14 de abril de 2022

Revista DBO | Pele de amendoim vai ao cocho

Pesquisas indicam que, quando incorporada na dieta bovina como concentrado energético, a pele de amendoim resulta em maior ganho de peso animal

Peletizada e fornecida a animais confinados, pode substituir em até 60% a silagem de milho.

Por Denis Cardoso

Todos conhecem aquela película bem fina e avermelhada que cobre o grão do amendoim, um tira-gosto bastante apreciado pelos brasileiros. Pois este resíduo removido pelas agroindústrias do setor tem grande potencial para se tornar uma importante fonte de alimento para bovinos, como mostram os resultados preliminares de dois estudos realizados por pesquisadores ligados à Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias (FCAV), da Universidade Estadual Paulista (UNESP/Campus Jaboticabal).

Sob orientação do professor Ricardo Andrade Reis, as pesquisas (ambas em fase final de conclusão científica) indicam que, quando incorporada na dieta bovina como concentrado energético, a pele de amendoim resulta em maior ganho de peso animal, além oferecer outros benefícios ao sistema pecuário, como a redução de emissão de gases de efeito estufa (GEE), devido à presença de 6% de taninos condensados, moléculas que atuam sobre as enzimas e bactérias responsáveis pela geração de gás metano lançado na atmosfera (emitido pela boca e narinas, por meio do processo natural de eructação, e pelas fezes).

“Em tempos de altas expressivas nos preços dos insumos tradicionais que compõem a dieta bovina (como é caso do milho e o farelo de soja, encarecidos pela quebra de safras e pelas das sanções impostas à Rússia após os ataques à Ucrânia), os subprodutos do amendoim, incluindo a pele, o farelo e a casca, surgem como uma excelente alternativa aos pecuaristas”, sugere Matheus Mello, engenheiro agrônomo e mestrando em ciência animal pela FCAV/Unesp, um dos executores das pesquisas.

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Revista DBO | Qual o melhor método de desmama?

Pesquisa do ETCO compara três estratégias diferentes de separação da dupla vaca-bezerro, confirmando a desmama lado a lado como mais vantajosa

Visão aérea do da instalação usada na Fazenda Orvalho das Flores para desmama lado a lado (destaque para o bebedouro na divisa do piquete.

Por Renato Villela

A desmama em bovinos é um processo estressante, que, mal conduzido, pode provocar perda de peso, devido a alterações nutricionais, comportamentais e imuniológicas. Muitos pecuaristas ainda têm dúvidas quanto ao método mais adequado para uso na fazenda, porém uma pesquisa realizada entre março de 2020 e fevereiro de 2022, pelo Grupo de Estudos e Pesquisa em Etologia e Ecologia Animal (Etco), ligado à Unesp-Jaboticabal, lançou mais luz sobre o tema.

O trabalho, conduzido na Fazenda Orvalho das Flores, da criadora Carmen Perez, em Araguaiana (MT), comparou três modalidades diferentes de desmama: tradicional ou abrupta, a “lado a lado” e a com tabuleta nasal, comparando-as com um tratamento controle, no qual os bezerros permaneceram por mais 30 dias com as mães. Os resultados foram surpreendentes. Constatou-se que, durante o período de avaliação de desempenho (30 dias pós-desmama), os animais submetidos à desmama lado a lado ganharam 144,4% mais peso do que os da abrupta. Já o tratamento com tabuleta nasal apresentou perda de peso (saiba mais no fim da reportagem).

A desmama lado a lado consiste em manter os bezerros em pasto contíguo ao de suas mães, separados apenas por uma cerca ou por um corredor de manejo, para que possam ver, sentir o cheiro e até mesmo fazer contato físico parcial com elas (no caso da separação por uma cerca), o que diminui bastante o estresse comumente observado no método abrupto.

O contraste entre os dois sistemas ficou nítido no trabalho do Grupo Etco, conduzido pelo zootecnista Lucas Roberto Batista Ruiz, como parte de sua dissertação de mestrado na Unesp-Jaboticabal, sob orientação do professor Mateus Paranhos, que também é coordenador do Etco. A média de ganho de peso do lote submetido à desmama lado a lado (nos 30 dias pós-desmama) foi de 2,2 kg/cab/dia, ante 904 g da abrupta e 1,6 kg do tratamento controle. Já o grupo da tabula perdeu 119 g/cab/dia.

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