CNA diz que precisa governar para 2 milhões de produtores

João Martins, presidente da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária diz que a produtividade no campo é chave para o fortalecimento de uma classe média rural forte

Na manhã desta quarta, 4, o presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), João Martins, disse em um encontro realizado em Brasília, onde a entidade apresentou um balanço do último período e as perspectivas para o próximo, que o País vai terminar o ano de 2019 com grandes desafios e a maior deles é aprofundar os instrumentos que levem a uma maior produtividade no campo.

Que, trocando em miúdos, é a relação da margem líquida e a margem bruta em favor do produtor.  A CNA representa 2 milhões de produtores rurais, do total de cerca de 4,5 milhões. “Precisamos capacitar os produtores para exportar”, diz Martins, “Porque vender lá fora é um processo de construção social.”

Martins bate na tecla de que é preciso uma política para o fortalecimento da classe média rural e que o instrumento de ação é a assistência técnica que englobe gestão do conhecimento no campo e capacidade de organização. “Menos de 10% dos produtores detêm 94% da riqueza do agro. Essa casa não representa 400 mil produtores, mas 2 milhões e queremos mais poder para eles”, afirma.  “Fizemos mudanças profundas e hoje 40% do orçamento da CNA está para essa tarefa.”

O presidente da CNA destacou várias ações, entre elas o Observatório do Campo, a Faculdade CNA e a mudança de direção para as aplicações técnicas. A entidade começa a deixar de lado a política de múltiplos eventos, para os quais há uma grande demanda de energia na sua organização, para colocar força em ações de consultoria visando mudar efetivamente a vida do produtor.

É a denominada assistência continuada. Começa pelo diagnóstico produtivo, planejamento estratégico, adequação tecnológica, capacitação e avaliação sistêmica. Uma dessas ações é o programa “Do Rural à Mesa”, um modelo para aproximar produtor e consumidor. Com início no Distrito Federal e Goiás, para 2020 o projeto deve se estender a outros 6 estados. Com um ano e meio, os produtores já entregaram 220 toneladas de alimentos naturais ou orgânicos diretamente a 17 restaurantes, movimentando cerca de R$ 1,3 milhão.

“Estava para desistir do campo, com baixa produtividade e na mão de atravessadores”, diz Márcio Pereira Martins, que produz hortaliças. “Hoje, entrego minha produção diretamente e de uma estufa passei para 5 unidades.” A vida que estava planejada para se tornar urbana, definitivamente se fixou no campo. Não por acaso, Martins acaba de formar uma das filhas em engenheira ambiental.

 

 

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VEJA mais destaques da edição de julho; na capa, Liga do Araguaia entra no “mercado verde”. Alguns produtores já recebem de R$ 250 a R$ 370/ha/ano para manter excedente florestal de pé.

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