21 de outubro de 2020

Revista DBO Outubro | Frete free não se tira mais

Prática que se difundiu com a transmissão dos leilões virou estratégia de venda, exigindo das leiloeiras soluções sustentáveis para o negócio

Por Carolina Rodrigues

O frete “free” veio para ficar nos leilões de bovinos de corte. A regra nunca foi tão clara: vendeu, tem que entregar, mesmo que em destino muito distante da fazenda e sem custo para o comprador. O frete gratuito, ou free, como é chamado pelos pecuaristas, se instaurou no mercado, principalmente nos leilões de touros nos últimos anos, tornando a compra muito mais prática para o consumidor. Não sem um enorme desafio para o vendedor, não somente pelo custo, mas também pela logística da entrega, fatores difíceis de se equacionar a cada novo evento.

“Muitas vezes, o cara compra um touro da Matinha no leilão de setembro para trabalhar na estação daquele mesmo ano. Além de entregar, temos que lidar com a pressão do comprador para que o touro chegue logo, e, em boas condições”, relata Luciano Borges, dono do Rancho da Matinha, de Uberaba, MG, de onde saem, todos os anos, cerca de 600 reprodutores para o mercado em leilões, que, invariavelmente, fazem as maiores médias nacionais.

Para amenizar o problema, a fazenda tem realizado remates cada vez maiores, objetivando otimizar a entrega. “Se leilão grande é difícil, leilão pequeno é suicídio”, sentencia Luciano Borges, que avalia a questão do frete como uma uma consequência natural de um mercado em formação.

No final de 1990 e início de 2000, os leilões de touros começavam a ganhar a estrada de “poeirão” tendo dois grandes desafios à frente: vender no atacado, tentando valorizar a cabeceira dos projetos de seleção com uma linguagem técnica nova trazida pelos programas de melhoramento genético; e ganhar espaço também entre consumidores de genética de diferentes tamanhos, incluindo o médio e pequeno produtor. Nesta época, surgiam gigantes de mercado, como o CFM, Aliança, Grendene, OB, Naviraí e Carpa, que brigavam entre si na busca de diferenciais que fossem além da produtividade dos animais que ofertavam. Mas que contemplassem, também, facilidades na entrega desses produtos.

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