Estudo discute verticalização na pecuária de corte para garantir a origem sustentável do gado

Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura apresentou nesta quarta-feira (23/9) 42 diretrizes que podem nortear um novo sistema de rastreabilidade no País

A entidade sem fins lucrativos Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura ousou ao discutir os primeiros passos de um modelo de pecuária mais integrado (vertical) na tarde desta quarta-feira (23/09).

O assunto norteou o evento on-line que apresentou o estudo “Rastreabilidade da Cadeia da Carne Bovina no Brasil: Desafios e Oportunidades”. Apesar da ideia ser apontada como inovadora e “fantástica”, o plano não deve surtir efeito no setor.

“Acho pouco provável que a gente consiga fazer isso”, disse Márcio Nappo, diretor de Sustentabilidade da JBS, a maior processadora de carne bovina do mundo.

Segundo Nappo, para garantir um trabalho como esse seria preciso uma força tarefa que envolva uma boa assistência técnica no campo, tecnologia, capital, além de um consumidor disposto a pagar por essa carne de origem sustentável atestada.

Márcio Nappo, da JBS

Ciclo longo de 2,5 anos a 3 anos, três segmentos distintos nas fazendas (cria, recria e engorda) e, especialmente, a falta de capital seriam os principais entraves de uma integração já vista na criação de aves e suínos, cana-de-açúcar e óleo de palma.

O executivo da JBS foi um dos debatedores do evento que contou, também, com Bianca Nakamato, analista de Conservação da ONG WWF, e Christopher Wells, líder global de Meio Ambiente e Risco Social do Santander.

O evento foi mediado por Marcello Brito, presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) e André Guimarães, diretor executivo do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) – ambos fazem parte do grupo estratégico da Coalizão.

Origem ‘sustentável do rebanho’

A verticalização do sistema de produção faria parte de um total de 42 recomendações que tornariam mais clara a rastreabilidade do rebanho brasileiro, atestando a origem sustentável dos animais abatidos e que vieram de regiões livres de desmatamento.

“Baseadas em outras commodities, que estão mais avançadas na questão de rastreabilidade, esse trabalho só foi feito porque havia alguém exigindo. Se os mercados internacionais estão exigindo isso, eu não tenho a menor dúvida que isso será feito. Só resta saber se os consumidores brasileiros vão fazer o mesmo”, diz Brito.

O trabalho envolveria 3 etapas. A primeira, de curto prazo, seria uma maior integração das unidades processadoras de carne e as fazendas dedicadas aos animais “premium”.

A segunda etapa, de médio prazo, avançaria para produtores em territórios específicos, onde é mais prático atestar a origem do gado. Por fim, a terceira etapa, de longo prazo,  contemplaria as fazendas de todo o País, com propostas de criação de leis. Apesar de ser um caminho complicado, Brito avalia que tudo dependerá do que o consumidor disser.

 

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