Brasil se torna o maior vendedor de milho do mundo, mas escassez em 2020 deve atrapalhar o agro de SC

No último ano, foram embarcadas 44,9 milhões de toneladas do cereal. Cotação na BMF/SC já está em mais de R$ 50,00 a saca

O Brasil tornou-se em 2019 o maior exportador de milho do mundo. No último ano, foram embarcadas 44,9 milhões de toneladas do cereal, o que representa um crescimento de 88% em relação a 2018. A quantidade vendida superou até mesmo os norte-americanos.

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De acordo com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o cenário positivo tem duas faces: a primeira é a boa remuneração dos produtores de grãos; a outra, é o encarecimento dos custos para os criadores de aves e de suínos de Santa Catarina.

A cotação na BMF/SC já está em mais de R$ 50,00 a saca. Essa situação confirma as previsões que a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc) fez em setembro passado sobre a escassez de milho no mercado interno brasileiro em 2020.

“É uma situação que tem dois lados, enquanto beneficia o plantador de milho, ameaça acarretar sérios prejuízos para as cadeias produtivas da proteína animal e para o parque agroindustrial”, analisa Enori Barbieri, vice-presidente da Faesc e ex-secretário de Estado da Agricultura.
Segundo a CNA, a insuficiência de milho será em decorrência de fatores naturais (seca, queimadas, atraso no plantio e redução de área cultivada) e econômicos (aumento das exportações do grão em face da situação cambial favorável). “A tendência é de quadro de oferta apertado em relação à demanda”, informa.

O mercado brasileiro de milho inicia 2020 com perspectiva de preços firmes para o primeiro semestre. Neste ano, a produção brasileira de milho está estimada em 104,135 milhões de toneladas, com queda de 3% em relação ao resultado de 2019 (107,375 milhões de toneladas).

Segundo Barbieri, a situação cambial estimula a venda externa e a exportação, enxuga o mercado interno e, portanto, o milho-grão fica mais escasso e mais caro. “Ficou difícil segurar o produto no País com a cotação internacional e, por isso, a fuga de grãos continua”, afirma.

Conforme nota da Confederação, a saída será ampliar as importações de milho da Argentina – que produz 50 milhões de toneladas e tem baixo consumo interno. No entanto, o governo argentino decidiu tributar as exportações agrícolas, fato que encarecerá o preço final desse grão.

Além disso, deve prosperar a chamada Rota do Milho que ligará o oeste catarinense com a região produtora do Paraguai. Esse país-membro do Mercosul produz 5,5 milhões de toneladas, mas pode chegar a 15 milhões com o estímulo das importações brasileiras, acredita a Faesc.

Barbieri assinala que a redução no plantio em Santa Catarina e no Brasil está claramente detectada pela Faesc. “A situação será difícil em 2020 e já deve faltar milho no primeiro semestre. O cenário é preocupante porque, da demanda total, 96% destinam-se à nutrição animal, principalmente dos plantéis de aves e suínos.”

Dependência Perigosa

O mercado interno catarinense ficará dependente da segunda safra (a “safrinha”), a ser colhida em julho, que responde por 70% da produção total de milho. A safra dependerá totalmente do clima e, se as chuvas não forem suficientes, o quadro de oferta e demanda ficará extremamente desequilibrado. A agroindústria espera que a segunda safra de milho garanta o abastecimento no segundo semestre, regularizando o cenário de oferta.

Em resumo, explica Barbieri, o Brasil ficará dependente de três variáveis incontroláveis: o clima para esta “safrinha”, o clima para a safra norte-americana e o fluxo de exportações no segundo semestre.

Em razão da estiagem, produtores de milho do Rio Grande do Sul já registram perdas de até 15%. Por outro lado, a seca que atinge o Paraná atrasará em 30 dias a colheita e a “safrinha” somente será colhida em julho. Para agravar, 5 milhões de toneladas serão transformados em etanol de milho no centro-oeste do Brasil, o que reduzirá ainda mais a disponibilidade do grão neste ano.

Em função do clima, ainda não é possível avaliar o volume de produção previsto para a “safrinha” de 2020 do Brasil e para a safra norte-americana, mas é certo que esses fatores influenciarão a formação de preços do milho na Bolsa de Chicago e no mercado interno.

Vulnerabilidade

O Brasil iniciou 2020 muito vulnerável, com estoques baixos e totalmente dependente do clima. Segundo o Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola da Epagri (Epagri/Cepa), o milho-grão total (primeira e segunda safras) enfrentará queda de 1,07% na área plantada, de 3,16% do volume produzido e de 2,12% na produtividade em relação à safra anterior.

Em Santa Catarina, o déficit de milho – que agora chegará a 4,5 milhões de toneladas/ano – é suprido pelas importações interestaduais de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Paraná, além das importações da Argentina e do Paraguai. A soja é a principal concorrente em área com o milho no Estado.

A constante valorização do preço da soja e a forte oscilação nos preços do milho estimularam a conversão das áreas de milho para o plantio da soja, principalmente nas regiões oeste e meio-oeste.

Desde 2012/2013 a área destinada às lavouras de milho-grão reduziu-se em mais de 150 mil hectares. Por outro lado, o crescimento da área cultivada para a produção de milho-silagem é outro fator que reduz a oferta de milho-grão para a suinocultura e a avicultura.

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Conteúdo original Revista DBO