Chorume de silagem tem alto potencial de poluição ambiental

Produtor deve ter cuidados especiais quando for produzir silagem, para não poluir solo e manaciais de água
Silagem pronta para consumo pelos animais. O manuseio, porém, deve ser rápido, devido à deterioração quando exposta ao ar.

A planta de milho é a cultura tradicionalmente utilizada para produção de silagem, mas várias forrageiras, como as gramíneas dos gêneros Brachiaria, Panicum, Cynodon e Pennissetum também podem ser destinadas para esse manejo, tendo em vista a conservação do excedente de forragem produzida na época das águas. O grande desafio deste tipo de silagem é lidar com o alto teor de umidade que estas plantas apresentam no momento do corte. Alta umidade pode acarretar em fermentações secundárias e a liberação de efluentes (chorume), que, geralmente, não têm o devido tratamento, contribuindo significativamente para a poluição do meio ambiente.

Nesse contexto, foram desenvolvidas pesquisas pelo Grupo de Estudos em Silagem e Feno (GESF) do Departamento de Zootecnia da Universidade Estadual de Maringá(PR), para avaliar a produção de efluentes e o seu potencial de poluição ambiental, da silagem de Brachiaria brizantha cv. Paiaguás (capim Paiaguás) em três tamanhos teóricos de partícula (5 mm; 8 mm e 12 mm) e três densidades na ensilagem com base na matéria natural (550 kg/m3; 600 kg/m3 e 650 kg/m3).

Para o estudo, as silagens foram feitas em tubos de PVC com capacidade para cerca de 10 kg de forragem e armazenadas durante 90 dias. Neste período foi realizada a coleta do efluente produzido pelas silagens (Figura 1). Foi quantificado o total de efluente produzido e amostras de efluente foram analisadas para perdas de matéria seca, demanda bioquímica de oxigênio (DBO), demanda química de oxigênio (DQO) e pH.

O maior volume de efluente e maiores perdas de matéria seca devido ao efluente foram verificados nos tratamentos com menores tamanho de partícula (5 e 8 mm), silagens úmidas com menores tamanhos de partícula favorecem o extravasamento de conteúdo celular; nestas situações, são verificados maiores volumes de efluente produzido (Figura 2).

Em relação à densidade de compactação, o maior volume de efluente e maiores perdas de matéria seca via efluente foram verificados no tratamento com densidades maiores (600 e 650 kg/m3). A maior pressão em gramíneas que possuem alto teor de umidade também favorece o extravasamento do conteúdo celular. Isso indica que uma compactação excessiva não é recomendada nessa situação.

O maior volume (15,02 L/ton) de efluente e maiores porcentagens de perdas de MS do efluente (11,16%) foram verificados no tratamento com tamanho de partícula menor que (8 mm) e densidades maiores (600 e 650 kg/m3). O volume de efluente produzido em um silo é influenciado por diversos fatores como teor de matéria seca da planta, espécie forrageira utilizada, compactação, tipo de silo utilizado.

Os parâmetros pH, demanda bioquímica de oxigênio (DBO), e a demanda química de oxigênio (DQO) e a razão DBO/DQO, determinados no presente trabalho, foram comparados aos limites máximos e mínimos estabelecidos pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente – CONAMA Resolução 357/2095 do Ministério de Meio Ambiente da República Federativa do Brasil.

Lembrando que a DBO é a quantidade de oxigénio (mg/l) necessária para que os microrganismo aeróbios estabilizem a matéria orgânica presente no efluente, constituída basicamente por açúcares, proteínas, gorduras, minerais e outros, durante cinco dias a 20°C. E a DQO é a quantidade de oxigênio (mg/l) necessária para estabilizar a matéria orgânica através da aplicação de um forte oxidante (dicromato de potássio), a sua determinação contribui para a tomada de decisões na gestão de recursos hídricos evitando que o oxigênio necessário para a vida nos lagos, rios, açudes, barragens e outros seja insuficiente ou esgotado como consequente perda da flora e fauna aquática prejudicando o meio ambiente.

Os maiores valores do DQO e DBO foram observados nos efluentes das silagens com menor tamanho teórico de partícula (5 mm) e maiores densidade (600 e 650 kg/m3) como reflexo do maior volume de efluente produzido por estas silagens (Tabela 1).

A razão DQO/DBO foi em média 3,46 mg/l valor superior ao limite recomendado pela legislação brasileira (3,0 mg/l), que classifica este efluente como de alto potencial poluidor do meio ambiente.

Os valores encontrados de pH para o efluente estão dentro do intervalo permitido pela legislação (6 – 9). Este intervalo permite que o ambiente aquático não seja nem muito ácido nem muito alcalino permitindo a vida aquática, com um ambiente equilibrado entre microrganismos, plantas, animais e outros.

A produção de efluentes verificada na silagem de gramíneas deve receber um destino adequado, com a construção de reservatórios para a sua coleta e tratamento, e posterior utilização como fertilizante e desta forma permitir a proteção do meio ambiente.

Considerações finais

A ensilagem do capim Paiaguás com tamanho médio de partícula de 12 mm e densidade de 550 kg/m3 resultou em menor produção de efluente, o que é desejável para redução de perdas da silagem e conservação do meio ambiente.
O estudo demonstrou que o efluente oriundo de silagens de capim apresenta alto potencial de poluição ambiental, e que cuidados devem ser tomados para evitar danos ambientais.

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