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Austrália leva vantagens sobre Brasil e Índia na China

Preço da carne bovina brasileira é 43% menor que o valor pago pelo produto australiano

Com a pandemia de peste suína africana (PSA) na China, abre-se uma enorme oportunidade para os três grandes países exportadores habituais de carne bovina ao gigante asiático: Brasil, Índia e Austrália. Nessa disputa acirrada pelo promissor mercado da proteína vermelha, os australianos levam hoje considerável vantagem sobre os dois rivais quando considerado valor recebido pela tonelada vendida.

Os exportadores da Austrália oferecem aos chineses uma carne premium, de alta qualidade, com valores bem superiores aos produtos enviados pelo Brasil e pela Índia. Segundo dados citados pelo analista independente Simon Quilty, em artigo publicado no portal australiano Beef Central, nos últimos anos, a Austrália tem conseguido aumentar a vantagem competitiva sobre o Brasil e a Índia no mercado chinês.

“O prêmio da Austrália sobre a carne da Índia é 103% (ou o dobro)”, escreve Quilty. Por sua vez, os preços da carne brasileira são hoje 43% menores que os da Austrália, um déficit acima do registrado em anos anterior – 39% em 2018, 35% em 2017 e uma diferença de 33% em 2016.

“Tanto a Índia quanto o Brasil estão bem atrás da Austrália e dos Estados Unidos em termos de preços médios globais”, escreve o analista. No entanto, embora os EUA também vendam carne bovina de qualidade (com maior valor agregado) em larga escala, o país não representa atualmente uma ameaça aos três concorrentes na China (Brasil-Austrália-Índia). Afinal, China e EUA ainda travam uma guerra comercial.

Hoje, a China impõe taxas mínimas à entrada da carne bovina norte-americana. Além disso, o país asiático pratica tolerância zero com animais tratados com hormônios de crescimento, uma das características do sistema de produção norte-americano. “Esse motivo (uso de hormônios) é, na verdade, o maior impeditivo à entrada da carne bovina dos EUA na China”, avalia Quilty. Segundo ele, estima-se que, dentro dos EUA, apenas 170 mil cabeças de gado atendam aos requisitos do protocolo de importação da China. O valor é cerca de 0,2% do rebanho americano, estimado em 85 milhões de cabeças

Brasil versus Índia

Com a Austrália ocupando o topo da cadeia de carne bovina da China, os exportadores do Brasil e da Índia correm contra o tempo para melhorar as relações comerciais (e os negócios) com os importadores do país asiático. Nessa disputa, o Brasil tem levado larga vantagem. No ano passado, os exportadores brasileiros conseguiram aumentar consideravelmente os embarques diretos para a China, sem precisar recorrer a “atravessadores” (Hong Kong, por exemplo). A redução de intermediários faz com que os exportadores brasileiros consigam negociar melhores preços com os importadores chineses.

Em 2018, a China foi o principal comprador mundial de carne bovina do Brasil, rendendo ao país quase US$ 1,5 bilhão, um crescimento de 60% sobre o montante registrado no ano anterior (US$ 929 milhões), segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec).

Quanto o assunto é China, a Índia, por sua vez, tem seguido o caminho oposto ao Brasil. Nos últimos meses, o aumento da repressão do governo chinês ao chamado “comércio cinza” (vendas realizadas por meio de países intermediários) obrigou a Índia a reduzir drasticamente as suas exportações de carne de búfalos à China pelo sistema indireto – via Vietnã. Com isso, a Índia se viu forçada a direcionar o seu produto para outros países “secundários”, como Egito, derrubando os preços nesse mercado.

Segundo o analista Simon Quilty, assim com o Brasil, a Austrália aguarda a decisão do governo chinês em relação aos pedidos de habilitação de outras unidades frigoríficas – 16 plantas – capacitadas para exportar carne bovina à China.

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