Acordo pode fortalecer EUA no mercado de carne bovina do Japão

Japão estuda remover a restrição de idade imposta ao gado americano, que poderia ampliar a presença da carne dos EUA no país

Líderes da indústria de carne bovina dos Estados Unidos estão observando de perto as atuais negociações comerciais com o Japão e a possível remoção de uma regra que limita as importações de carne bovina norte-americana a animais abatidos com até 30 meses, segundo informa nesta sexta-feira o portal Meatingplace.

A Federação Americana de Exportação de Carne (USMEF) estima que, com a remoção da restrição de idade, as exportações totais de carne bovina dos EUA para o Japão poderão aumentar de 7% a 10%, com acréscimo de US$ 150 milhões a US $ 200 milhões por ano na receita. No ano passado, os embarques norte-americanos para o Japão superaram US$ 2 bilhões, cerca de um quarto do recorde de US$ 8,33 bilhões alcançado pelas exportações totais mundiais, observou a USMEF.

Atualmente, o mercado japonês de carne bovina é um dos principais “sonhos de consumo” dos exportadores brasileiros. O país negocia há bastante tempo a entrada de carne brasileira no país asiático, que paga preços bastante atrativos pela commodity. No fim de 2018, o Uruguai conseguiu tal façanha, passando a vender a sua carne bovina ao Japão este ano.

Tal conquista fez a indústria exportadora brasileira, juntamente com o governo federal, aumentar ainda mais o interesse (e as cobranças para um acordo favorável) pelo mercado de carne japonês. O setor chegou a solicitar ao governo de Tóquio posição de “igualdade” nas relações comerciais, já que o Uruguai mantém status sanitário idêntico ao do Brasil, de livre de vacinação contra a febre aftosa com vacinação.

Acesso total

O Japão estabeleceu a restrição em relação à idade do gado norte-americano no final de 2003, após a descoberta do primeiro caso americano de encefalopatia espongiforme bovina (BSE), a doença da vaca louca. Inicialmente, o país asiático restringiu o acesso a produtos de gado com menos de 21 meses de idade, mas, em 2013, aumentou o limite para 30 meses.

Segundo informou o economista da USMEF, Erin Borror, ao Meatingplace, a eventual remoção do limite de idade de 30 meses daria, essencialmente, à carne bovina dos Estados Unidos acesso total ao mercado japonês. Cerca de 80% da produção de carne bovina dos EUA vem de gado com menos de 30 meses de idade, mas a demanda por produtos oriundos de animais mais velhos – como língua e tripa – tem crescido consideravelmente no Japão.

Tarifas menores

As negociações comerciais entre EUA e Japão começaram em meados de abril. Segundo o Meatingplace, a indústria norte-americana também espera um acordo envolvendo as atuais tarifas de importação. Hoje, os principais concorrentes dos EUA no mercado japonês desfrutam de taxas tarifárias significativamente mais baixas, favorecidos pelo Acordo Global e Progressivo para Parceria Transpacífica (CPTPP).

“Estamos muito atrasados e precisamos de condições equitativas”, disse a economista da USMEF, Erin Borror, ao Meatingplace, acrescentando: “Precisamos conquistar imediatamente a mesma tarifa que os outros fornecedores no mercado”. A taxa de imposto do Japão sobre os cortes de carne bovina de países do CPTPP, como Austrália, Canadá, Nova Zelândia e México, é de 26,6%, quase um terço menor da taxa de 38,5% que se aplica aos cortes de carne bovina dos EUA.

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