Carne bovina: Com restrições para produção local, China continuará importando mais proteína do Brasil; VEJA

A Covid-19 e o vírus da peste suína africana trouxeram alterações profundas no consumo de carnes, atestam os analistas Wagner Yanaguizawa e Pan Chenjun, do Rabobank

A pandemia de Covid-19 e avanço do vírus da peste suína africana no rebanho de porcos da China trouxeram alterações profundas no consumo de carnes da população chinesa, que passou a demandar quantidades cada vez maiores de cortes bovinos e de aves, em substituição aos produtos de origem suína.

Tais mudanças no hábito alimentar serão mantidas mesmo depois de vencidos os problemas gerados pelas duas crises sanitárias, o que manterá o Brasil na linha de frente do fornecimento mundial de proteínas animais para gigante asiático.

Pelo menos é o prevê a experiente analista chinesa de proteína animal do Rabobank China, Pan Chenjun, sediada em Hong Kong, que conversou sobre o tema com Wagner Yanaguizawa, também analista do banco de origem holandesa e representante da instituição no Brasil.

“Com o quadro de escassez de oferta de carne suína no mercado chinês e a disparada nos preços locais dessa proteína, muitos consumidores passaram a consumir mais carne bovina, além de frango”, relata Chenjun.

O analista de proteína animal, Wagner Yanaguizawa, conversa com a analista do Rabobank China, Pan Chenjun; VEJA abaixo como assistir (Foto: Reprodução / YouTube)

Paralelamente, a pandemia da Covid-19 acelerou as compras online de cortes bovinos, estimulando o consumo da proteína vermelha dentro dos lares. Segundo a analista, anteriormente à crise do novo coronavírus, os chineses tinham o hábito de consumir a carne bovina em restaurantes.

“Depois da Covid-19 e do surto da peste africana, parte desse hábito (de maior consumo de carne bovina, em detrimento da suína) permanecerá”, acredita ela.

Para reforçar a previsão de Pan Chenjun, o analista Wagner Yanaguizawa lembrou que, nos últimos anos, o consumo per capita de carne bovina tem apresentado tendência de alta na China, “não só pelo aumento das classes econômicas A e B”, mas também pela explosão dos preços da carne suína (devido à queda brusca na oferta), o que tornou “a carne bovina mais competitiva”.

Há um outro importante fator que justifica a previsão dos analistas de que a China continuará altamente dependente da carne bovina importada, sobretudo do Brasil, o maior fornecedor mundial da commodity ao país asiático.

Trata-se, diz Chenjun, da própria dificuldade dos pecuaristas chineses em expandir a produção local, que crescerá em 2021, mas em ritmo inferior à demanda interna pela proteína vermelha.

“A China não tem recursos suficientes para expandir a pecuária de corte, já que as normas vigentes de proteção ambiental é uma prioridade para o governo, então há muitas restrições para formação de novas áreas de pastagem”, afirma ela, acrescentando que prevê, com isso, um aumento das importações chinesas.

Chenjun enxerga como “muito desafiadora” a situação sanitária vivenciada pelos produtores de carne suína da China, devido às notificações de novos surtos de peste suína africana em algumas regiões do país.

“Com isso, o crescimento da produção chinesa de carne suína será mais lento em relação à nossa previsão anterior divulgada no final do ano passado”, relata a analista, acrescentando que o Rabobank projeta um aumento de 8-10% na oferta dessa proteína na comparação com o resultado em 2020.

Segundo Chenjun, apesar das perdas registradas atualmente no rebanho suíno – devido ao ressurgimento de casos de peste suína africana no país asiático –, o tamanho atual do plantel de porcos ainda é um pouco maior em relação ao mesmo período do ano passado, ou seja, “acreditamos que a reposição das matrizes no segundo semestre de 2020 foi maior que as perdas no plantel ocorridas no último inverno”, ressalta.

ASSISTA AQUI o bate-papo entre os dois analistas do Rabobank

 

Os relatos fazem parte da primeira edição do especial “Conexão Direta“, um programa do Rabobank que aborda temas da atualidade em entrevistas com os mais de 80 especialistas em agronegócio do departamento de Pesquisa e Análise Setorial do banco espalhados pelo mundo.
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