Estresse térmico

Conteúdo Especial Patrocinado:

Sombra e água fresca - sinônimo de saúde e bom desempenho

CONFIRA A ENTREVISTA COM O ESPECIALISTA DR. ALEXANDRE PEDROSO

Conteúdo Especial Patrocinado por:

O estresse térmico é um dos fatores que mais impactam negativamente a saúde e o desempenho dos animais ruminantes em geral – e das vacas leiteiras de uma forma muito significativa. Num país como o Brasil, em que as temperaturas são altas durante o verão – em algumas regiões o ano todo -, os prejuízos provocados na atividade leiteira pelo estresse por calor são bem evidentes. Como diz o Dr. Alexandre Pedroso, consultor técnico da Nutron-Cargill, talvez seja o fator que mais limita a saúde e o desempenho dos animais. No entanto, o produtor tem muita coisa simples e de baixo custo que pode fazer na propriedade para facilitar a vida do rebanho leiteiro. Duas são básicas, tão simples que viraram sinônimo de boa vida: sombra e água fresca.

Se no caso dos humanos a expressão traduz um certo ócio, no das vacas leiteiras, pelo contrário, sombra e água fresca representam as condições necessárias para uma boa produção. Espalhar árvores na pastagem, ou ter uma boa área de lazer sombreada para os animais, é essencial. Caso ainda não tenha árvores frondosas – e que não sejam caducifólias, ou seja, não percam as folhas no período seco -, o produtor pode recorrer a materiais diversos, muitos encontrados na própria fazenda, para construir abrigos para os animais se protegerem do sol. As pesquisas mostram que o impacto positivo da sombra pode representar até 4 litros de leite a mais na produção diária de uma vaca. A sombra ajuda a vaca a manter a temperatura mais baixa, e com isso ela come melhor, tem mais saúde e produz mais leite.

Água limpa e de qualidade

A água –  limpa, fresca e à vontade – é outro elemento fundamental para aliviar o estresse por calor dos animais.

Afinal, água é o nutriente mais essencial – representa 87% da composição do leite. Então, não pode faltar e deve ser de boa qualidade, totalmente potável. É necessário fazer análise rotineira e específica para confirmar a potabilidade e sua composição química, adotar medidas preventivas e de proteção para evitar a contaminação da água de poços e nascentes, fazer periodicamente (a cada seis meses) a desinfecção de poços, reservatórios e canalizações e, no caso de manancial contaminado, aplicar, sob orientação de técnico especializado, produtos à base de cloro. Não tenha preguiça de lavar bem o bebedouro quando verificar que está sujo.

Fotos: Acervo DBO

Outra solução recomendada para reduzir o efeito do calor sobre os animais é que as fazendas instalem equipamentos para resfriar as vacas, por exemplo, na sala de espera da ordenha. Nenhum investimento se paga tão rápido, diz Alexandre Pedroso, quanto promover o alívio do estresse por calor.

DSC00868

Foto: Acervo DBO

Tudo isso faz mais sentido ainda quando se sabe – e as pesquisas já comprovaram amplamente esse fato – que a janela de conforto térmico para uma vaca leiteira fica entre 5 e 20 graus centígrados, aproximadamente. Para o gado zebu é um pouco acima disso, entre 10 e 25 graus. Como a maioria das vacas de leite do Brasil são cruzadas, com maior percentual de sangue holandês, é recomendável aceitar o parâmetro de 5 a 20, embora, também cientificamente comprovado, seja entre 5 e 15 graus que as vacas têm as melhores condições para produzir leite. No Brasil, portanto, na maior parte do ano e do território, a condição de produção é bastante desafiadora para as vacas, daí a necessidade de se promover o alívio do estresse calórico.

Estratégias

Algumas estratégias nutricionais também estão disponíveis e o produtor pode lançar mão delas para reduzir o desconforto do animal devido ao calor. Para compreender melhor como elas atuam, é preciso saber que um dos pontos-chave dessa questão do estresse por calor é a quantidade de calor que o animal gera dentro dele.

A vaca é um ruminante e uma das características principais é que dentro do estômago dela tem uma população microbiana que promove um processo de fermentação dos alimentos que acabam gerando muito calor. Então, além do calor externo, o animal gera calor interno por conta dessa característica fisiológica do seu aparelho digestivo.

Se, através da nutrição, o produtor consegue reduzir um pouco a ingestão de alimentos que venham a sofrer fermentação e que contribuem para a geração de calor, e usar outros alimentos que não produzam tanto calor, estará favorecendo o animal. Claro que isso tem que ser feito dentro de conceitos técnicos, tem limites para se fazer isso, é necessária a assistência de um bom profissional, mas é uma estratégia que funciona.

Além disso, hoje a indústria de nutrição oferece aditivos específicos alimentares que ajudam a reduzir um pouco a temperatura corporal da vaca, um investimento que tem efeito positivo.
Enfim, todo esforço empreendido no sentido de reduzir o impacto do estresse por calor gera um retorno positivo. Paga a conta com facilidade, afirma Pedroso.

Resposta das vacas leiteiras ao estresse térmico
  • Redução da ingestão de alimentos e consequente queda na produção leiteira;
  • Alteração da frequência metabólica e dos requerimentos de manutenção;
  • Aumento das perdas de água do organismo por evaporação;
  • Aumento do consumo de água;
  • Aumento da frequência respiratória;
  • Alteração na concentração de hormônios na circulação;
  • Redução da atividade motora;
  • Busca por áreas com sombra, vento, alagadiças e úmidas.
  • Aumentos do fluxo sanguíneo periférico e da produção de suor.

Revisão técnica de conteúdo: Dr. Alexandre Pedroso (Nutron) e Edson Gonçalves (DBO)

Confira a entrevista com o especialista dr. alexandre pedroso: