Com La Niña, safra de soja do Brasil tem início conturbado

Os três principais Estados produtores do grão (MT, RS e PR) registram condições de lavouras abaixo das expectativas
Foto: Coimbra Martins Netto

“O fenômeno La Ninã (A menina, em espanhol) trará um ano de irregularidades para as lavouras brasileiras de soja”, afirma o sócio-diretor da Agroconsult, André Debastiani. O fenômeno é o resfriamento anormal nas águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, diferindo do seu “irmão”, El Niño (O menino, também em espanhol), que por sua vez consiste no oposto, o aquecimento anormal das águas do oceano Pacífico. Ambos os fenômenos trazem efeitos sobre o regime de chuvas no Brasil.

O sócio-diretor da Agroconsult e coordenador do Rally da Safra, André Debastiani. Foto: Rally da Safra/Giovane Rocha

O fenômeno afetará mais as lavouras do sul, com a ocorrência de estiagens. No entanto, o Centro-Oeste também será atingido com algumas irregularidades,” disse Debastiani durante o encontro “Tendências no mercado da soja” promovido pela FMC Agrícola em parceria com a Agroconsult nesta semana.

A Agroconsult estima uma produção de 133,2 milhões de toneladas de soja para a temporada 2020/21, mas alerta para um viés de baixa para esses números, dadas as más condições de desenvolvimento no campo.

Em Mato Grosso, maior Estado produtor da oleaginosa, Debastiani salienta que a recuperação no ritmo de semeadura observado no restante do País em novembro não se repetiu no Estado, que tem a maior parte da sua área plantada em condições abaixo das expectativas iniciais desta temporada.

Até o começo de outubro, o plantio no Mato Grosso era muito abaixo do esperado. A semeadura ganhou um pouco mais de força somente na segunda quinzena do mês e no começo de novembro. Isto já mostra o primeiro efeito do La Niña na região – a irregularidade no início das chuvas,” afirma.

Por conta do maior ritmo, com até três turnos de plantio, a produtividade da soja mato-grossense não deverá ser prejudicada, mantendo em 3,5 mil quilos por hectare. “Quando a gente pensa em atraso do plantio da soja, não necessariamente isso gera algum prejuízo para as lavouras. De uma certa forma, se a semeadura acontecer em outubro a gente entra em um fotoperíodo mais adequado para a soja.”

No entanto, Debastiani destaca que a maior preocupação do produtor é antecipar os trabalhos de modo a não prejudicar a janela para as culturas de segunda safra, como o algodão e o milho safrinha. “Quanto mais atrasar, mais difícil será a janela de implantação dessas lavouras de segunda safra.”

As condições climáticas irregulares no Estado, com chuvas somente em alguns pontos, é um dos problemas apontados pelo sócio-diretor. “Isto está levando os produtores a fazerem o replantio de algumas lavouras. O início de safra em Mato Grosso está muito conturbado por conta do atraso e da falta de chuva em abundância para que as lavouras se desenvolvam. A única região que está dentro do esperado é a leste, onde as chuvas vêm ocorrendo dentro da normalidade.”

Já na parte sul do País, o Rio Grande do Sul é o Estado que registra a situação mais grave trazida pelas adversidades climáticas para a produção agropecuária. No Estado gaúcho, o clima segue no radar dos produtores, ainda mais após a confirmação do fenômeno La Niña, que diminuiu as chuvas na região. “Hoje, ainda há atrasos de semeadura no Estado. O plantio no Rio Grande do Sul ainda não está regularizado em função dessas estiagens. É uma região que está com um nível de umidade no solo muito baixo e com problemas bem sérios nas condições de lavouras que eram esperadas.”

No Paraná, a semeadura da oleaginosa mantém um leve atraso frente ao mesmo período do ano passado, enquanto as lavouras com boas condições também seguem abaixo do nível visto na temporada anterior. “No Paraná, apesar das chuvas terem voltado, se tem um prejuízo muito grande voltado para o milho 2ª safra porque o calendário apertou. Quando se planta muito tarde, o milho acaba não tendo condições de clima para a lavoura fechar o ciclo. Para a soja, a condição não é tão boa como se esperava, mas também não é tão ruim na comparação com o que acontece no Rio Grande do Sul e no Mato Grosso,” diz Debastiani.

Apesar dos três principais Estados produtores de soja estarem com condições de lavouras abaixo da expectativa, Debastiani explica que a produtividade do Brasil será incrementada na safra 2020/21 pelo crescimento da área de plantio e pelo cenário melhor de produtividade em relação ao ano anterior no Rio Grande do Sul. “Na safra passada tivemos média de 56,6 sacos por hectare. Nesta temporada, é esperado um cenário próximo de 58 sacos por hectare. O crescimento de 2% será devido às condições de lavouras no Rio Grande do Sul no ano passado. Por conta da estiagem, o Estado deixou de produzir quase 8 milhões de toneladas e viu sua produtividade cair de 56 para 36 sacos por hectare. É esperado também um crescimento de área para a safra 2020/21 de quase 1,5 milhão de hectares. Os produtores estão plantando em uma área de 38,4 milhões de hectares nesta safra contra 36,9 milhões de hectares da safra passada”, explica o sócio-diretor da Agroconsult.

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Leia a Revista DBO que encerra o ano de 2020. Ela conta a mais nova façanha da Cooperaliança, a primeira cooperativa a verticalizar a cadeia da carne bovina, além de trazer outras 25 reportagens e artigos.

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