24 de junho de 2021

Do eucalipto para o boi

Fazenda baiana que já teve 7.000 ha de florestas comerciais migra para a pecuária, atraída pela rentabilidade e liquidez do setor

Gado começa a ocupar gradativamente as áreas de eucalipto na Fazenda Santa Fé, por garantir maior rentabilidade.

Por Carolina Rodrigues

Jurandir de Souza Boa Morte já foi chamado de “magnata do eucalipto” no sul da Bahia por ter formado quase 7.000 ha com essa espécie em sua Fazenda Santa Fé, que soma mais de 8.000 ha e fica no município de Teixeira de Freitas, próximo à divisa com o Espírito Santo.

Com tino comercial invejável (confira detalhes no quadro ao lado), “Seu” Jurandir chegou a ser considerado o maior produtor individual de eucalipto da América Latina. Dedicou-se à cultura de 2009 a 2019, mas, há três anos, decidiu mudar completamente de rumo. Parou de plantar eucalipto e migrou para a pecuária, decisão alicerçada por dois motivos: a crescente valorização do boi e a forte concentração industrial no segmento de papel e celulose, que tornou menos atraente a fixação de contratos para a produção de eucalipto, uma atividade de ciclo longo (6-8 anos, ante 2-3 anos da pecuária de corte).

Enquanto o lucro do eucalipto está em torno R$ 800/ha, o da pecuária atingiu R$ 1.600/ha em 2020, na Fazenda Santa Fé, e deve ultrapassar R$ 2.400/ha em 2021, conforme estimativas da Rehagro Consultoria, de Belo Horizonte, MG, contratada para estruturar o projeto de transição. “Estou passando o trator nas antigas áreas de eucalipto e plantando capim. Vai virar tudo gado, que é mais seguro e tem liquidez imediata”, diz o produtor, que, do alto de seus 79 anos, tem pressa de migrar para a pecuária. Desde que o projeto começou, ele já converteu 3.463 ha em pastos (cerca de 50% da área total de eucalipto), devendo completar o projeto em cinco ou seis anos.

Seu filho mais velho – Jurandir de Souza Boa Morte Filho – conta que, em 2018, a Suzano anunciou a compra da Aracruz (Fibria), o que resultou na combinação dos ativos das duas maiores produtoras mundiais de celulose de eucalipto. “Depois disso, o grupo mudou sua política de fomento, nos forçando a repensar o projeto de silvicultura e buscar autossuficiência. Percebemos que a saída era abrir espaço na floresta para o boi, um negócio de retorno mais rápido e lucratividade segura”, conta o produtor, que, junto com o irmão Fernando, convenceu o pai a montar um projeto de recria/engorda na Santa Fé; não extensivo, como no passado, mas moderno, como ele desenvolve em sua própria fazenda no Pará.

“Meu pai estudou até a terceira série, batalhou muito e sempre viveu à parte da tecnologia. A pecuária que ele conhecia era a do boi de [email protected] Hoje, não abatemos animais com menos de [email protected] na Santa Fé. Comerciante como ele é, está apaixonado pelos resultados atuais”, revela Júnior.

Driblando tocos e custos

Para migrar a fazenda do eucalipto para a pecuária, o primeiro desafio foi formar as pastagens em meio ao “mar de tocos” deixado pela silvicultura. Após breve análise de custos, decidiram plantar capim no espaçamento entre as fileiras dos eucaliptos colhidos, já que retirá-los da área implicaria em custos ainda maiores.

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Um patologista de precisão

O médico veterinário Pedro Paulo Pires tem participação em várias tecnologias desenvolvidas pela Embrapa Gado de Corte onde o eletrônico e o digital estão presentes

“Tudo que existe de chip para bovinos foi originado em experimento com soro contra o botulismo.” – Pedro Paulo Pires

Por Ariosto Mesquita

Contratado em 1989 pela Embrapa para trabalhar como patologista no controle do botulismo – também conhecido como “síndrome da vaca caída” –, o médico veterinário Pedro Paulo Pires acabou se transformando num improvável e premiado ‘pesquisador pec 4.0’. Em 32 anos de empresa, ele soma no currículo a participação na criação de dezenas de ferramentas digitais e/ou de pecuária de precisão que ajudaram a dar ritmo ao processo de tecnificação da bovinocultura de corte brasileira.

Entre suas “invenções” está o primeiro chip subcutâneo para bovinos, o “teclado do peão”, a balança de passagem e o mangueiro digital. Mais recentemente passou a atuar como professor e orientador no Mestrado Profissionalizante em Computação Aplicada, área de concentração em Tecnologias Computacionais para Agricultura e Pecuária, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, que tem a parceria da Embrapa. Nesta nova etapa, ajudou a finalizar e/ou vem orientando teses que vislumbram a criação de novos produtos para automação.

Sem deixar de pensar como patologista, Pires não se imagina mais longe da pecuária de precisão. Sua paixão fica explícita ao receber DBO no laboratório digital da Embrapa Gado de Corte, em Campo Grande, MS. O espaço, segundo ele, sedia boa parte das aulas práticas presenciais (suspensas no momento por causa da pandemia) do mestrado da UFMS, e esconde um acervo impressionante. “Este é o nosso museu. Aqui estão protótipos e modelos de várias ferramentas que criamos”, diz, enquanto vai abrindo armários, caixas e gavetas. Uma das peças é um painel que expõe amostras de chips (encapsulados ou não) testados pela Embrapa ao longo de quase 10 anos (1997-2006). “Isso é parte da nossa história”, observa.

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