomodado com a baixa produtividade, Dantas buscou assistência junto ao consultor Wagner Pires, que havia conhecido em uma palestra, em 2014. Em vez de reformar toda a pastagem, Pires recomendou a criação da “ilha de tecnologia” em 20 ha, com o objetivo de explorar intensivamente a área, melhorar a rentabilidade para somente depois partir para o restante da fazenda.

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