COHEFA aprova Plano de Ação 2021-2025 para erradicação da febre aftosa na América do Sul

Brasil, que começa a organizar o seu serviço de vigilância sanitária para a denominada gestão em tempo de paz, é visto como exemplo a ser seguido

As Américas já têm um plano remodelado para o período que vai até 2025, visando a erradicação da febre aftosa em todo o continente. Na manhã desta terça-feira (15/12), aconteceu em formato virtual a 3ª Reunião Extraordinária do Comitê Hemisférico para a Erradicação da Febre Aftosa (COHEFA), na qual foi apresentado e aprovado por unanimidade o novo Plano de Ação 2021-2025 do Programa Hemisférico de Erradicação da Febre Aftosa (PHEFA).

“A aftosa é uma das 30 doenças a serem eliminadas até 2030”, afirmou Carissa Etienne, diretora da Organização Pan-Americana da Saúde (Paho, na sigla em inglês). “É preciso completar o trabalho de remover essas doenças da sociedade.” Etiene lembrou que, no caso da febre aftosa, mais de 95% da população de animais das Américas estão livres da doença, com vacinação ou sem vacinação.

Carissa Etienne, diretora da PAHO. Foto: divulgação

O COHEFA foi criado em 1987 como um fórum de políticas a serem adotadas pelos programas de erradicação da febre aftosa no continente Americano, definindo estratégias, linhas de ação e gestão de recursos para o cumprimento das metas dos planos de ação do Programa Hemisférico de Erradicação da Febre Aftosa (PHEFA). No caso do Brasil, é um farol para o Plano Estratégico do Programa Nacional de Vigilância para a Febre Aftosa (PNEFA). Fazem parte representantes dos setores público e privado, distribuídos em 6 sub-regiões: Amazônia, Andina, Caribe, Cone Sul, Mesoamérica e América do Norte.  

Nesta manhã, os líderes desses grupos apresentaram, para cada um dessas sub-regiões, um quadro do atual estágio de controle da doença. “A doença não é vista no Brasil há duas décadas. Essa evolução foi possível porque o plano hemisférico avançou”, disse José Guilherme Tollstadius Leal, secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura (Mapa). O Brasil tem reconhecimento público do trabalho realizado até o momento e servido de espelho para outros países. 

Alejandro Rivera, coordenador do Panaftosa. Foto: DBO

A apresentação do Plano de Ação 2021-2025 foi feita por Alejandro Rivera Salazar, coordenador do Centro Pan-Americano de Febre Aftosa (Panaftosa). O plano tem o mesmo formato estratégico do anterior, dando continuidade aos trabalhos já realizados para a erradicação da doença em todos os países da América do Sul. 

Para o próximo período, as políticas para o hemisfério devem ter como norte completar a erradicação da febre aftosa na América do Sul e fortalecer a prevenção e a capacidade de resposta dos serviços veterinários dos países do continente. “Os pecuaristas serão a chave da vigilância pós erradicação”, disse Salazar. “Uma vez superada a erradicação, é preciso saber usar todas as ferramentas de controle, mas o início do controle é do produtor.”

O executivo apresentou em detalhes as ações necessárias a cada uma das sub-regiões. São objetivos específicos do plano:

Erradicar o vírus da febre aftosa atuante no território da Venezuela e mitigar o risco
para a sub-região Norte Andina.

Realizar a transição para o status oficial de livre sem vacinação nos países livres que mantém o uso de vacinas.

Manter o status sanitário dos territórios livres de febre aftosa sem vacinação.

De acordo com o PHEFA, as ação devem ter como meta: 

Adoção de decisões com respaldo na ciência e nas evidências empíricas.

Observação dos acordos e diretrizes internacionais.

Transparência na gestão sanitária e respeito aos compromissos de ações conjuntas no marco do PHEFA.

Sem aftosa. E agora?

Um dos tópicos abordados pelos líderes dos países, entre governamentais e da iniciativa privada, são as ações pós-erradicação da doença, por causa da exigência de serviços de vigilância robustos e que envolvam toda a cadeia da pecuária. E, também, qual a política a ser adotada, caso haja reintrodução da doença nos rebanhos. 

A decisão por organizar um banco de antígenos para o uso de vacinação de emergência, ou o abate, deve levar à definição de estratégias para um serviço sanitário eficiente. “É preciso decidir se vai usar a vacina ou não vai vacinar. E se vacinar, fazer o que com esses animais”, afirmou Salazar. “Os serviços sanitários não podem ser responsabilizados pela aparição de foco de aftosa, mas devem saber usar todas as ferramentas de controle.”

O documento dá ênfase ao que os cientistas chamam de grupo de gestão em tempo de paz.  Rivera afirma que a tarefa de preparação de emergências cabe aos serviços veterinários e dá como exemplo o que ocorre no Brasil. De acordo com Leal, do Mapa, o País dará continuidade ao plano de contingência da febre aftosa, baseado no Código Sanitário de Animais Terrestres da OIE, no qual estão descritas as medidas sanitárias cabíveis às várias situações de combate ao vírus.

José Guilherme Leal, do Mapa. Foto: divulgação

No contexto do grupo de gestão em tempo de paz, desde 2018 o Brasil realiza treinamentos com essa diretriz. São 80 profissionais envolvidos. Em 2019, o Mapa fez simulações de campo em zona livre da doença nos Estados do Paraná e de Santa Catarina. “Para 2021, estão previstos mais treinamentos a campo dos gestores de emergências zoosanitárias”, afirmou Leal. 

Para Rivera, os países devem atentar para grupos dessa natureza de forma permanente e avançar além da aftosa. “Tenham planos de contingência mais próximos do possível de ótimo”, recomendou.

 

Compartilhe
WhatsApp
Facebook
Twitter
LinkedIn
Telegram
Email

Publieditorial

2742961

Newsletters DBO

Os destaques do dia da pecuária de corte, pecuária leiteira e agricultura diretamente no seu e-mail.