Escala média de abate cobre somente 4 dias, tirando a tranquilidade da indústria

Sem grandes lotes de boiadas e com pecuaristas que estavam no mercado se retraindo, compradores não têm instrumentos de pressão para forçar a queda de preço do boi gordo

Nesta quinta-feira (21/1), o preço do boi gordo bateu recorde histórico nominal em São Paulo, subindo para R$ 297/@, cotação para o bruto e a prazo, segundo a Scot Consultoria. Em relação ao valor registrado ontem (quarta-feira), houve acréscimo de R$ 4/@. A consultoria atribui os avanços contínuos no valor da arroba ao cenário de oferta de boiadas extremamente curta neste início do ano, adicionado à necessidade dos frigoríficos em preencher as escalas de abate para atender principalmente clientes do mercado externo.

Segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea),  no acumulado de janeiro, a arroba do boi gordo negociado no mercado paulista (Indicador CEPEA/B3, à vista) registra média de R$ 284,45, quase 7% acima da cotação médio de dezembro, de R$ 266,13 (valores foram deflacionados pelo IGP-DI). “Trata-se da valorização mais intensa da série histórica do Cepea para esse período (foram consideradas as médias de dezembro e janeiro de anos anteriores)”, destaca a entidade.

A consultoria Agrifatto apurou que as programações de abate seguem encurtadas na grande maioria das praças produtoras do País, atendendo, na média nacional, 4 dias úteis. “A grande dificuldade em preencher as escalas e a retomada dos contratos para exportação pressionam a ponta compradora, que tem conseguido adquirir lotes pequenos conforme faz reajustes positivos nas ofertas”, relata a Agrifatto. Nos dados da consultoria, em São Paulo, os preços do boi gordo podem variar entre R$ 290 a R$ 300, dependendo da premiação.

Segundo a IHS Markit, as indústrias frigorificas seguem cautelosas nas suas compras de gado, na tentativa de cortar a trajetória de alta nos preços da arroba, temendo maiores dificuldades nas vendas de carne no atacado durante os próximos dias, sobretudo com a segunda quinzena de mês (teoricamente, período marcado pelo maior esgotamento dos salários recebido no início do mês pelos trabalhadores).

Por sua vez, do lado da oferta, os poucos pecuaristas que estavam atuantes no mercado se retraíram, informa a IHS. Além do fato de não existir grandes volumes de lotes prontos para abater (boa parte do gado ainda está em processo de terminação), o manejo no cocho ficou muito caro, devido à disparadas nos custos com nutrição (como o milho e o farelo de soja).

Giro pelas praças

Entre as principais praças do Centro-Sul do Brasil, os preços do boi gordo voltaram a registrar altas nesta quinta-feira, tanto pela escassez de oferta de animais terminados quanto pelo excesso de umidade em algumas regiões produtoras, o que tem prejudicado o escoamento da boiada, relata a IHS.

No interior paulista, o preço segue firme pelo fato do encurtamento das escalas de abate. Os poucos lotes que aparecem continuam sendo absorvidos a valores mais altos, informa a consultoria.

Em Minas Gerais, as sucessivas altas nos preços possibilitaram um maior andamento das escalas de abate das indústrias, contribuindo com o fim do movimento de valorização da arroba.

No Centro-Oeste, basicamente no Mato Grosso do Sul e Goiás, há plantas frigoríficas com escalas de abate posicionadas entre dois e três dias úteis. Existem relatos de unidades de abate que ainda não foram reativadas em função dos problemas com a restrição de oferta de animais, informa a IHS.

No Mato Grosso, a demanda por boiadas gordas segue firme, impulsionada tanto pela atuação dos compradores locais como pela manutenção de agentes de outros Estados.

Na região Sul, os preços se estabilizaram diante da maior cautela dos frigoríficos locais. As escalas de abate estão apertadas, mas a industrias optaram por limitar novos negócios preocupados com impactos ainda maiores nas margens de venda da carne bovina.

No Norte, a situação de falta de oferta de animais terminados continua crítica em Rondônia e Tocantins, onde os preços do boi gordo subiram novamente, segundo dados da IHS Markit.

No Pará, alguns pecuaristas buscam emplacar acordos a valores acima das máximas vigentes, mas as indústrias estão na defensiva de olho no atacado.

No mercado atacadista, as vendas se mantêm regulares, o que vem promovendo um ambiente de preços acomodados para os principais cortes. De modo geral o volume das vendas está aquém das expectativas previstas pelo setor, o que impossibilita pretensões altistas por parte das indústrias frigoríficas, relata a IHS Martik.

No entanto, a consultoria ressalta que o cenário de baixo volume negociado nos entrepostos e a irregularidade nas escalas de abate tendem a dar ao menos suporte ao mercado da carne bovina.

Cotações desta quarta-feira (20/1), segundo dados da IHS Markit:

SP-Noroeste:

boi a R$ 296/@ (prazo)
vaca a R$ 276/@ (prazo)

MS-Dourados:

boi a R$ 280/@ (à vista)
vaca a R$ 264/@ (à vista)

MS-C. Grande:

boi a R$ 281/@ (prazo)
vaca a R$ 266/@ (prazo)

MS-Três Lagoas:

boi a R$ 278/@ (prazo)
vaca a R$ 266/@ (prazo)

MT-Cáceres:

boi a R$ 276/@ (prazo)
vaca a R$ [email protected] (prazo)

MT-Tangará:

boi a R$ 273/@ (prazo)
vaca a R$ 266/@ (prazo)

MT-B. Garças:

boi a R$ 276/@ (prazo)
vaca a R$ 266/@ (prazo)

MT-Cuiabá:

boi a R$ 278/@ (à vista)
vaca a R$ 265/@ (à vista)

MT-Colíder:

boi a R$ 271/@ (à vista)
vaca a R$ 258/@ (à vista)

GO-Goiânia:

boi a R$ 286/@ (prazo)
vaca R$ 271/@ (prazo)

GO-Sul:

boi a R$ 286/@ (prazo)
vaca a R$ 276/@ (prazo)

PR-Maringá:

boi a R$ 286/@ (à vista)
vaca a R$ 273/@ (à vista)

MG-Triângulo:

boi a R$ 288/@ (prazo)
vaca a R$ 268/@ (prazo)

MG-B.H.:

boi a R$ 288/@ (prazo)
vaca a R$ 273/@ (prazo)

BA-F. Santana:

boi a R$ 271/@ (à vista)
vaca a R$ [email protected] (à vista)

RS-Porto Alegre:

boi a R$ 269/@ (à vista)
vaca a R$ 258/@ (à vista)

RS-Fronteira:

boi a R$ 269/@ (à vista)
vaca a R$ 258/@ (à vista)

PA-Marabá:

boi a R$ 274/@ (prazo)
vaca a R$ 270/@ (prazo)

PA-Redenção:

boi a R$ [email protected] (prazo)
vaca a R$ 268/@ (prazo)

PA-Paragominas:

boi a R$ 273/@ (prazo)
vaca a R$ 269/@ (prazo)

TO-Araguaína:

boi a R$ 278/@ (prazo)
vaca a R$ 268/@ (prazo)

TO-Gurupi:

boi a R$ 276/@ (à vista)
vaca a R$ 266/@ (à vista)

RO-Cacoal:

boi a R$ 268/@ (à vista)
vaca a R$ 256/@ (à vista)

RJ-Campos:

boi a R$ 273/@ (prazo)
vaca a R$ 261/@ (prazo)

MA-Açailândia:

boi a R$ 271/@ (à vista)
vaca a R$ 256/@ (à vista)

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