Estudo detecta micotoxinas em 100% da ração para gado de corte

Boas práticas de fabricação da ração e de armazenamento do alimento minimizam a contaminação
Foto: arquivo DBO.

Todas as amostras de ração para bovinos de corte avaliadas pela pesquisadora Letícia Custódio, da Unesp de Jaboticabal, apresentaram contaminação por micotoxinas – substâncias tóxicas aos animais produzidas por fungos. Além disso, 7% das amostras continham alto nível de contaminação. A conclusão consta de estudo realizado no âmbito da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, e divulgado nesta quarta-feira, 26.

Conforme Letícia Custódio, durante muito tempo se acreditou que pelo fato de as micotoxinas serem metabolizadas no rúmen (pança) de bovinos, os animais não seriam afetados. Porém, a pesquisa concluiu que, caso o gado se alimente dessa ração contaminada, pode perder até 26 quilos de peso corporal no fim do processo produtivo. Letícia diz que a metabolização realmente ocorre, “mas isso vai depender da quantidade de ração que o animal está consumindo e qual micotoxina está presente” “Existem algumas que não são metabolizadas no rúmen”, explica.

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O fungo que produz essas toxinas está naturalmente presente na matéria-prima utilizada na ração – milho e farelo de soja, entre outros ingredientes de origem vegetal. “Por isso é praticamente impossível haver uma dieta para confinamento sem contaminação, ainda que mínima”, comenta Letícia. Importante, então, é manter as micotoxinas em níveis baixos no alimento, a fim de diminuir os danos causados pelas substâncias. “Nos meus experimentos, mesmo com uma contaminação considerada baixa, observamos uma queda de 200 gramas de ganho médio diário por animal – o que equivale, no fim do processo produtivo, a 26 quilos a menos no peso corporal do animal”, reforça a zootecnista.

A pesquisadora diz que para minimizar a contaminação devem ser adotadas boas práticas de fabricação da ração, de manejo agrícola e de armazenamento do alimento. Em grãos úmidos e danificados, por exemplo, os fungos se multiplicam muito mais rapidamente. “Práticas como a colheita tardia e a armazenagem incorreta promovem um ambiente favorável para muitas espécies desses organismos”, informa.

Entre as possibilidades de reduzir os prejuízos causados por micotoxinas à saúde dos bovinos estão os adsorventes, substâncias de origem sintética ou natural que se ligam às micotoxinas e impedem que sejam metabolizadas pelos animais, podendo ser misturadas à ração já formulada. “É uma estratégia para quando o alimento já está contaminado ou o criador não sabe”, pontua Letícia Custódio. Para a zootecnista, compensa para o produtor utilizar o adsorvente como uma forma de segurança. “Pode ficar mais caro fazer a análise do que usar o adsorvente”, pondera. Além disso, armazenar a ração em locais secos e ventilados para evitar a proliferação de fungos é outra importante medida.

Fonte: ESTADÃO CONTEÚDO.

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