10 de maio de 2022

Revista DBO | Sombra dá lucro

Estrutura durável e eficiente para sombreamento garante melhoria no desempenho animal e redução no consumo de água em confinamentos

Por Maristela Franco

Quem visita a Fazenda Santa Rosa – propriedade da Agropastoril Paschoal Campanelli, em Altair, no oeste paulista –, é imediatamente atraído pelo “mar de bois” de seu confinamento comercial, porém, caminhando um pouco mais, depara-se com algo diferente: as instalações do Centro de Pesquisas Campanelli, uma das maiores unidades experimentais privadas da América Latina, apta a receber 1.856 animais para fins de pesquisa e já em fase de expansão (em breve, terá capacidade para 3.616 cabeças).

Quando DBO visitou a propriedade, no início de março, o centro tinha quatro linhas de engorda com um total de 36 baias, sendo 32 maiores (para 55 animais cada) e quatro menores (24 cabeças cada). Estas últimas, de perfil totalmente high tech, abrigavam equipamentos Intergado para pesagem voluntária dos animais, medidores de ingestão hídrica, cochos eletrônicos que monitoram o consumo de ração e câmeras que registravam continuamente o comportamento dos animais. Em frente a elas, uma sofisticada estação meteorológica.

Porém, o que mais chamava a atenção eram as estruturas de sombreamento instaladas em duas das linhas de engorda, munidas de coberturas flexíveis, feitas com cabos de aço e telhas de galvalume.

O modelo, batizado de smart shading (sombreamento inteligente), difere bastante dos anteparos de sombrite encontrados em projetos de engorda brasileiros. Victor Campanelli, diretor da empresa, privilegiou quesitos como durabilidade e qualidade da sombra. As telas comuns, segundo ele, bloqueiam apenas 70%-80% da radiação solar e não suportam por muito tempo chuvas fortes associadas a vendavais. Os ganhos decorrentes do sombreamento são engolidos pelos gastos com manutenção.

“Por isso, após ver modelos mais resistentes e que bloqueiam 100% da radiação solar nos EUA, Austrália e principalmente no México, onde muitos animais Brahman (zebuínos como nosso Nelore) sofrem com o estresse térmico, me inspirei neles para desenvolver uma estrutura mais adequada às condições dos confinamentos brasileiros”, conta Victor.

“Como se tratava de algo novo, decidi instalá-lo, em 2019, na unidade de pesquisa que havíamos acabado de montar para uso próprio e parcerias. Sempre quis saber quanto a sombra influi no desempenho dos animais confinados no Brasil, mas precisava de dados em maior escala”, justifica.

Confinamento experimental na época da pesquisa com estresse térmico, com duas linhas cobertas.

Para continuar lendo é preciso ser assinante.

Você merece este e todo o rico conteúdo da Revista DBO.
Escolha agora o plano de assinatura que mais lhe convém.

Invista na melhor informação. Uma única dica que você aproveite pagará com folga o valor da assinatura.

Se já é assinante, entre com sua conta

This post is only available to members.

2742961

Newsletters DBO

Os destaques do dia da pecuária de corte, pecuária leiteira e agricultura diretamente no seu e-mail.

Relacionado