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A mortandade de animais na Austrália: um olhar veterinário

Brasileiro Carlos Pellegrino fala do que viu da tragédia que dizimou boa parte do rebanho da região de Queensland.
Foto: Reprodução.

Para um recém chegado a Austrália, com certeza as imagens dos primeiros dias de fevereiro ficarão para sempre na memória. A destruição causada pelas chuvas deixou muitas marcas pelo país: desespero para as famílias de pecuaristas que abandonavam suas propriedades, o gado atolado morrendo na lama ou que precisou ser sacrificado, entre outros tantos animais isolados pelas enchentes e que já não suportavam a desnutrição.

+Enchentes na Austrália podem ajudar Brasil a aumentar exportações

O médico veterinário Carlos Pellegrino, recém-chegado à Austrália para trabalhar na Australian Reproductive Technologies (ART), ainda expressa na voz a força causada pela sucessão de desastres naturais num país que sofria com uma seca severa que já durava 8 anos em algumas regiões. As inundações cobriram uma área de cerca de 20 milhões de hectares de Queensland, equivalente a todo o estado do Paraná. A precipitação correspondeu ao que seriam dois anos de chuvas normais. Até agora, não há informações de pessoas mortas ou feridas.

Pellegrino está na cidade de Rockhampton, no estado de Queensland, onde trabalha com a produção laboratorial e coleta de embriões há duas semanas. O veterinário não esconde o espanto causado pela catástrofe. “De repente veio essa enchente e acabou com tudo. As coisas são controversas. Depois de tanto tempo de seca, de repente choveu inundando tudo. Fazendeiros perdendo tudo, a chuva destruindo fazendas e carregando animais”, relata.

As tempestades aconteceram principalmente no norte do país. Segundo Pellegrino, a região mais afetada foi Townsville – cidade do estado de Queensland, localizada na costa nordeste da Austrália, e um dos maiores portos de exportação de gado vivo australiano.

De acordo com Pellegrino, os jornais e rádios locais falam em mais de 1 milhão de cabeças de gado afetadas pela inundação, das quais quase 80% estariam mortas. O noticiário local também estima um prejuízo diretamente ligado à pecuária de cerca de U$$ 2,5 bilhões. “Isso está causando uma preocupação de como será o mercado de carnes da Austrália, principalmente o de exportação”, comentou Pellegrino.

O médico veterinário disse ao Portal DBO que o governo já acionou o sistema de ajuda financeira para os fazendeiros diretamente afetados. “Eles estão dando, literalmente, 75 mil dólares australianos (AU$), sem ônus nenhum aos fazendeiros que foram afetados. Há também a ajuda de AU$ 250 mil com juros de 1,3% em 10 anos”, enfatizou Pellegrino, que considera uma boa surpresa o pronto socorro aos pecuaristas atingidos.

Carlos Pellegrino viajou semana passada pela região mais atingida. “Eu passei por cima de Townsville. Pelo avião observei que as chuvas foram horrorosas. Vi tudo alagado nas áreas de fazendas”. Ele relata como aconteceu a perda do gado. “Enchia demais de água, os animais ficavam ilhados e muitos morreram atolados na lama. Como aqui na Austrália tem limitação de mão de obra, as fazendas operam em cima do trabalho dos próprios familiares. Apesar disso, eles possuem recursos também. Muitos levavam feno e silagem para perto do gado ilhado via helicóptero”, frisou Pellegrino. Veja o vídeo abaixo mostrando a dimensão da tragédia por helicóptero:

“Um cliente nosso perdeu 25.000 cabeças de gado, praticamente o rebanho todo. Houve testemunhos de fazendeiros que tiveram de contratar pessoas de helicóptero para sacrificar o gado, porque não conseguiam chegar até o local. Já os pilotos de helicópteros chegavam nas sedes das fazendas com olhos cheios de lágrimas por não haver mais munição para sacrificar o restante do gado e evitar maior sofrimento”, conta Pellegrino ao classificar a situação como “catastrófica”.

A solidariedade australiana diante desse quadro impressionou o veterinário. “É bem similar ao que acontece no Brasil. Diante das catástrofes a população se junta para ajudar . Aqui eu tô vendo muita gente preocupada com isso. As associações de criadores de gado Brahman dos Estados Unidos e da África do Sul se disponibilizaram para ajudar em termos de suporte em genética”, conta.

Consequências

Sobre os efeitos das perdas genéticas, Pellegrino explicou que o mercado de vendas de reprodutores pode ser afetado.
Confira no áudio:

“Apesar de serem fazendas mais simples, o gado australiano possui uma qualidade genética superior a encontrada no Brasil. O serviço de transferência de embrião tem um retorno bem interessante em termos de melhoramento genético aqui”, observou o veterinário.

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