É fake: Brasil não usa defensivos banidos

Diretor executivo da Andef, Mário Von Zuben, discute informações equivocadas que são propagadas sobre os defensivos agrícolas

Discutir as informações equivocadas que são propagadas sobre os defensivos agrícolas é um assunto que pode render muitos capítulos. Sem dúvida, um dos mitos que mais gera questionamentos é o de que o Brasil utiliza produtos que já foram banidos em outros países. Essa afirmação, é no mínimo desinformada quando não leviana e, não condiz com a realidade.

Começo a esclarecer esse assunto destacando que cada país adota diretrizes próprias sobre registro de produtos. Além disso, diferentes condições climáticas e tipos de culturas requerem diferentes manejos fitossanitários. Por exemplo, fungicidas são mais utilizados no norte da Europa nas culturas de cereais, sob clima úmido e relativamente frio; já inseticidas são mais requisitados em climas quentes, nos quais existe maior diversidade de pragas, como no Brasil. Isso quer dizer que os produtos são avaliados e aprovados de acordo com a necessidade de uso específica e particular de cada país: se um produto é utilizado no Brasil, mas não em outros locais, significa que ele está atendendo a uma necessidade característica daqui que não existe em outros países, e não necessariamente que ele esteja banido nesses lugares. A situação inversa também é verdadeira, pois hoje existem 22 herbicidas, 1 inseticida e 10 fungicidas aprovados para uso no trigo na Europa que, sequer, possuem utilização no Brasil.

Essa discussão levanta outro ponto bastante importante: é preciso diferenciar defensivos banidos de defensivos que não são registrados. Quando um produto é banido, significa que ele havia sido aprovado e que, por alguma reavaliação baseada nas regulações de cada país ou região global, sua utilização deve ser descontinuada. Já a ausência de registro significa que o produto não teve sequer um pedido de avaliação em determinado país, e isso pode acontecer por diversos motivos, como, por exemplo, o produto ser destinado a uma praga que não tem incidência significativa na região em questão ou até ser voltado a uma lavoura que não é cultivada no local. Por isso, o fato de países europeus não utilizarem produtos que são usados no Brasil significa apenas que lá esses pesticidas não são necessários.

É claro que, se houver indícios de danos à saúde humana e ao meio ambiente, o produto passará por um processo de reavaliação que analisará minuciosamente os estudos toxicológicos e as evidências disponíveis. Caso sejam comprovados os efeitos nocivos, o produto pode ser proibido ou tem seu uso restringido. Nesse contexto, é muito importante enfatizar que, no Brasil, existe um sistema de reavaliação de produtos, e que é acionado a qualquer momento, sempre que houver alerta do ponto de vista agronômico, de saúde ou ambiental.

Por todas essas razões, não há motivos para se preocupar. O processo rigoroso ao qual os produtos são submetidos pelos órgãos responsáveis do País serve justamente para garantir a segurança na utilização desses produtos.

É compreensível que surjam dúvidas a respeito desse tema e, justamente por isso, é necessário que os mitos sejam combatidos com informações confiáveis provenientes de fontes seguras.

*As opiniões expressas nos artigos não necessariamente refletem a posição do Portal DBO.

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