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Agronegócio puxa venda de caminhões e anima setor

Associação prevê crescimento de 15% nas vendas de caminhões em 2019 puxada pelo agronegócio
Foto: Agência Brasil

O mercado de caminhões está crescendo a passos largos no Brasil. Só no mês de janeiro, 50% das vendas de caminhões foram de veículos extra-pesados, puxadas especialmente pelo setor do agronegócio – como grãos e proteínas animais. De acordo com o vice-presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Marco Saltini, o crescimento tem refletido o próprio avanço da economia brasileira.

“Se a gente olhar os números de 2018, nós percebemos que mudamos de patamar nas vendas de caminhões a partir de março/abril. Até então a gente vinha no mesmo ritmo de 2017 de 4.000 unidades por mês. Essas 7.000 unidades relativas a média de 2018 (em torno de 6,3 mil unidades), o número é consistente e mostra que de fato a economia está começando a reagir”, afirmou o executivo.

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Saltini ressalta que o crescimento das vendas de caminhões de tipo médio também está sendo puxado pela agroeconomia. “A estimativa da Anfavea é que o mercado de caminhões cresça esse ano em média 15%. O agronegócio é o responsável, de fato, pelas vendas de caminhões nos últimos anos”. Saltini diz ainda que  o agronegócio deve ter uma participação menor na importância das vendas de caminhões por conta do crescimento de outros segmentos, mas que ainda deve manter volumes significativos de compras.

“São veículos com alta intensidade de uso, que fazem rotas longas. Portanto, normalmente são renovados com prazos menores. Isso acabou nos últimos anos impactando demasiadamente a participação desse segmento nas vendas totais de caminhões. A gente espera que isso agora volte a normalidade, diminua a importância, mas não o volume. Percentualmente teria menos participação, mas ainda assim uma boa presença”, comentou o vice-presidente da Anfavea.

Após a greve dos caminhoneiros, juntamente com a tabela do frete, muitas empresas optaram por adquirir frota própria. No entanto, a Anfavea não percebeu essa movimentação. “A gente teve muitas consultas no ano passado, e de fato algumas empresas acabaram adquirindo sua frota própria. Porém a gente não percebe um movimento muito grande”, avalia Saltini. De acordo com ele, ainda que a questão do frete não esteja 100% resolvida, o cenário ainda é de incerteza. “Não conseguimos identificar uma migração para as frotas próprias. Essas vendas são muito mais em função da melhora da economia”, afirmou.

Vale a pena para o produtor ter o próprio caminhão?

“A primeira coisa você tem que avaliar de fato é: qual é o custo que você tem de ter uma frota própria, e então comparar isso com o mercado. É aquela história do camarada que terceiriza parte da atividade dele porque sabe que, com variações no mercado, ele simplesmente deixa de contratar. Se ele tem um funcionário, ele tem que pagar todos os custos trabalhistas no momento em que há essa variação”, explica Saltini.

Segundo o executivo, saber se a aquisição de frota própria compensa ou não depende de uma avaliação detalhada de custos e da aplicação que será realizada com o equipamento. “De fato, deve-se fazer uma análise de quanto custa contratar o transporte e de quanto custa eu ter o caminhão próprio. Você precisa de motorista, tem que fazer a manutenção dele e tem uma série de aspectos que você precisa avaliar na hora de colocar na ponta do lápis”, alerta Saltini.

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