Angus: maior recuo em cinco anos

Insegurança inibiu investimentos dos pecuaristas e faturamento encolheu 10,7% em 2017

Por Alisson Freitas

As incertezas da economia e as crises do setor contribuíram para o cenário de baixa nas vendas de Angus em 2017. Com uma oferta de 5.249 lotes de machos, fêmeas, embriões e prenhezes – praticamente a mesma de 2016 (recuo de apenas 1,2%) -, o faturamento foi o mais baixo dos últimos cinco anos: R$ 29 milhões, 10,7% inferior aos R$ 32,5 milhões de 2016, de acordo com o Banco de Dados da DBO.

Mesmo assim, a raça deteve a terceira maior receita entre as raças bovinas de corte, perdendo apenas para a Nelore e para a Senepol. De acordo com o presidente da Associação Brasileira de Angus, José Roberto Pires Weber, a queda já era esperada, refletindo as oscilações do setor em 2017.

“A economia patinou e também tivemos as crises que abalaram o mercado pecuário, que deixaram os produtores com receio de investir. Com isso, os preços de todos os insumos caíram e o mercado de genética não ficou imune”, destacou.

Na análise por categorias, as fêmeas puxaram a dianteira nas vendas com 2.785 animais, respondendo por 53,7% do total de lotes vendidos ao longo do ano. A maior oferta aconteceu no Leilão Santa Nélia, realizado no dia 20 de outubro, durante a Expofeira de Jaguarão, RS, no circuito de remates de primavera. Na ocasião, foram negociados 300 ventres ao preço médio de R$ 1.329 e ainda 36 touros a R$ 9.345.

Já nos machos, a oferta caiu 10,2%, saindo dos 2.559 exemplares em 2016 para os 2.298 do ano passado. O comércio da categoria se concentrou entre os meses de setembro e outubro, durante o pico de vendas da temporada da primavera gaúcha. No entanto, a maior oferta aconteceu em um remate fora desse período: realizado em Porto Alegre, RS, no dia 7 de maio, o Revolution negociou 201 touros de produção a R$ 5.426 de média e também 165 fêmeas ao preço médio de R$ 3.752.

De quebra, o remate ainda teve a maior receita do Angus no ano, ao movimentar R$ 1,7 milhão. Principal polo de criação e negócios da raça Angus, o Rio Grande do Sul registrou vendas de 3.655 lotes por R$ 18,2 milhões em 2017, ante 3.848 lotes por R$ 22,3 milhões em 2016, queda de 18,3% em receita. “Por ser uma grande região produtora de grãos, o Rio Grande do Sul esteve mais suscetível à pressão de baixa. Até conseguimos sustentar a oferta, mas os preços foram bem menores”, analisa Weber.

Se no Rio Grande do Sul os preços caíram, o mesmo não aconteceu em São Paulo. Os dois leilões realizados no Estado venderam 113 lotes por R$ 1,2 milhão. O grande destaque foi o Genética VPJ, realizado em Jaguariúna, em 28 de outubro, que registrou os maiores valores de machos e fêmeas do ano ao negociar 37 reprodutores ao preço médio de R$ 18.251 e 10 ventres a R$ 18.900.

O remate de Valdomiro Poliselli Júnior foi palco da maior negociação do ano: a compra de 50% do reprodutor VPJ Trevor Upward por R$ 138.000 para a Angus LF9, do jogador de futebol Luís Fabiano, um dos novos investidores no mercado de sêmen de touros da raça. Além disso, o evento foi o primeiro a vender embriões da recém-chegada variedade Ultrablack no Brasil. Os 20 lotes ofertados saíram a R$ 1.200 de média.

Fonte: Anuário DBO

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