EUA estudam medidas para proteger agricultura

Setor deve ser um dos mais impactados pela guerra comercial com a China; produtores estão desconfiados

O governo Trump está trabalhando em medidas que protegem a agricultura e outras indústrias consideradas críticas para o país das tarifas de retaliação que estão sendo ameaçadas pela China em meio a uma crescente disputa comercial entre os dois países, disse o conselheiro comercial do presidente, Peter Navarro. Na segunda-feira, Trump escalou um conflito comercial com a China, pedindo a seu governo que identificasse uma nova lista de US$ 200 bilhões em bens chineses que seriam penalizados com tarifas de importação. A medida veio após as tarifas aplicadas na semana passada sobre US$ 50 bilhões em importações chinesas para os EUA, destinadas a punir a China por alegações de práticas comerciais desleais.

Pequim, em contrapartida, está impondo tarifas retaliatórias em duas etapas, escolhendo quantidades e datas semelhantes às anunciadas pelos EUA. Em 6 de julho, a China cobrará US$ 34 bilhões em tarifas sobre produtos dos EUA, de 545 categorias, desde soja, carne suína, frango e frutos do mar até veículos utilitários esportivos e veículos elétricos. Os bens agrícolas foram escolhidos para atingir os Estados norte-americanos que apoiaram Trump alguns meses antes de eleições legislativas nos EUA, de acordo com pessoas com conhecimento do plano de Pequim.

Muitos agricultores estão desconfiados da iniciativa do secretário do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), Sonny Perdue, e de outros funcionários do governo Trump de estudar maneiras de proteger o setor agrícola dos Estados Unidos contra as consequências das disputas comerciais com importantes importadores de alimentos como China, México e União Europeia (UE). A Associação Nacional dos Produtores de Trigo e a US Wheat Associates (algo como Defensores do Trigo dos EUA) pediram ao presidente Trump que repense a estratégia de tarifas, dizendo que isso torna ainda mais arriscado o já arriscado negócio da agricultura, enquanto “as vagas promessas de proteção do governo para os agricultores que representamos oferecem pouco consolo”.

O agricultor de Minnesota Tim Velde disse que há pouco que ele possa fazer para conter as perdas no valor dos 1.000 acres de milho e soja que plantou este ano. Se os preços continuarem caindo, ele teme dificuldades para garantir um empréstimo para a safra do ano seguinte. Ele recentemente decidiu não comprar uma nova plantadeira que estava buscando. “Os vendedores de equipamentos pensaram que tinham um cliente, mas eu lhes disse que não vou fazer nada ainda”, disse.

A longo prazo, Velde teme que a disputa entre os EUA e as autoridades chinesas possa pressionar a China a buscar uma alternativa mais duradoura aos produtos agrícolas norte-americanos. “Sabemos que isso vai nos prejudicar agora e o potencial de nos prejudicar mais adiante é bem alto”, disse Velde.

O agricultor Michael Petefish disse que a queda dos preços da soja neste mês reduziu cerca de US$ 60 por acre do valor da safra que ele plantou em cerca de 2.000 acres perto de Claremont, Minnesota. “Se você estivesse perto de operar no vermelho, esse tipo de coisa poderia empurrar você para o vermelho”, disse Petefish, que dirige a Associação dos Produtores de Soja de Minnesota. Ele disse que foi protegido de algumas das recentes quedas de preço porque vendeu antecipadamente parte de sua produção a um preço lucrativo.

Alguns fazendeiros afirmam que podem levar suas frustrações às urnas se as disputas comerciais continuarem pesando nos preços das safras. Muitos produtores apoiaram Trump em 2016, mas no passado já ajudaram a eleger Democratas. Petefish disse que os Democratas têm sido vistos como mais amigáveis quanto aos biocombustíveis, mercado para o milho que cultivam, e a alguns programas federais de apoio aos produtores. Os republicanos, por sua vez, favorecem a redução de impostos e a regulamentação mais flexível que muitos agricultores dizem que facilitam a gestão de seus negócios.

Petefish afirmou que os agricultores também estão acostumados com os republicanos que apoiam o livre comércio com os países estrangeiros que adquirem as safras norte-americanas. Neste ano, entretanto, “Trump mudou um pouco esse script”, admitiu.

Fonte: ESTADÃO CONTEÚDO.

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