Data marcada para vacinar

Programar a estratégia sanitária da propriedade é garantia de um bom manejo – Confira o calendário anual de vacinação

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A vacinação é o principal manejo sanitário nos rebanhos leiteiros. É a estratégia mais eficiente na prevenção de doenças dos animais. Algumas vacinas, como a contra a aftosa, são obrigatórias no Brasil. Mas há também as de uso voluntário, que devem ser consideradas pelos produtores de leite, especialmente contra mastite. Entretanto, os especialistas alertam que para garantir sua eficiência é preciso planejamento, de modo que as doses sejam aplicadas no período correto e de forma adequada.

A pesquisadora Edviges Maristela Pituco, do Instituto Biológico, órgão da Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo, explica que o calendário de vacinação deve ser elaborado com o apoio de um veterinário, conforme as necessidades do rebanho, e que é fundamental vacinar os animais contra aftosa, brucelose e raiva, de uso obrigatório no País.

A imunização contra aftosa é feita em duas etapas, previstas para os meses de maio e novembro, datas definidas pelo Ministério da Agricultura, que prevê ainda se a dose deve ser administrada em todo o rebanho ou em animais de até 2 anos, conforme o calendário de cada Estado. A exceção para obrigatoriedade é Santa Catarina, Estado reconhecido como livre de aftosa sem vacinação pela Organização

Mundial de Saúde Animal (OIE). O Brasil tem discutido um calendário de retirada da vacinação por regiões, mas recentemente o início do processo, que ocorreria já a partir deste ano, foi adiado. O argumento, levantado pelos produtores rurais, especialmente, é de que o país ainda não se encontra devidamente preparado para essa etapa, crucial para um grande player global do mercado de carne.

Já a vacina contra brucelose é aplicada apenas uma vez nas fêmeas bezerras com idade entre três e oito meses. “É importante também fazer o monitoramento sorológico a partir de 2 anos de idade, de acordo com o Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose Animal”, destaca a pesquisadora do IB, lembrando que neste caso é proibida a vacinação em machos.

A vacina contra raiva deve ser aplicada anualmente em animais a partir de 3 meses de idade, principalmente nas regiões em que há surto, seguindo as diretrizes do Programa Estadual de Controle da Raiva dos Herbívoros. “O sucesso do programa de erradicação da aftosa no Brasil já é percebido por toda a sociedade, contudo não podemos baixar a guarda. Temos que evitar retrocessos. É necessário a vigilância permanente e manter fortalecidas as ações do Programa Nacional de Erradicação e Prevenção da Febre Aftosa.”

Há ainda as de uso voluntário, aplicadas de acordo com recomendação do veterinário, contra doenças virais, como IBR (rinotraqueíte infecciosa), BVD (diarreia viral), PI3 (parainfluenza), BRSV (vírus sincicial), rotavirose e coronavirose; e contra doenças bacterianas, como leptospirose, clostridioses (botulismo, carbúnculo sintomático, hemoglobinúria bacilar, enterotoxemia e gangrena gasosa), pasteurelose, colibacilose e salmonelose.

“Algumas vacinas são mais indicadas para gado de leite em vista das características do sistema de produção, como por exemplo as de mastite. Mas todas são importantes quando utilizadas adequadamente, pois promovem a produção de anticorpos contra os agentes causais das doenças e, assim, maior resistência do organismo contra estes agentes”, complementa.

A pesquisadora destaca ainda que o produtor precisa considerar as perdas econômicas causadas por doenças. Ela pondera que, dependendo do agente causador, do animal e do custo/benefício do tratamento, a implementação de medidas de controle pós-infecção tem custo bem superior ao da aplicação de um bom manejo sanitário.

Nos casos mais graves, o animal precisa ser abatido. “Para garantir a produção de leite com qualidade é imprescindível seguir os protocolos oficiais de tratamentos das enfermidades dos animais, observar rigorosamente o período de carência estabelecido pelos fabricantes de medicamentos e seguir boas práticas de produção para obter animais saudáveis e garantir produção de leite e de seus derivados com qualidade”, ressalta.

Uma vez definido o calendário, o produtor precisa garantir o manejo correto e adequado, de modo que o processo seja o menos estressante possível. “É preciso levar em conta que falhas em qualquer um dos procedimentos relacionados à vacinação, da armazenagem à aplicação, pode tornar a vacina ineficaz”, alerta o zootecnista Mateus Paranhos Costa, professor de comportamento e bem-estar animal da

Unesp de Jaboticabal. Segundo Paranhos, esse manejo é frequentemente realizado de forma ineficiente, resultando em maior risco de acidentes de trabalho, em prejuízos ao bem-estar dos animais e em menor eficiência da vacina. “É fundamental fazer o planejamento da vacinação.

Definir o calendário, planejar a compra das vacinas, como vai ser feito o procedimento e verificar se o material necessário está disponível”, ensina. E o mais importante, completa: “A resposta imune do animal depende de muitas coisas e o estresse é um dos fatores que inibem essa resposta. No caso do bovino leiteiro, isso afeta a produção de leite”.

Há alguns procedimentos da vacinação que podem ser caracterizados como estressantes para os animais, entre eles a contenção e a aplicação da vacina. “O produtor deve sempre se preocupar em melhorar os procedimentos de vacinação, reduzindo os riscos de acidentes e de estresse para humanos e animais”, afirma. Para auxiliar os produtores nesse manejo tão importante para a manutenção da sanidade do rebanho, o professor elaborou, em 2015, uma cartilha que orienta a vacinação de bovinos leiteiros.

O manual “Boas práticas de manejo – Vacinação de bovinos leiteiro” reúne os aspectos básicos do manejo, planejamento, preparação, administração e um passo a passo da vacinação, com destaque para os pontos mais estressantes durante o manejo de vacinação, como a contenção e a aplicação da vacina. De acordo com o professor, todos os procedimentos devem ser feitos com cuidado, evitando ações agressivas, para reduzir o estresse e a dor, inevitável no caso da vacinação.

A orientação é que o produtor evite submeter o animal a longos períodos em condições ambientais estressantes, como altas temperaturas, intensa radiação solar, isolados do grupo ou sem acesso à água ou comida por tempo prolongado.

Outro ponto abordado na cartilha é a habituação e o condicionamento dos animais. Conforme explica Paranhos, os bovinos têm boa memória e alta capacidade de aprendizado e as reações ao manejo dependem de suas experiências. Uma dica é implementar estratégias para habituar ou condicionar os animais ao manejo. “A habituação é um processo de aprendizado em que há redução de respostas de medo. Por isso, o produtor deve acostumar os animais com pessoas, instalações e manejos, garantindo que não sejam agredidos nem submetidos a situações estressantes.”

A imunização de bovinos leiteiros passo a passo

  • Compre as vacinas de revendedores confiáveis e em quantidade compatível com o número de animais a ser vacinado;
  • Verifique se as instalações e equipamentos estão em boas condições de uso;
  • Mantenha os frascos de vacinas e seringas protegidos da radiação solar dentro de uma caixa térmica com gelo, com temperatura entre 2 e 8°C;
  • Evite deixar os animais presos por períodos prolongados e ofereça aos animais fácil acesso à água e alimentos após a vacinação;
  • Conduza os bovinos para o curral com calma, sem correr e nem gritar. Sempre que possível use um “guia” (uma pessoa que vai à frente do rebanho, chamando os animais);
  • Não misture grupos de vacas e bezerros dentro do curral. Use piquetes próximos ao curral para manter os animais enquanto esperam pelo início ou pelo fim da vacinação;
  • Trabalhe com grupos pequenos de animais (de 8 a 12) e evite manter bovinos isolados;
  • Quando tudo estiver pronto para a vacinação, conduza o grupo um a um para o tronco de contenção;
  • Não bata as porteiras nem as estruturas de contenção no corpo do animal;
  • Contenha os animais de forma correta e com muito cuidado. Bezerros jovens devem ser contidos com as mãos;
  • Não faça descorna, castração ou desmama de bezerros em momentos próximos à vacinação;
  • Após a contenção, use o lado mais conveniente ou confortável aplicar a vacina. Nunca passe o braço por entre as barras do tronco de contenção, sempre abra a janela (ou porteira) para ter acesso ao pescoço do animal e injetar a vacina;
  • A dose a ser aplicada deve ser aquela indicada no rótulo do frasco de vacina. Uma dosagem menor do que a indicada pelo fabricante não proporcionará a proteção desejada;
  • Injete a vacina sempre no pescoço. Use agulhas específicas para cada tipo de vacina e para a categoria animal;
  • Para aplicação subcutânea, coloque a seringa em posição paralela ao pescoço do animal, puxe o couro, insira a agulha e injete a vacina;
  • Para aplicação intramuscular, segure a seringa em posição perpendicular ao pescoço do animal, insira a agulha dentro do músculo, verifique se não está dentro de um vaso sanguíneo e injete a vacina;
  • O ideal é usar uma agulha por animal. Troque a agulha a cada aplicação e coloque as agulhas usadas para ferver por, pelo menos, 20 minutos;
  • Pegue uma agulha limpa e desinfetada e coloque na seringa. Nunca insira uma agulha suja no frasco da vacina;
  • Após a injeção da vacina, solte o animal, começando pelo corpo, em seguida o pescoço e, finalmente, abra a porteira de saída;
  • Conduza o próximo animal para o tronco de contenção, repetindo os procedimentos;
  • Quando o tronco de contenção não estiver disponível, vacine os animais no tronco coletivo, e quando este também não estiver disponível, contenha os animais usando um cabresto (apropriado apenas para animais mansos);
  • No fim do trabalho, limpe as instalações e os equipamentos e coloque as seringas e todas as agulhas em água fervente por, pelo menos, 20 minutos;
  • Para descartar agulhas e seringas, embale-as em caixas ou tubos e coloque o material embalado em um local apropriado e seguro.

Fontes: Ministério da Agricultura e Abastecimento e Manual “Boas Práticas de Manejo Vacinação Bovinos Leiteiros”, Mateus J. R. Paranhos da Costa Departamento de Zootecnia, FCAV-UNESP Jaboticabal, e Daniela Battaglia Organização das Nações Unidas para Agricultura de Alimentação (FAO) – Clique aqui para ver o manual de boas práticas de vacinação em bovinos leiteiros

Mato Grosso tem calendário de aftosa invertido

Desde 2017, o calendário de vacinação contra a febre aftosa em Mato Grosso foi invertido. A imunização de todos os animais do rebanho – de mamando a caducando – passou a ser realizada em maio. Em novembro, são vacinados apenas os animais de 0 a 24 meses. Essa era uma demanda antiga do setor no Estado. De acordo com as associações de produtores, a alteração facilita o manejo, pois em maio as chuvas são menos frequentes do que em novembro. O Estado de Mato Grosso tem o maior rebanho de bovinos do País, com mais de 30 milhões de cabeças, segundo dados do Ministério da Agricultura.

Outros manejos sanitários

A vacinação deve ser aliada a outros manejos sanitários para garantir a saúde dos animais. “É indispensável para a produção de leite em quantidade e qualidade adequadas o controle e a prevenção de doenças causados por agentes infecciosos, em animais desde o nascimento. O manejo adequado de bezerros, novilhas, vacas e reprodutores constitui a melhor maneira de manter a sanidade do rebanho”, reforça a pesquisadora Maristela Pituco, do Instituto Biológico.

Segundo ela, são diversos os fatores desencadeantes de doenças (agentes infecciosos, fatores nutricionais e de meio ambiente). Nesse caso, ela destaca a necessidade de adoção de manejo adequado dos resíduos da propriedade para evitar a ocorrência de colibaciloses, clostridioses, salmoneloses, ou seja, doenças transmitidas pela ingestão de água e alimentos contaminados. “O controle dessas doenças deve se basear em medidas higiênicas e manejo. Bebedouros e comedouros devem estar sempre limpos, impossibilitando a contaminação fecal”, orienta.

O manejo também deve permitir que as vacas cheguem em bom estado ao fim da gestação, propiciando nascimento de bezerros em condições nutricionais ideais. Esses animais, orienta a pesquisadora, devem receber o colostro nas primeiras horas de vida, fundamental na defesa do organismo do recém-nascido contra os agentes causadores das doenças.

O corte e a desinfecção do umbigo (porta de entrada para os agentes causadores de várias doenças) dos bezerros devem ser feitos imediatamente após o nascimento, com medicamentos com ação antisséptica, cicatrizante e repelente, contribuindo para redução de morbidade e mortalidade do recém-nascido.

 

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