15 de junho de 2021

Maranhão contra a carne clandestina

Abate sem inspeção corresponde a 73% do consumo, motivando projetos de regularização e campanhas dirigidas ao consumidor

Cenário preocupante do abate clandestino no Maranhão motiva campanha de conscientização da população.

Por Carolina Rodrigues

Em setembro de 2004, o abate clandestino foi tema de capa da DBO, sob o título “Da Marginalidade à Carne com Grife”. Na época, a reportagem de Maristela Franco mostrava números alarmantes: 40% dos animais no País eram abatidos sem inspeção sanitária. Passados 17 anos, o Brasil tem índices menores de abates não inspecionados – cerca de 15%, segundo levantamento realizado pela Esalq/USP, em 2015 – mas ainda sofre com a falta de estatísticas atuais e ações públicas articuladas que consigam por fim a esse verdadeiro “buraco negro” da cadeia produtiva, queixa já registrada no passado.

Se, nos grandes centros urbanos, come-se carne bovina de melhor padrão sanitário, em municípios do interior do País, principalmente nas regiões Norte e Nordeste, vende-se o produto em feiras e açougues, sem condições mínimas de higiene, para ser consumido ainda “quente”, devido a hábitos alimentares arraigados da população. É o caso do Maranhão, que tem rebanho de 7,8 milhões de bovinos, o segundo maior do Nordeste e o 12º do País. Dados da Federação dos Municípios do Estado do Maranhão (Famem), divulgados em 2018, apontam que 73% da carne consumida no Estado vêm de abate irregular.

Esse percentual elevado e preocupante ganhou repercussão nos últimos meses, com o lançamento da campanha Abate Seguro, que visa divulgar, nas redes sociais, uma série de vídeos informativos sobre o tema, buscando: primeiro, conscientizar a população maranhense sobre os riscos de se consumir carnes não inspecionadas; segundo, discutir a importância dos Serviços de Inspeção no Estado, responsáveis por assegurar a qualidade dos produtos de origem animal aptos ao consumo humano.

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Circuito Nelore de Qualidade mira o futuro

Campeonato se adequa à evolução zootécnica da raça, que já provou ter boa carcaça e agora quer se destacar também na produção de carne premium

Lote de animais aguardando abate em uma das etapas do Circuito.

Por Carolina Rodrigues

Quando criou, em 1999, o Circuito Nelore de Qualidade – concurso nacional de carcaças da raça, que visa estimular os pecuaristas a produzir lotes de padrão superior –, a Associação dos Criadores de Nelore do Brasil (ANCB) não imaginava que, em apenas duas décadas, veria o peso dos machos Nelore passar de 16 para [email protected] limpas e a maturidade, de 6 para 0 a 2 dentes definitivos.

Com normas de abate técnico estabelecidas por Pedro de Felício (ex-professor da Universidade Estadual de Campinas e um dos maiores especialistas em carne do País), o “Circuito Nelore” acaba de dar dois importantes passos rumo a uma maior conexão “genética–mercado”: o Campeonato Melhor Lote com Pai Identificado (veja detalhes adiante) e a Medalha Ouro Branco, que será concedida a todos os lotes de novilhas com até 4 dentes e de machos castrados com até 2 dentes, que apresentarem gordura mediana-acima e carcaça com 16 a [email protected] Desses animais, serão colhidas amostras do contrafilé para análises laboratoriais de qualidade de carne (maciez, coloração, suculência etc).

SAIBA MAIS:
+DBO Destaca: Circuito Nelore de Qualidade

A escolha dessas duas categorias para avaliação tem uma razão simples, porém estratégica. Elas são as mais demandadas pelo mercado de carne premium, que busca preferencialmente animais jovens, pesados (mínimo de [email protected], no caso das fêmeas) e bem acabados. Este, inclusive, é o padrão definido pela JBS para os cruzados que abastecem sua marca premium 1953. Os dados obtidos nas análises anunciadas ajudarão a orientar o trabalho de três players importantes da cadeia pecuária bovina: o selecionador, o produtor de boi gordo e o frigorífico.

Buscando respostas

Em entrevista concedida à DBO, por videoconferência, no final de maio, Fábio Dias, diretor de Relacionamento com Pecuaristas da JBS, empresa que ajudou a ANCB a definir as regras da nova premiação, diz que a Medalha Ouro Branco pode trazer resposta para um antigo questionamento: qual a qualidade da carne Nelore, no padrão de carcaça definido para marcas premium?

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