Especiais de Pastagem

Adubação Eficiente exige planejamento

Encontro dos Encontros, da Scot Consultoria, reforça necessidade de se programar operações, para não “queimar” tecnologia

Escrito por: Marina Salles

Publicado na Revista DBO | Novembro de 2018

O nitrogênio (N) é, sem dúvida, o item de maior custo dentro de um programa de adubação de pastagens e, para extrair dele os melhores resultados, o produtor precisa de uma ferramenta básica: planejamento. Essa foi a principal mensagem dos especialistas para cerca de 1.500 produtores, reunidos, entre os dias 1 e 4 de outubro, no Encontro dos Encontros, em Ribeirão Preto, SP. O megaevento discute desde sistemas de cria até pecuária leiteira, mas DBO decidiu focar na adubação, em função de seu Especial de Pastagens. Falar em planejamento pode parecer óbvio, mas é justamente por falta dele que se obtém resultados aquém do esperado. Os palestrantes lembraram que, na construção da fertilidade do solo, o nitrogênio é apenas a cereja do bolo ou a cobertura do edifício. Sua resposta depende de inúmeros fatores, começando pela correção do solo (base de tudo) e passando pelos demais nutrientes. Por isso, é tão importante planejar cada etapa do processo.

Conforme explicou Adilson de Paula Almeida Aguiar, professor das Faculdades Associadas de Uberaba (Fazu), de nada adianta começar um programa de adubação pela dosagem de N, porque isso seria dar um tiro no pé, fazer tudo de trás para frente e pular etapas imprescindíveis para o sucesso da estratégia, inclusive porque o adubo está mais caro (veja quadro abaixo). “Antes de mais nada, é preciso considerar as condições climáticas da região, principalmente a amplitude térmica e a distribuição de chuvas ao longo do ano, que estabelecem o potencial da gramínea para produção de forragem. Também é fundamental analisar as características do solo, tais como profundidade, capacidade de drenagem e fertilidade. Outros itens a serem considerados são a espécie forrageira instalada na área, o histórico de cultivo do solo, a rotação de culturas, o manejo do pastejo e a presença de pragas e plantas infestantes”, afirmou.

Trilha Segura

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Para construir uma “trilha” segura para a adubação eficiente, o produtor deve escolher, de preferência, as melhores áreas, com relevo plano a levemente ondulado, solos profundos e bem drenados, estande adequado de plantas forrageiras, boa cobertura de solo e pouca ou nenhuma presença de plantas invasoras. O passo seguinte é coletar amostras de solo para análise. “Esta é a etapa mais barata, mas também a mais crítica do processo, porque, se o produtor não executá-la direito, terá distorções na análise laboratorial, na recomendação e, consequentemente, na adubação”, disse Aguiar. O correto, segundo ele, é colher 20 amostras de cada área homogênea (com o mesmo tipo de solo, espécie forrageira e histórico de uso) em três faixas de profundidade: 0-20, 20-40 e 40-60 cm. Depois, misturar as amostras do mesmo perfil de solo, separar no mínimo 250 g de cada uma delas em sacos plásticos e enviá-las para análise. O produtor também pode fazer essa amostragem com ajuda de tecnologias de precisão.

Finalizada essa primeira etapa, é necessário planejar/executar a correção do solo (veja quadro abaixo). Somente depois disso, é que se deve pensar na adubação potássica, fosfatada e nitrogenada, com base na análise do solo. Para definir as dosagens de N, normalmente são usados boletins técnicos ou o “modelo de balanço de massa”, software que calcula a quantidade de adubo a ser aplicada, em função das metas de produtividade. Ele compara as entradas de nutrientes no sistema (vindos da atmosfera, do solo, suplementos, fezes, urina, morte e decomposição de tecidos das partes aérea e subterrânea das plantas) com as saídas (por lixiviação, volatilização, fixação, escorrimento superficial, transferência pelo animal para a área de lazer e exportação do produto animal, carne e leite), fazendo um balanço do nutriente e calculando as quantidades necessárias para se atingir a produção forrageira almejada (em kg de matéria seca/ha/ano) e garantir determinada lotação (em UA/ha).

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A escolha do tipo de adubo a ser aplicado depende do preço por ponto percentual de nitrogênio. Se o N do nitrato de amônio, por exemplo, custar até 24% mais do que o da ureia convencional, vale a pena optar por ele (veja tabela acima). Além de escolher bem o adubo, é fundamental planejar-se para comprá-lo na hora certa, pois seu custo está alto. Quem executa essas operações preparatórias com segurança, tem maior controle sobre os custos e o resultado final da operação. Com tudo em mãos (solo corrigido, adubo armazenado e recomendação de dosagem com base em metas produtivas), a etapa seguinte, também decisiva, é aplicar o produto no momento adequado.

Capricho na aplicação e manejo

Para o professor Moacyr Corsi, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), outro palestrante do Encontro dos Encontros, quanto mais cedo o pecuarista distribuir o adubo, melhor. O ideal, segundo ele, é jogar o
fertilizante no máximo sete dias após a saída dos animais do piquete, pois os novos perfilhos são produzidos quase totalmente na primeira semana. Isso deve ser feito mesmo que não chova, pois a cobertura morta presente no solo mantém a umidade necessária na superfície para solubilização do N e rebrota do capim. Aguiar admite maior flexibilidade no prazo para adubação, alegando que pesquisa realizada na Fazu não constatou diferença na taxa de acúmulo em tratamentos feitos 1, 7 e 14 dias após o pastejo, mas ele também recomenda fazer as aplicações o quanto antes, por questões operacionais.

Segundo Corsi, outra medida importante é regular bem os equipamentos para distribuição homogênea do adubo; manter uma disciplina de aplicação e caprichar no manejo do capim, para colher bem a forragem, do contrário, pode-se “queimar” a tecnologia. “Coletar dados e interpretá-los corretamente possibilita fazer ajustes na hora certa. Um bom indicador para análise é a eficiência de uso do nitrogênio, especialmente quando se trabalha com níveis mais altos de adubação”, diz o professor da Esalq, informando que esse indicador, nas fazendas, tem variado muito (de 5 a 12 kg de N por @). Outra recomendação dos especialistas é fracionar o adubo sempre que a quantidade anual superar 120 kg de N/ha, trabalhando-se preferencialmente com parcelas de 50-60 kg/ha. Em planejamento de longo prazo, é importante considerar o efeito residual das adubações. No primeiro e segundo anos, a dose de N para determinada meta de produtividade não muda, mas, a partir do terceiro ano, pode cair 10% – 15% ao ano e chegar à metade do valor inicial, a partir do sétimo ano, sem queda na produtividade e lotação.fertilizante no máximo sete dias após a saída dos animais do piquete, pois os novos perfilhos são produzidos quase totalmente na primeira semana. Isso deve ser feito mesmo que não chova, pois a cobertura morta presente no solo mantém a umidade necessária na superfície para solubilização do N e rebrota do capim. Aguiar admite maior flexibilidade no prazo para adubação, alegando que pesquisa realizada na Fazu não constatou diferença na taxa de acúmulo em tratamentos feitos 1, 7 e 14 dias após o pastejo, mas ele também recomenda fazer as aplicações o quanto antes, por questões operacionais.

Novidades na amostragem foliar

Outra palestra interessante no Encontro dos Encontros foi proferida pelo professor Francisco Antônio Monteiro, também da Esalq-USP. Segundo ele, as plantas mostram quando estão precisando de nutrientes, por isso sua avaliação visual é importante. Até pouco tempo, porém, era difícil fazer diagnose foliar, devido à dificuldade de amostragem do pasto. Antes, o produtor tinha de coletar toda a parte aérea da touceira de capim e enviar grande quantidade de material (colmos, bainha, lâminas de folhas maduras e jovens) para o laboratório. Mais tarde, testou-se uma metodologia de amostragem que simulava o pastejo (análise apenas das pontas das folhas, colhidas em uma passada de mão que imitava o bocado, movimento da língua dos bovinos), mas também não deu muito certo.

O problema foi solucionado com a técnica L-R (+1 e +2), criada por Monteiro. Ela consiste em coletar apenas duas folhas recém-expandidas da porção de cima do capim, em sua fase de maior crescimento (novembro/fevereiro). “Para amostrar a planta por esse método, basta observar a pastagens de cima para baixo, procurando pelas folhas que estão bem abertinhas. A primeira é a “mais um” (+1) e a debaixo dela é a “mais dois” (+2)”, explica. As folhas podem ser destacadas com a unha. Um conjunto de duas corresponde a uma única amostra. Para capins com folhas maiores, a recomendação é destacar 60 lâminas em 30 plantas. Para os de folhas menores, 100 lâminas em 50 plantas. Veja na tabela acima os níveis críticos de nutrientes que justificariam a adubação foliar.

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Está matéria é parte da série ‘Especial de Pastagem 2018’. O conteúdo foi originalmente publicado na Revista DBO Edição de Novembro.

Autoria: Marina Salles | Revisão: Bruna Andrade | ​Fotografia: Marina Salles e Daniel Rodrigo V. Mendes | Design Digital: Filipe Rockbell.

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