Custos maiores e incertezas na venda marcam safra de café

Setor enfrenta incertezas quanto a venda de cafés especiais com cafeterias fechadas há mais de três meses
Foto: Nitro Historias Visuais/Divulgação.

A pandemia deve encarecer os custos com trabalhos de colheita do café no Brasil. Para fechar essa conta, os produtores apostam no setor de cafés especiais. A pedra no meio deste caminho, no entanto, é o fechamento de cafeterias em grandes centros, como São Paulo, que eram grandes compradoras do produto de qualidade. O tema foi debatido em uma transmissão ao vivo promovida pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), nesta quinta-feira, 02 de julho. O evento contou com representantes de diversas regiões produtoras no país, entre eles Francisco Sergio de Assis, presidente da Federação dos Cafeicultores do Cerrado; Silvio Leite, CEO da Agricafé; Marcio Candido Ferreira, presidente do Centro de Comércio de Café de Vitória (CCCV), e Enrique Anastácio Alves, pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Rondônia.

Para Silvio Leite, pandemia trouxe medidas que devem ser mantidas pela cadeia do café brasileira. Foto: Reprodução / Youtube Cecafé

Segundo Leite, as medidas de prevenção à Covid-19 já foram implantadas nas fazendas, o que deve tornar o investimento na safra mais alto. “Os cuidados com os trabalhadores, tudo isso tem sido de forma bastante diferente. Nos transportes, estarão metade da turma envolvida. Então, isso encarece, mas nós temos a felicidade que até aqui não tivemos nenhum caso, nenhum complicador em nenhuma das regiões”, apontou ele, que focou em informações do estado onde produz, a Bahia.

Leite também lembrou que há um agravante na movimentação de trabalhadores vindos de fora, prática largamente utilizada em muitas regiões e afetada pela pandemia. “Basicamente está sendo utilizada a mão de obra local. Isso prejudica muitas regiões que recebiam trabalhadores vindos da Bahia. Aqui, até agora, a colheita está bem coberta [em relação à mão de obra]”, explicou.

Passada a etapa da colheita, a venda do produto é outra incógnita. A expectativa é que o consumo, antes exercido em cafeterias, migre para compras virtuais e para supermercados. Porém, a que nível se dará essa migração ainda é incerto. “Os cafés de commodity vão muito bem, com produtividade alta. Agora, o desafio é que Rondônia está se especializando em cafés especiais produzidos por famílias. E estar longe dos grandes centros torna complexa a comercialização. E no cenário a nível nacional, vemos que os grandes consumidores estão envolvidos com cafeterias. No Brasil caiu 40% o volume de consumo de cafeterias. Teve aumento de consumo doméstico, mas que padrão de café é?”, reflete Enrique Anastácio Alves.

Enrique Alves trabalha para impulsionar a qualidade dos cafés robustas amazônicos. Foto: Reprodução / Youtube Cecafé

A dúvida principal de produtores nas diversas regiões é se o café de melhor qualidade, comprado por cafeterias, será absorvido pelo varejo. “Temos cafeicultores pequenos. Estamos na mão de cerealistas e exportadores. Os produtores estão aprendendo a fazer qualidade e comercializar seus cafés da porteira para fora. Vejo isso como muito produtivo apesar de todo momento intempestivo que estamos vivendo”, ponderou o pesquisador da Embrapa Rondônia sobre a região amazônica, que trabalha com a espécie canéfora, conhecida como conilon ou robusta.

No Cerrado Mineiro e no Espírito Santo, a safra esperada é de maturação boa e aumento no volume dos cafés de qualidade. Na comercialização capixaba, Marcio Candido Ferreira explica que a valorização do dólar frente ao real tem tornado o mercado externo mais vantajoso aos produtores, inclusive de cafés mais finos. Embora ainda veja uma demanda constante em relação ao produto, o presidente do CCCV acredita que, em função da pandemia, haverá queda no consumo em cafés especiais no mundo inteiro. “Você tem cafés consumidos em casa em quantidade bem maior, mas está certo que os cafés finíssimos são uma preocupação”, pontou.

Marcio Candido Ferreira é otimista sobre a comercialização tanto do café arábica quanto do conilon capixaba. Foto: Reprodução/ Youtube Cecafé

Para ele, o cenário abre oportunidade para grãos de menor valor agregado. “Acredito que, no geral, você tem uma demanda constante e substancial. Lembrando que em uma situação de pandemia onde a economia global pode ser afetada, é possível que os cafés mais competitivos que vão compor blend sejam beneficiados se o consumidor teve seu poder aquisitivo afetado. Isso favorece bastante o conilon (robusta) que tem sido recordista em embarques. No arábica também, no Brasil, eu sou muito positivo”, concluiu.

Com realidades diversas em suas regiões produtoras, para os especialistas uma das conclusões é que há medidas adotadas pré e durante safra que devem se manter na realidade pós Covid-19. “Isso trará, sim, resultados positivos que deverão ficar para o nosso trabalho. Creio que todo esse cenário vai trazer um ambiente mais ético e transparente, que tende a se perpetuar. O comprador final, quem conseguiu reabrir, está pedindo [café especial]. Evidentemente, todos esses cuidados e protocolos até chegar ao consumidor vão se perpetuar”, afirmou Leite.

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