Brasil pode importar soja dos Estados Unidos

Para analista, com guerra comercial, importação para processamento interno pode se tornar viável
Foto: Ivan Bueno/Appa.

Por Thuany Coelho

Com a guerra comercial entre China e Estados Unidos e o consequente aumento da demanda chinesa pela soja brasileira, é possível que o Brasil comece a importar a oleaginosa norte-americana para processamento e consumo interno, afirmou Sol Arcidiácono, Head of Desk da ED&F Man Capital Markets Argentina, no 3º Agri Vision, organizado pela Bloomberg. “É um mundo novo. É louco pensar que o Brasil, um grande produtor, vá importar soja, mas as vendas do grão para a China estão muito atrativas e ainda falta muito para a colheita da próxima safra”.

Segundo ela, a necessidade de soja para processamento no Brasil vai coincidir com a colheita dos Estados Unidos em outubro/novembro, o que pressionará as cotações para baixo no país norte-americano. “Se o preço for viável, vai ser feito”. Sobre a logística para a importação, ela acredita que seja possível. “Na Argentina, houve muita discussão sobre isso, os portos não estavam preparados para a importação de grãos, mas a situação de falta da oleaginosa por conta da quebra de safra aliada à guerra comercial fez com que se tornasse uma boa oportunidade comprar soja dos Estados Unidos”. Segundo Sol, o país vizinho deve comprar pelo menos 2 milhões de toneladas do grão norte-americano nos próximos meses.

No começo de julho, Luís Barbieri, conselheiro da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), já havia mencionado a possibilidade de compra de soja dos Estados Unidos para processamento interno. “Fábricas mais próximas do litoral, principalmente no Paraná e Rio Grande do Sul, já começam a ver isso como opção economicamente viável. Mas há o gargalo de infraestrutura, então acredito em um volume de cerca de 500 mil a 1 milhão de toneladas importadas”.

Guerra comercial

Sol não acredita em uma resolução rápida para o imbróglio entre China e Estados Unidos, o que pode mudar bastante os fluxos da oleaginosa no mundo. “Tomando por base o ‘Make America Great Again’ [Tornar a América Grande Novamente, slogan da campanha de Donald Trump], acredito que isso se manterá por mais tempo. E se isso ocorrer, os produtores norte-americanos provavelmente focarão suas energias em plantar mais milho na safra 2019/2020”. Em relação ao plano de ajuda de US$ 12 bilhões para os agricultores norte-americanos, prejudicados pela guerra comercial, Sol acredita que seja mais uma garantia para que o produtor possa segurar a venda. “Os subsídios, considerados baixos por alguns, são na verdade uma forma do Trump falar: se não há comprador, não venda, tome o subsídio”.

Com a manutenção da tarifa de 25% sobre a importação de soja norte-americana pela China e a busca – com alta do prêmio – pela oleaginosa brasileira, os valores do produto devem ficar mais altos no mercado interno do país asiático, o que pode impactar o consumo. “Não acredito em queda, mas em estancamento. Por isso, é uma má notícia para todos no longo prazo, porque os preços mais elevados vão fazer com que os compradores chineses percam a voracidade”. Para a safra 2018/2019, que se inicia em setembro, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) estima que a China vá consumir 95 milhões de toneladas de soja, queda de 2 milhões de toneladas em relação ao ciclo 2017/2018.

Com a manutenção da guerra comercial, boa parte dessa demanda deve ser atendida pelo Brasil, que deve exportar 75 milhões de toneladas do grão – dos 120 mi de t que serão produzidos, segundo a projeção. “O desafio logístico é cada vez maior para exportar a produção, mas o Brasil está fazendo o esforço, conseguiu embarcar mais de 10 milhões de toneladas por mês nos últimos cinco meses”, disse Sol.

As exportações dos Estados Unidos, por outro lado, devem recuar em mais de 10%, para cerca de 55,5 milhões de toneladas, mesmo com outros países optando pela oleaginosa norte-americana, que, no momento, está de 10% a 15% mais barata do que a brasileira, de acordo com a Head of Desk da ED&F. Diante da oferta maior do que a demanda, o processamento deve aumentar nos Estados Unidos. Ainda assim, espera-se que os estoques cheguem a 20 milhões de toneladas, enquanto os do Brasil podem ficar em apenas 1,59 milhão de toneladas.

Fonte: Portal DBO.

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