“Acho que tabelamento não vai funcionar”, diz Maggi

Para ministro, política de preços mínimos do frete ainda terá efeitos sobre a inflação
Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil.

O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi, reforçou nesta terça-feira sua insatisfação com o tabelamento do frete, que segundo ele, vai criar muitos problemas à frente. Maggi diz que, pelas características do Brasil, não há como tabelar o custo do transporte. “Há vários tipos de rodovias, os caminhos são diferentes e botar tudo isso no mesmo pacote não dá certo”, afirmou durante o 28º Congresso e ExpoFenabrave, realizado em São Paulo. “Os preços propostos na tabela ficaram muito elevados e a renda do produtor já é pequena.”

O ministro admite que a tabela, por ter sido aprovada pelo Congresso, vai passar. Mas prevê que, no futuro, caberão ao produtor os custos do transporte, ao contrário do que acontece hoje, quando tradings se encarregam de retirar o produto da propriedade. Maggi avalia que, da maneira com que o assunto está sendo encaminhado, o governo lança o olhar sobre um processo que é ineficiente e que terá que ganhar escala para ser eficiente.

À plateia de revendedores de caminhões, Maggi disse que, inicialmente, o tabelamento do frete vai acarretar uma maior venda de caminhões porque os produtores vão se ocupar do transporte de seus produtos e, com isso, montar suas frotas. Ocorre que, disse o ministro, esses produtores terão que colocar em seus orçamentos o custo de frotas paradas por quatro meses (quando não há produto a transportar), como ocorre com as colheitadeiras.

Inflação

Maggi também disse que o tabelamento do frete terá efeitos sobre a inflação. De acordo com ele, não se tratará de uma escalada dos preços, mas de um ajuste. “Com toda certeza. Já se percebe isso impacto sobre os preços não só na área de grãos, mas em cargas gerais, cargas de retorno”, citou. “Tudo isso vai levar a um movimento de ajuste no processo inflacionário.”

José Ronaldo de Castro Souza Júnior, diretor de Estudos e Políticas Macroeconômicas do Ipea, concorda que haverá um impacto do aumento dos custos do setor na inflação. Souza Júnior ressaltou, porém, que a questão (do tabelamento) segue indefinida. “Muita gente está discutindo isso na Justiça e há dúvidas”, disse em seminário de Economia Agrícola no instituto.

A pesquisadora Ana Cecília Kreter, da Diretoria de Estudos e Políticas Macroeconômicas (Dimac) do Ipea, acrescentou que o setor “ainda está passando por um processo de estabilização em relação à mudança nos fretes”. E pontuou: “Essas alterações têm um efeito diferente, a depender do porte do produtor e da distância da produção para os centros de distribuição.”

De todo modo, os efeitos da greve dos caminhoneiros (que resultou no tabelamento do frete) ainda não estão claros, afirmaram os especialistas reunidos no seminário. “Todos estão debruçados para tentar entender o efeito dessa greve (no setor agropecuário)”, confirmou o coordenador científico do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP), Geraldo Barros. Para ele, os reflexos ficaram mais claros para os alimentos perecíveis, como o leite, quando uma grande quantidade da produção foi perdida e deixou de ser comercializada.

Fonte: ESTADÃO CONTEÚDO.

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