Boi gordo: pressão dos frigoríficos surte efeito e arroba recua em importantes praças do País

Pecuaristas sentem o peso da falta de chuva em algumas regiões brasileiras e decidem desovar os seus estoques de boiadas a preços mais baixos, informam as consultorias do setor

Depois de algumas semanas de estabilidade, os preços do boi gordo e da novilha recuaram R$ 2/@ nas praças do interior de São Paulo, informou nesta terça-feira, 10 de maio, a Scot Consultoria.

Dessa maneira, o macho terminado destinado ao mercado interno está valendo agora R$ 313/@, enquanto a novilha passou a ser negociada a R$ 310/@ (preços brutos e a prazo).

A vaca gorda segue cotada em R$ 279/@ no mercado paulista.

Por sua vez, o animal terminado destinado ao mercado chinês, o “boi-China” (abatido mais jovem, com idade abaixo dos 30 meses), teve recuou diário de R$ 5/@ em São Paulo, para R$ 325/@, acrescenta a Scot.

A IHS Markit também identificou ajustes negativos nos preços da arroba em algumas praças pecuárias do Brasil, incluindo as de São Paulo.

Segundo a consultoria, a maior entrada de lotes ao mercado e a cautela nas aquisições de gado por parte de muitos frigoríficos abriram espaço para os cortes nas indicações de compra. “A liquidez nos negócios com boi gordo evoluiu de forma consistente, o que permitiu os ajustes negativos nos preços da arroba, favorecendo também o avanço das escalas de abate de algumas indústrias brasileiras”, destaca a IHS.

Porém, em alguns casos, os frigoríficos relataram a estratégia de não estender muito as programações de abate, temendo formação de estoques de carne bovina nas câmaras frias.

Isso porque, observa a IHS, as indústrias exportadoras têm manifestado preocupação relação às recentes decisões do governo chinês, que vem suspendendo, temporariamente, os embarques de algumas unidades brasileiras de carne bovina, alegando questões sanitárias relacionadas ao vírus da Covid-19.

Além disso, a demanda doméstica de carne bovina tende a perder força a partir da segunda quinzena de maio, um reflexo do menor poder aquisitivo da população brasileiro, devido ao maior distanciamento do pagamento dos salários, feito sempre no início de cada mês.

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Segundo a IHS, o Estado que vem sofrendo mais transtornos por causa do bloqueios por parte do governo chinês é o Mato Grosso, onde há grandes unidades exportadoras (unidades da JBS e da Marfrig, as duas maiores empresas de carne bovina do País, fizeram parte da lista de suspensões temporárias).

Além disso, com o fim da época das águas e a chegada do período mais seco do ano, muitos pecuaristas que estavam segurando os animais gordos nas fazendas começaram a liquidar os seus lotes espalhados pelas regiões do Brasil-Central.

“Tais fatores têm gerado espaço para ajustes negativos nos preços”, ressalta a IHS, que nesta terça-feira apurou quedas nas cotações da arroba em São Paulo, Mato Grosso, Minas Gerais, Goiás, Bahia. “Há regiões com mais de 25 dias sem chuvas”, observa a IHS.

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No atacado, os preços dos principais cortes bovinos registraram estabilidade nesta terça-feira, informa a IHS.

A proximidade da segunda quinzena de mês sugere um ritmo menor nas vendas de carne bovina, mas a produção bem regulada à demanda permitiu, até agora, algum suporte nas cotações, relata a consultoria

No entanto, diz a IHS, os preços das carnes concorrentes já dão claros sinais de fragilidade, o que poderá resultar em menor fluxo de negócios nos próximos dias para proteína bovina.

Cotações máximas de machos e fêmeas desta terça-feira, 10 de maio
(Fonte: IHS Markit)

SP-Noroeste:

boi a R$ 326/@ (prazo)
vaca a R$ 286/@ (prazo)

MS-Dourados:

boi a R$ 296/@ (à vista)
vaca a R$ 271/@ (à vista)

MS-C.Grande:

boi a R$ 300/@ (prazo)
vaca a R$ 273/@ (prazo)

MS-Três Lagoas:

boi a R$ 296/@ (prazo)
vaca a R$ 271/@ (prazo)

MT-Cáceres:

boi a R$ 286/@ (prazo)
vaca a R$ 270/@ (prazo)

MT-Tangará:

boi a R$ 286/@ (prazo)
vaca a R$ 270/@ (prazo)

MT-B. Garças:

boi a R$ 282/@ (prazo)
vaca a R$ 268/@ (prazo)

MT-Cuiabá:

boi a R$ 285/@ (à vista)
vaca a R$ 274/@ (à vista)

MT-Colíder:

boi a R$ 281/@ (à vista)
vaca a R$ 268/@ (à vista)

GO-Goiânia:

boi a R$ 296/@ (prazo)
vaca R$ 271/@ (prazo)

GO-Sul:

boi a R$ 291/@ (prazo)
vaca a R$ 271/@ (prazo)

PR-Maringá:

boi a R$ 305/@ (à vista)
vaca a R$ 280/@ (à vista)

MG-Triângulo:

boi a R$ 296/@ (prazo)
vaca a R$ 266/@ (prazo)

MG-B.H.:

boi a R$ 283/@ (prazo)
vaca a R$ 265/@ (prazo)

BA-F. Santana:

boi a R$ 280/@ (à vista)

vaca a R$ 270/@ (à vista)

RS-Porto Alegre:

boi a R$ 335/@ (à vista)
vaca a R$ 305/@ (à vista)

RS-Fronteira:

boi a R$ 335/@ (à vista)
vaca a R$ 305/@ (à vista)

PA-Marabá:

boi a R$ 281/@ (prazo)
vaca a R$ 270/@ (prazo)

PA-Redenção:

boi a R$ 280/@ (prazo)
vaca a R$ 270/@ (prazo)

PA-Paragominas:

boi a R$ 290/@ (prazo)
vaca a R$ 280/@ (prazo)

TO-Araguaína:

boi a R$ 281/@ (prazo)
vaca a R$ 263/@ (prazo)

TO-Gurupi:

boi a R$ 276/@ (à vista)
vaca a R$ 262/@ (à vista)

RO-Cacoal:

boi a R$ 263/@ (à vista)
vaca a R$ 251/@ (à vista)

RJ-Campos:

boi a R$ 286/@ (prazo)
vaca a R$ 276/@ (prazo)

MA-Açailândia:

boi a R$ 280/@ (à vista)
vaca a R$ 260/@ (à vista)

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