“Compras da China podem chegar a 1,2 milhão de toneladas de carne”, diz Lygia Pimentel

Para a diretora da Agrifatto o volume é ousado, mas possível no mercado exportador de 2020

O mercado brasileiro de carne bovina segue em alta este ano e também no próximo, impulsionado pela China. O maior país asiático deve continuar demandando o produto, especialmente do Brasil. Uma das maiores vantagens para os chineses é o dólar valorizado frente ao real.

“As compras da China podem chegar a 1,2 milhão de toneladas de carne”, diz Lygia Pimentel, médica veterinária, economista e CEO da consultoria Agrifatto, de São Paulo (SP). Ela foi a convidada do programa DBO Entrevista, que foi ao ar na quarta-feira (14/10).

Confira abaixo a entrevista na íntegra

Se confirmado o dado, que a consultora considera ousado, o crescimento será de cerca de 300% sobre o volume de carne bovina exportada para a China, em comparação com 2019. Lygia ainda arrisca um palpite de crescimento, mais modesto, em 2021. As vendas poderiam girar entre 3% a 7% o que pode significar mais 1,3 milhão de toneladas de carne no próximo ano.

Segundo a consultora de mercado, há fundamentos que dão sustentação às suas projeções, como o processo ainda inicial da recuperação do rebanho de suínos no país – antes da peste suína africana, era a carne mais consumida entre os chineses. Outro ponto à favor da carne brasileira é a própria evolução do poder econômico da classe média chinesa – que pode somar cerca de 350 milhões de pessoas (o Brasil inteiro soma 211,8 milhões, segundo dado mais recente do IBGE).

“O crescimento econômico leva novas pessoas para a classe média e classe média alta, e essas pessoas querem consumir carne bovina”, diz Pimentel.

A própria demanda chinesa tem seguido uma tendência de outros mercados importadores de carne, como os demais países asiáticos e árabes.

No caso da atividade do parque industrial brasileiro, a Agrifatto fez uma pesquisa entre os frigoríficos no País e identificou que 74% deles possuem um ou mais mercados para exportação. “O dólar está estimulando a exportação para praticamente todos os mercados”, explica a analista.

Cerca de 74% dos frigoríficos de carne bovina no País possuem algum mercado de exportação, segundo pesquisa da Agrifatto

Mercado interno

Apesar da crise provocada pela pandemia, associando a perda do poder aquisitivo e o desemprego, a especialista vê alguns sinais de melhoria da economia brasileira, e isso pode culminar numa volta ao consumo geral de carne bovina.

“No Estado de São Paulo, já se percebe a recuperação do setor imobiliário. Isso é um grande indicativo”, avalia Lygia. O Estado está entre os maiores consumidores de carne no País e isso pode representar mais força para o mercado interno.

Antes da porteira

Se o futuro está demandando mais carne, o produtor tem buscado justamente ofertar. É o que percebe Pimentel ao analisar os números de abate de fêmeas, que estão entre os mais baixos da última década. O porcentual é de 38% de fêmeas contra 62% de machos. Em 2019, o porcentual de abate de fêmeas foi de cerca de 42%.

Abate de fêmeas é menor da última década e chega a uma taxa de 38%

Um indicativo de que os produtores estão mais interessados nas margens da cria por conta da valorização do bezerro, que hoje está em cerca de R$ 2.350 e subindo, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), de Piracicaba (SP).

“Se hoje a gente sente falta do bezerro, ano que vem, a gente ainda vai sentir falta do boi gordo. Isso já dá uma dica de como vai estar a temperatura do mercado para o ano que vem”, diz. Confira a entrevista completa no link acima.

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