Algodão: setor busca novas rotas para bater recorde de exportação

Anea estima que produção alcance 2 milhões de toneladas e embarques cheguem a 1,2 mi de t
Foto: Abapa.

A safra 2018/2019 pode ser de recordes para o algodão brasileiro. A Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea) estima que a produção alcance 2 milhões de toneladas, superando a temporada 2011/2012 – recorde atual. A alta vai possibilitar um crescimento também das exportações: a entidade espera que 1,2 milhão de toneladas sejam embarcadas de julho de 2018 a junho de 2019, número também inédito. “É uma safra com potencial enorme e há boas perspectivas para o mercado de algodão no Brasil e no mundo”, diz Henrique Snitcovski, presidente da Anea.

Para ampliar as exportações, porém, o setor deve enfrentar desafios logísticos, como a disponibilidade de contêineres. “Quando o recorde de embarques, de 1,030 milhão de toneladas, foi alcançado em 2011/2012, o momento econômico do país era diferente, as importações de produtos estavam em alta, então tínhamos mais contêineres para exportação”. A situação deve aumentar o volume de embarques – tradicionalmente concentrados no segundo semestre – no começo de 2019. “Com uma safra maior, o setor precisa se mobilizar. É importante que a gente consiga entregar as mercadorias no porto e embarcar dentro da programação, porque se perder embarque não recupera depois”.

Outro desafio é encontrar rotas alternativas para as vendas externas do algodão brasileiro. Hoje, 95% das exportações ocorrem pelo Porto de Santos. A ideia é viabilizar a saída da pluma baiana pelo Porto de Salvador e discute-se também o uso do Porto de Manaus. “Precisamos começar esse trabalho desde já, porque a produção está crescendo e se deixarmos essa questão sempre para frente, nunca vamos conseguir que as exportações sejam melhor distribuídas”, afirma Snitcovski.

Continue a leitura após o anúncio

Segundo ele, a Anea está trabalhando com associações de produtores para realizar essas mudanças. “O consumo hoje é concentrado na Ásia, então é importante fomentar essas linhas diretas para os principais destinos junto com os armadores”. Vietnã, Indonésia, Bangladesh, China, Turquia, Coreia do Sul e Paquistão são responsáveis, atualmente, por 85% das importações de algodão brasileiro.

Em relação ao nível do produto brasileiro, muito discutido no passado, Snitcovski diz que a última safra foi de excelente qualidade e que a atual também deve ser. “Os primeiros resultados de classificação visual e característica intrínseca são muito bons. Devemos ter uma safra grande e com boa qualidade”. Ele afirma que as indústrias e os principais consumidores do mercado global têm reconhecido a qualidade do algodão brasileiro. “Então é importante continuar com essa tecnologia para que nossa qualidade continue sendo aceita e reconhecida”.

Guerra comercial

A China deve voltar a importar mais algodão a partir dessa temporada, já que os estoques construídos em 2011/2012 já não são mais tão expressivos. Por ano, o país produz cerca de 6 milhões de toneladas e consome 9 milhões de toneladas, segundo o presidente da Anea. “Então, para corrigir esse déficit, eles vão passar a importar mais”. Com a imposição pela China de sobretaxas sobre a importação de algodão norte-americano, o Brasil pode ter a oportunidade de aumentar sua participação no mercado chinês. Atualmente, 50% das importações de algodão chinesas vêm dos Estados Unidos. “Mas também vai aumentar a competição em outros mercados, pois o algodão norte-americano vai procurar outros destinos”.

Preços

Para a temporada 2018/2019, Snitcovski acredita numa situação de preços equilibrados, já que relatório do USDA aponta que o consumo vai ultrapassar a oferta na temporada em 1 milhão de toneladas. “A tendência é essa, até para que possa incentivar um crescimento das áreas de plantio para atender essa demanda em recuperação”. De acordo com ele, o equilíbrio nos valores é importante para não desfavorecer o consumo. “A demanda foi muito afetada em 2011/2012 com a alta dos preços no mercado internacional. Essa distorção fez com que as fábricas optassem por fibras alternativas e até fechassem. Por isso é importante um preço que mantenha as áreas de produção, mas também estimule a procura, porque desfavorecer o consumo em um momento de recuperação seria muito ruim para o algodão no médio e longo prazos”.

Fonte: Portal DBO.

Compartilhar no facebook
Facebook
Compartilhar no twitter
Twitter
Compartilhar no linkedin
LinkedIn
Compartilhar no pinterest
Pinterest
Compartilhar no pocket
Pocket
Compartilhar no whatsapp
WhatsApp
Compartilhar no skype
Skype
Compartilhar no email
Email
Compartilhar no telegram
Telegram
Compartilhar no facebook
Facebook
Compartilhar no twitter
Twitter
Compartilhar no linkedin
LinkedIn
Compartilhar no pinterest
Pinterest
Compartilhar no pocket
Pocket
Compartilhar no email
Email
Compartilhar no tumblr
Tumblr
Compartilhar no print
Print
2742961

Os destaques do dia da pecuária de corte, pecuária leiteira e agricultura diretamente no seu e-mail.

Notícias relacionadas:

TV DBO

A DBO Editores Associados, fundada em junho de 1982, sempre se caracterizou como empresa jornalística totalmente focada na agropecuária. Seu primeiro e principal título é a Revista DBO, publicação líder no segmento da pecuária de corte. O Portal DBO é uma plataforma digital com as principais notícias e conteúdo técnico dos segmentos de corte, leite, agricultura, além da cobertura dos leilões de todo o Brasil.

Todos direitos reservados @ 2019 | Rua Dona Germaine Burchard, 229 | Bairro de Perdizes, São Paulo-SP

Do NOT follow this link or you will be banned from the site!
×
×

Carrinho

Encontre as principais notícias e conteúdos técnicos dos segmentos de corte, leite, agricultura, além da mais completa cobertura dos leilões de todo o Brasil.

Encontre o que você procura:

Cadastre-se e receba nossas notícias

Todos os dias no seu e-mail melhor conteúdo do agronegócio. 

Quais newsletter você gostaria de receber?
Notícias diárias (resumo do dia)Jornal de Leilões (semanal)