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Ajuste fino na dieta: o poder dos aminoácidos

Reconhecido como benéfico para a produção, o uso de aminoácidos “protegidos” requer nutrição no capricho

Por: Tatiana Souto

O uso de aminoácidos protegidos é relativamente recente na pecuária leiteira brasileira. Já amplamente empregados nos Estados Unidos e em países da Europa, esses produtos “protegidos” – tecnologia que lhes permite resistir mais à degradação no rúmen das vacas, e propiciar um melhor aproveitamento pelo organismo – costumam ter como foco, aqui, os rebanhos leiteiros de alta produção, criados em confinamento e que contam com sistemas nutricionais muito bem ajustados. No mercado brasileiro, são comercializados dois aminoácidos protegidos: a metionina e a lisina. Estudos comprovam que a metionina contribui, de fato, para expressivos aumentos na porcentagem de proteína do leite. E pesquisas mais recentes dão conta de que este aminoácido também é importante para melhorar a condição corporal e de saúde da vaca leiteira no crítico período de transição – entre três semanas antes do parto e quatro semanas após o parto, informa o consultor técnico da Cargill Nutrição Animal, Alexandre Pedroso. Já a lisina é ingrediente nutricional que contribui para o bem-estar geral da vaca, resultando em produção de leite maior e de mais qualidade.

Tanto a metionina quanto a lisina – assim como todos os outros aminoácidos essenciais para o organismo – podem ser encontrados nos alimentos fornecidos a um rebanho bem nutrido. “O farelo de soja, por exemplo, é rico em lisina”, acrescenta Pedroso. Ele comenta, ainda, que nos Estados Unidos, onde é permitido fornecer para o gado farinha de sangue, há lisina suficiente para garantir um bom balanceamento nutricional sem que seja necessário lançar mão do produto protegido. Entretanto, a pesquisa aponta ambos os aminoácidos como os dois maiores limitantes à produção leiteira, caso faltem na dieta. “Limitante significa: se estiverem em falta, são os primeiros a prejudicar o desempenho produtivo do animal”, detalha Pedroso.

Rebanhos que contam com um bom aporte nutricional, com a participação de todos os aminoácidos essenciais, podem usar metionina e lisina protegidas como um “ajuste fino”, recomenda Pedroso, que defende, porém, um uso criterioso e muito bem planejado, em função do risco de aumento do custo de produção caso não sejam ministrados da maneira correta. “No sistema de pagamento pelo litro de leite adotado no Brasil por vezes não compensa financeiramente utilizar a tecnologia”, ressalta o consultor técnico. “Mesmo que haja um bônus ao produtor por maiores teores de proteína no leite, o aumento de custo pode não compensar, já que esses aminoácidos são importados e pagos em dólar”, justifica. O que não exclui sua recomendação de uso em rebanhos que contam com uma dieta bastante criteriosa. “Nos plantéis em que não se respeitam os requisitos mínimos nutricionais para as vacas leiteiras é necessário acertar tudo isso antes de investir na administração de aminoácidos protegidos”, alerta.

Custo-benefício

A zootecnista Fernanda Lopes, responsável pelos Negócios de Ruminantes na América do Sul pela empresa Adisseo Nutrição Animal – que produz e comercializa, entre outros produtos, metioninas protegidas para ruminantes – diz que esse aminoácido não pode ser tratado como um aditivo. “A vaca tem requerimento por aminoácidos e entre eles a metionina, que deve ser formulada nas dietas como um ingrediente nutricional e não simplesmente um aditivo”, explica, discordando da observação a respeito do aumento das despesas ao pecuarista ao adotar esta tecnologia. Segundo Fernanda, que tem mestrado e doutorado em nutrição de vacas leiteiras com ênfase no comportamento animal e digestibilidade de fibra pela Universidade de Wisconsin, nos EUA, a empresa trabalha com seus clientes buscando melhoria na eficiência da dieta, sendo que “a metionina pode, sim, entrar entra na formulação sem aumento do custo da dieta” garante. “Quando se formula um alimento para o rebanho, o que se busca é a eficiência produtiva e a melhora do custo-benefício, e não só o custo”, justifica.

A professora Marina Danes, do Departamento de Zootecnia da Universidade Federal de Lavras (Ufla), em Minas Gerais, concorda e reforça que aminoácidos são “nutrientes que devem ser balanceados na dieta”. “Para fazer isso, é necessário conhecer um pouco das exigências daquela categoria animal para o aminoácido em questão”, explica ela, acrescentando que, de fato, os dados mais consistentes atualmente são os relacionados à recomendação do uso da metionina protegida para vacas em lactação e transição. “Com certeza, todas as categorias animais se beneficiariam do balanceamento da dieta para aminoácidos, mas ainda não há dados suficientes para fazer recomendações para todas elas.” A professora reforça que a metionina é um ajuste fino da dieta, depois que adequações mais básicas tenham sido corrigidas. “A dieta tem que estar bem correta para que a vaca esteja funcionando no máximo e, então, o aminoácido ter espaço pra fazer efeito.” Ela acrescenta: “Não adianta colocar aminoácidos protegidos em uma dieta em que o teor de fibra está inadequado e as vacas estão com acidose”.

Saúde da vaca

Fernanda Lopes ainda acrescenta que atualmente a empresa foca mundialmente na comercialização de metionina protegida para ruminantes, já que pesquisas apontam que o primeiro aminoácido limitante para vacas leiteiras é justamente este, “daí a prioridade dada pela Adisseo a esse aminoácido”, diz. Quanto ao uso da metionina, a especialista concorda que em sistemas nutricionais equilibrados os resultados surgem com mais clareza. “Por isso buscamos rebanhos que trabalham com dietas balanceadas, ou seja, vacas de alta produção.”

Apesar de a metionina protegida ser mais conhecida pelo seu poder de aumentar rapidamente o teor de proteína no leite, a zootecnista ressalta que a empresa não foca apenas nisso ao divulgar o conceito de balanço de aminoácidos nas dietas. “Há várias pesquisas mostrando o efeito da metionina em outras áreas. De fato, o objetivo inicial, nos Estados Unidos, onde o pagamento é feito por sólidos, foi o fornecimento desse nutriente ao rebanho para aumentar o teor de proteína no leite”, comenta. “Efetivamente, o primeiro resultado visível é este, logo nas duas primeiras semanas de uso”, continua. “Mas o grande efeito benéfico, além do aumento na eficiência da dieta, é melhorar a saúde da vaca, tanto no período de transição como em termos gerais”, garante.

Marina Danes complementa: “Conheço plantéis muito produtivos e com excelente manejo alimentar que estão se beneficiando dessa tecnologia para aumentar a eficiência produtiva de suas vacas”, diz. “Mas o manejo alimentar deve ser excelente para que os resultados com ajustes finos sejam observados.”

A professora da Ufla informa, ainda, que o aminoácido mais estudado atualmente é a metionina. “Ainda precisamos entender melhor em que situações cada aminoácido apresenta maior potencial de resposta e também explorar mais as outras funções de cada um deles, não relacionadas apenas à síntese de proteína”, explica. “Essas outras funções podem estar relacionadas a benefícios na saúde animal ou na reprodução, mais difíceis de serem medidos a curto prazo, mas que devem ser levadas em conta na decisão de suplementar ou não o rebanho com aminoácidos protegidos.”

Mesmo ainda com questões a serem exploradas em relação a esses produtos, o mercado é crescente, garante Fernanda Lopes, da Adisseo. No Brasil, onde a empresa intensificou a comercialização das metioninas protegidas há poucos anos, “o uso dessa tecnologia com ajuste fino das formulações ainda é um conceito relativamente novo, que ainda está sendo desenvolvido nas dietas de ruminantes”, conclui.

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