13 de novembro de 2020

Pureza das sementes volta à pauta do setor

Mapa propõe novamente 80% para braquiárias e 60% para panicuns

Sementes incrustadas da Matsuda: mercado de valor agregado.

Por Tatiana Souto

Uma consulta pública feita pelo Ministério da Agricultura sobre sementes forrageiras terminou no dia 1º de novembro, mas os debates continuam nos bastidores do setor. Trata-se de uma nova proposta de Instrução Normativa, apresentada em 2 de setembro passado, que, dentre outras coisas, modifica o nível de pureza das sementes forrageiras. No caso do gênero Brachiaria, mais usado para formação de pastagens no Brasil, o percentual passaria de 60% para 80%. Outras cultivares muito procuradas ‒ as do gênero Panicum ‒ também sofreriam modificação, passando dos atuais 40% para 60% de pureza. Todas as espécies de gramíneas e leguminosas forrageiras tropicais comercializadas no Brasil estão contempladas na normativa ‒ ainda não aprovada ‒, mas algumas não sofreriam mudanças.

O setor sementeiro ainda resiste à proposta, que vem sendo discutida há anos. A Abrasem (Associação Brasileira de Sementes e Mudas) respondeu à consulta pública, solicitando a manutenção dos índices atuais, previstos pela IN número 30, de 21/5/2008. Segundo Marcos Roveri ‒ coordenador do Comitê de Forrageiras da Abrasem e também gerente executivo da Unipasto (Associação para o Fomento à Pesquisa de Melhoramento de Forrageiras) ‒, a fiscalização deficiente do Ministério da Agricultura e dos Estados facilitaria muito o risco de aumento da pirataria no setor.

“Consideramos que essa medida deve ser tomada de forma gradativa e acompanhada de um melhor lastro na fiscalização. Isso evitaria, por exemplo, que empresas idôneas perdessem competitividade, pois garantiriam a pureza exigida por lei (cobrando preço compatível), enquanto as que não cumprem venderiam mais barato”, diz Roveri.

 

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Percevejo castanho torna-se inimigo nº1 das pastagens

De difícil controle, praga dizimou áreas no Mato Grosso em 2020 e já é considerada mais temível do que a cigarrinha, pois ataca sem ninguém ver

Área atacada pelo percevejo castanho no Mato Grosso.

Por Denis Cardoso

Quando os pastos da fazenda NovaPec, em Rondonópolis, MT, começaram a perder produtividade e morrer de maneira desenfreada, no final do ano passado, o pecuarista Arlindo Vilela e sua equipe desconfiaram da presença do percevejo castanho (inseto que suga a raiz do capim). Armaram-se de escavadeiras para buscar, no fundo do solo, evidências da praga.

A investigação confirmou as suspeitas, mas a descoberta se mostrou tardia: uma enorme e incontrolável população de percevejos castanhos já se alimentava ferozmente das raízes de grande parte dos pastos da propriedade, que se dedica à recria e engorda intensiva, em área de 691 ha de pastagens. “Foi muito rápido; o percevejo detonou tudo”, lamenta Vilela, acrescentando que os ataques mais ferozes ocorreram depois de uma sequência de “seis veranicos” registrados na região, ano passado.

Arlindo Vilela, da Novapec

A NovaPec é uma “fazenda conceito” e tornou-se referência na intensificação da atividade de recria/engorda a pasto. A propriedade também é conhecida por ceder parte de suas áreas para o desenvolvimento de pesquisas. Desde a descoberta dos terríveis insetos, uma equipe de técnicos ligada à Embrapa Gado de Corte realiza um trabalho in loco, sobre a flutuação populacional e os danos de percevejo castanho nas pastagens. “Além das investigações da Embrapa, já reunimos muita gente para alertar e debater sobre a gravidade do problema”, diz Vilela.

Segundo Francisco Manzi, diretor técnico da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), a entidade pretende organizar um evento só para abordar o tema. “Estamos conversando com a Fundação MT e também com as associações de soja e algodão, pois sabemos que é um problema que atinge hoje várias culturas”, relata.

Vilela conta que, antes da descoberta da praga devastadora, acreditava-se que a perda de produtividade das pastagens estava ligada unicamente ao processo de degradação natural, por isso a fazenda começou a investir fortemente em adubação e controle de invasoras com herbicidas. “Porém, com o passar do tempo, vimos que essas ações não estavam surtindo o efeito desejado, o que nos fez desconfiar cada vez mais dos percevejos”, afirma o pecuarista.

Com a destruição de parte das pastagens, a NovaPec teve de reduzir drasticamente seu rebanho. “Nosso plantel sofreu redução de quase 40%, caindo de um total de quase 3.000 cabeças, no primeiro semestre de 2019, para cerca de 1.800, nos primeiros seis meses de 2020”, calcula. “Com a diminuição do rebanho, o custo fixo da fazenda subiu 18%”, calcula.

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