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Enchentes na Austrália podem ajudar Brasil a aumentar exportações

Perda de mais de um milhão de cabeças de gado agrava crise na produção pecuária da Austrália
Foto: ABC – Australian Broadcasting Corporation

A tragédia que assolou a produção pecuária da Austrália neste início de ano pode ser uma oportunidade para o Brasil ampliar sua presença em mercados nos quais compete diretamente com o país, atualmente segundo maior exportador mundial de carne bovina.

De acordo com analistas consultados pelo Portal DBO, o episódio agravou uma crise que já se arrastava há oito anos no mercado australiano, com previsões apontando a redução de até um milhão de cabeças no rebanho local este ano por conta da não reposição de animais. As estimativas após as inundações, contudo, já apontam para uma mortandade de bois e vacas da mesma ordem.

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“É absurdo o tamanho da quebra da produção que vai ter este ano. Essas perdas vão se somar ao um milhão previstos inicialmente gerando um problema de recomposição durante os próximos anos. E o primeiro impacto que podemos sentir é o desvio da demanda externa de importação”, explica César Castro, analista da MB Agro.

Segundo Castro, as perdas no caso do desastre natural são ainda piores do que o descarte planejado previsto para este ano. “Quando é descarte de gado, o rebanho vai sendo abatido e ofertado no mercado, fazendo com que o preço caia. Dessa vez não é esse o caso. Não há oferta de carne aumentando, então é provável que haja alta de preços acima do esperado”, observa o analista.

Entre os principais mercados atendidos pela Austrália para os quais o Brasil exporta carne estão China e Rússia. Os dois concentraram 20% das exportações brasileiras de carne bovina em 2018. No caso da Austrália, os principais mercados atendidos, com cerca de matade do volume exportado, são EUA e Japão, destinos para os quais o Brasil não está habilitado a exportar.

“O grosso desses destinos [da Austrália] a gente não acessa. Há anos estamos tateando pra abrir mercado no Japão, sempre foi muito difícil, mas quem sabe nesse momento não seja mais fácil… São possibilidades difíceis, mas é possível”, comenta o analista da MB Agro.

Em 2017, o Cepea já apontava que a redução do rebanho australiano, até então atingido por uma seca de mais de cinco anos, poderia favorecer o Brasil. Naquela época, os embarques de carne bovina da Austrália recuaram 21% em 2016 na comparação com 2015 após um queda de 18% na produção de carne, segundo dados da associação de produtores local, a MLA. Só para a China, essa redução foi de 32,5%. No mesmo período, os embarques brasileiros para os chineses cresceram 75%, segundo dados da Secex.

Outro desafio que o Brasil terá que superar caso queira ocupar o espaço aberto pela crise australiana será a qualidade das suas carnes. Segundo informações da Associação Brasileira dos Exportadores de Carne (Abiec), os cortes vendidos pela Austrália para Rússia e China atualmente são cortes nobres, voltados para o mercado de steaks. Já no caso brasileiro, a carne exportada para esses mercados é do tipo “ingrediente”, com cortes voltados para a produção de recheios, molhos e outros produtos preparados.

Na opinião de Aedson Pereira, analista de mercado da FNP, o Brasil tem condições de atender a demanda por cortes mais nobres atualmente preenchida pela Austrália. Ele cita, entre outras razões, a maior competitividade do rebanho brasileiro, engordado a pasto, quando comparado com o australiano, terminado, em sua maioria, em sistema de confinamento.

“Mesmo assim, o cenário acaba impulsionando nossas exportações porque, além de oferecermos carnes nobres mais baratas, também oferecemos as menos nobres de forma mais competitiva”, avalia Pereira, ao apontar a situação como uma “oportunidade para o Brasil continuar vendendo cada vez mais para o mercado externo”.

“Se o mercado interno continuar claudicante [este ano], o mercado externo vai chegar e abocanhar parte da produção. Na pior das hipóteses, vemos um cenário bem interessante para as exportações”, destaca o analista da FNP.

*Colaborou Alisson Freitas

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