14 de julho de 2021

Pastagens: Mandobi busca parceiros

Capaz de produzir sementes, nova cultivar de amendoim forrageiro depende de empresas interessadas em multiplicá-la para chegar finalmente ao mercado

O amendoim forrageiro Mandobi se destaca não apenas por produzir sementes, mas por sua qualidade nutricional.

Por Ariosto Mesquita

Festejada por ser a primeira cultivar originalmente brasileira de amendoim forrageiro propagada por sementes, a BRS Mandobi aguarda a formalização de contrato com empresas parceiras para chegar ao mercado. A cultivar foi lançada oficialmente pela Embrapa Acre em dezembro de 2019, fruto de 20 anos de pesquisa, e é vista pelos pesquisadores como uma “joia rara” no portfólio de cultivares disponíveis para consórcio com gramíneas. Afinal, todas as variedades de amendoim forrageiro (Arachis pintoi) hoje disponíveis para plantio são propagadas por meio de mudas, o que eleva custos e dificulta a formação de grandes áreas de pastagens.

Segundo o médico veterinário Bruno Pena Carvalho, chefe adjunto de Transferência de Tecnologia da Embrapa Acre, até agosto deste ano, a empresa lançará um edital para seleção de pelo menos dois parceiros dispostos a multiplicar a cultivar na próxima estação chuvosa, visando ofertar sementes comerciais aos produtores provavelmente em 2023. Carvalho explica que o ciclo do amendoim é mais longo: a partir da semeadura, são necessários 18 meses para obtenção de sementes, cuja colheita agora pode ser mecanizada (veja quadro no final do texto).

Vantagens do consórcio

Além de não precisar ser plantado por meio de mudas, o Mandobi tem outra grande virtude, própria das leguminosas: ele garante aos animais uma pastagem mais rica em nutrientes, porque tem entre 16% e 25% de proteína bruta na matéria seca (ante 8% a 14% das gramíneas) e 65% de digestibilidade. “É como se fosse uma ração concentrada”, compara Carvalho.

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Quando esse amendoim é plantado junto com capins bastante difundidos no bioma amazônico como o Brachiaria humidicola, por exemplo, fica mais fácil engordar a boiada nessa região, pois a qualidade do pasto melhora. O Mandobi, além de ter alto valor proteico, é bastante palatável e não possui fatores antinutricionais como outras leguminosas, garantindo aumento expressivo no ganho de peso dos animais, conforme mostraram experimentos conduzidos por pesquisadores da Embrapa Acre, entre março de 2010 e dezembro de 2018.

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Cresce a demanda por feno para compor a dieta bovina

Milho caro e pouca chuva nos pastos criam condições para essa outra fonte de fibra ser buscada por confinadores e pecuaristas em geral; LEIA a reportagem

Produção na região de Camapuã, MS: R$ 0,90/kg, ante R$ 0,40 praticados no ano passado.

Por Ariosto Mesquita

A compra foi por necessidade (o preço do milho estava indo às alturas), mas veio na hora certa. Em agosto do ano passado, a Fazenda Pecuária BR, sediada em Terenos, MS, adquiriu 634 toneladas de feno por R$ 258.000, frete já incluído (R$ 0,40/kg). Essa quantidade está sendo suficiente para compor a dieta de recria e reprodução de suas novilhas até o final deste ano. Ainda bem. Cálculo feito pelo gerente da propriedade, Tiago dos Santos Ramos, no último mês de junho, revelou que a mesma quantidade do produto, mais o frete, lhe custaria agora R$ 378.000 (R$ 0,59/kg), uma variação de 47% em 10 meses.

O feno adquirido pela empresa foi de braquiarão (braquiária brizanta, cv marandu), que, no penúltimo dia de junho, estava cotado – em plataformas comerciais na Internet, a preços promocionais na região – a R$ 0,50/kg. No ano passado, na mesma época, a Pecuária BR conseguiu o produto a R$ 0,25/kg (sem o frete).

Naquele momento, a fazenda sul-mato-grossense já percebia a escalada do preço do milho (muito usado para a produção de silagem), cuja saca de 60 kg estava a R$ 48,28 e saltou, um ano depois, para R$ 86,63, alta de 79,4%, pelo preço à vista, na cotação levantada pelo Cepea/USP.

Além do bom preço à época, a opção pelo feno para servir como fonte de volumoso na dieta levou em conta, dentre outras coisas, a disponibilidade de oferta na região, o atendimento ao modelo nutricional adotado e a palatabilidade conferida à dieta.

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A BR não foi a única. De acordo com Alcides Torres, sócio-diretor da Scot Consultoria, de Bebedouro, SP, outras propriedades de pecuária de corte pelo País fizeram a mesma opção:

“O aumento no preço dos componentes de dietas bovinas desde o ano passado e o déficit de chuvas nas pastagens ao longo do primeiro semestre deste ano, elevou muito a procura pelo feno. Na região de Limeira, em São Paulo, quem produz não está conseguindo atender à demanda deste ano. Além disso, os ‘boitéis’ estão investindo em sua produção como fonte de fibra, para não ter de ir ao mercado em busca disso. O feno [sobretudo de braquiárias] está sendo mais cultivado no Brasil, com produção estimulada sobretudo em SP, MS e MT”, informa, sem ainda conseguir mensurar este avanço.

Mas o zootecnista Fernando Silva Nacer, da consultoria de nutrição Beef-Tec, que atende a Pecuária BR, tem um número: 37,5% de aumento, de 2019 para cá (junho/2021), entre os clientes que estão no Mato Grosso do Sul (23 fazendas) e no Paraguai (3).

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Pecuária 4.0: Que venha mais conectividade

Tecnologia 5G (quinta geração para redes móveis e de banda larga) deverá acelerar o desenvolvimento de mecanismos que revolucionarão a vida das fazendas

Alexandre Berndt, da Embrapa, junto a um cocho experimental automático que mede emissões de gases de efeito estufa .

Por Ariosto Mesquita

Em um ano em que pipocam eventos, informações e especulações sobre os avanços que a tecnologia 5G (quinta geração para redes móveis e de banda larga) e os novos níveis e modelos de conectividade trarão para a humanidade, o pecuarista deve estar se perguntando: que impacto isso trará para o meu negócio? Cientistas, pesquisadores e gestores na área de pecuária de precisão apostam alto e sugerem que estamos no limiar de uma revolução dentro e fora da porteira.

Leitura facial de bovinos, sensores externos alimentados por energia limpa, cálculo detalhado de rebanho a campo por visão computacional, diagnóstico remoto de prenhez, planejamento digital de suporte de piquetes e identificação da qualidade do solo via celular são algumas das tecnologias hoje em diferentes níveis de desenvolvimento, boa parte delas de uso em tempo real e com chances de integrar o cotidiano da bovinocultura num prazo de até cinco anos.

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Teoricamente, a tecnologia da informação já permite uma série de avanços em integração de dados que, entretanto, ainda não conseguem se sustentar em um ambiente rural. O biólogo e chefe adjunto de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Pecuária Sudeste (São Carlos, SP), Alexandre Berndt, ilustra com um exemplo:

“No meio urbano é possível saber onde está um indivíduo pela localização do seu celular. No ambiente rural, usar do mesmo conceito para localizar um bovino nas pastagens ainda esbarra em duas dificuldades: inexistência de um sensor preso ao animal que consiga gerar energia para funcionar a campo e uma conectividade que possibilite o trânsito de dados, hoje, com raríssimas exceções, limitada à sede da fazenda e, eventualmente, ao curral”. Ele lembra que os sensores utilizados de forma mais intensa hoje na pecuária, dependem de leitoras.

A boa notícia é que estas dificuldades já já farão parte do passado. O sensor está chegando: “Existem pessoas e empresas no Brasil trabalhando no desenvolvimento disso, incluindo nós, na Embrapa. Em poucos anos estará no mercado, avisa Berndt. Segundo ele, já existe um modelo australiano disponível, porém um tanto impraticável. O sensor fica em um brinco que, em um dos lados, traz um painel fotovoltaico.

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