Aprosoja se desliga da Abag

Os desmatamentos, e as queimadas, que se processam em áreas do bioma amazônico, entretanto, revelaram o conflito de interesses entre os associados da Aprosoja e da Abag

Entendo que seria uma questão de tempo, até mesmo inevitável, esse desenlace entre entidades associativas representativas dos produtores rurais, como a Aprosoja, e a entidade que representa os interesses das indústrias de insumos, como a Abag, que sanciona as sugestões da Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura ao governo de Jair Bolsonaro, em razão do conflito. Acompanho com minúcias os conflitos desses interesses desde a questão da moratória da soja, lançada em 2006, e sempre me posicionei contrário à ela. Nunca entendi e tampouco aceitei a posição inicial da Aprosoja de aderir à moratória, pois os prejuízos dos produtores rurais estabelecidos na chamada região da Amazônia Legal eram evidentes, mesmo que estivessem com áreas de plantio e criação no bioma do Cerrado, como ocorre no leste, no sul e sudeste do Mato Grosso.

Registrei essa posição de meu entendimento no livro “CO2 aquecimento e mudanças climáticas: estão nos enganando?”. A moratória da soja, uma decisão política posicionada pelo “politicamente correto”, liderada pela Abiove, tinha como coautores a Abag e a própria Aprosoja. Os desmatamentos, e as queimadas, que se processam em áreas do bioma amazônico, entretanto, revelaram o conflito de interesses entre os associados da Aprosoja e da Abag, diante da evidente incompatibilidade das objetivas ações propostas pela Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, da qual a Abag é signatária. Diante disso ocorre o desenlace associativo, e os produtores rurais agora ficam sem o apoio dos seus parceiros fornecedores de insumos. Os dois lados perdem, porque se subdividem e tornam-se ainda mais minoritários.

Há males que vêm para o bem. Espero que a problemática dos desmatamentos e das queimadas seja discutida com objetividade e clareza a partir desse novo cenário. Continuar com posicionamentos suicidas, como tem sido feito pelos produtores rurais e pelas indústrias de insumos é perverso para todos, pois a mídia comanda o espetáculo com maestria, aplaudida por ONGs e interesses diversos inconfessáveis de governos estrangeiros, sejam de natureza política, econômica ou geopolítica, além da ambiental, monitorada pelo IPCC, na sórdida e criminosa campanha ambientalista, ancorada nas mudanças climáticas que antecedem o aquecimento definitivo do planeta, pré status do início do fim do mundo.

Como já me posicionei anteriormente, em diversas oportunidades (https://richardjakubaszko.blogspot.com/search?q=carta+aberta+a+macron ), aqui neste blog, e no livro, para acabar – ou reduzir substancialmente – com os desmatamentos ilegais bastaria exercer rígida fiscalização nas exportações de madeiras originárias da Amazônia, ou até mesmo a sua quase total proibição. As queimadas cairiam na mesma proporção. Porque ninguém queima árvores nos incêndios, chamados ironicamente pela mídia como queimadas. As queimadas ocorrem em áreas desmatadas, ilegais ou legais. Mas a emoção e o calor das discussões são levadas a um clímax emocional digno de uma prosopopeia grega, que antevê o fim da Amazônia.

Que fique claro que não sou a favor da motosserra, pois sou ambientalista, apenas não uso carteirinha. Todos os participantes desse imbróglio, ONGs, Aprosoja, Abag, Abiove, governo brasileiro, Ibama, ONU/IPCC, governos estrangeiros, ambientalistas, cometem erros grosseiros nas suas ações e propostas, posicionamentos que nunca levarão a um consenso e, especialmente, não trarão soluções para os problemas existentes.

A Amazônia não vai sumir do mapa, os desmatamentos e queimadas são consequências de processos evidentes diante da população de mais de 20 milhões de pessoas que a habitam e que lá sobrevivem com imensas dificuldades, especialmente indígenas e ribeirinhos. Refletem, sobretudo, os resultados perversos das atividades da superpopulação planetária, hoje com cerca de 7,5 bilhões de bocas que precisam de alimentos baratos. Não há mais como conter essa caminhada rumo ao precipício derradeiro da humanidade. Entendamos, em definitivo, que a superpopulação humana é a causa principal de todos os conflitos ambientais, políticos, sociais e econômicos, a que assistimos. Sem discutir e resolver essa questão básica, todos os demais problemas somente vão crescer e se agravar.

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