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EUA: produtores dizem que ajuda não compensa perdas comerciais

USDA afirmou que meta não é ressarcir integralmente prejuízos com disputas, mas fornecer alívio no curto prazo

O governo norte-americano começou a distribuir os US$ 4,7 bilhões em ajuda a agricultores do país que foram prejudicados por disputas comerciais, conforme anunciado no fim de agosto pelo secretário de Agricultura do país, Sonny Perdue. No entanto, muitos agricultores dizem que os valores são insuficientes para compensar as vendas que eles deixaram de realizar para a China e outros mercados estrangeiros.

A maior fatia desse total será destinada a produtores de soja, que receberão US$ 3,6 bilhões. O Departamento de Agricultura do país (USDA) informou que, até agora, pagou US$ 35 milhões para os agricultores, principalmente em Iowa, Kansas, Illinois, Indiana e Wisconsin. Ainda de acordo com o departamento, cerca de 49 mil produtores solicitaram a ajuda.

O USDA fará pagamentos diretos de US$ 290 milhões a produtores de carne suína para compensar perdas com disputas comerciais. A agência também prometeu comprar US$ 559 milhões em carne suína, por meio de um programa relacionado, numa tentativa de impulsionar os preços do produto. As cotações de suínos caíram 19% desde o fim de maio. Para o economista Dermot Hayes, da Universidade Estadual de Iowa, a indústria de carne suína dos EUA deve ter perdas de mais de US$ 2 bilhões neste ano por causa de disputas comerciais.

Mike Paustian, um criador de suínos em Iowa que vende cerca de 30 mil animais por ano, espera receber cerca de US$ 40 mil. Além disso, ainda pode receber US$ 20 mil por suas lavouras de milho e soja, dependendo do tamanho da colheita. Ele teme que as disputas comerciais fechem portas para a carne suína e outros produtos agropecuários norte-americanos, num momento de demanda crescente por carne. “Esse pagamento não vai salvar a vida de ninguém, mas amenizará um pouco os prejuízos”, disse Paustian.

Lácteos

Na indústria de lácteos, a situação é ainda mais grave. Os produtores de leite dos EUA terão redução de US$ 1,5 bilhão em sua receita neste ano devido às sobretaxas impostas por China e México, segundo estimativa da consultoria Informa Economics. Os preços do leite são mais baixos do que os custos de produção para muitos pecuaristas, disse Jim Briggs, que possui 60 vacas leiteiras em Wisconsin.

Produtores de lácteos vão receber US$ 127 milhões de ajuda do USDA. Segundo a Federação Nacional dos Produtores de Leite, o montante representa menos de 10% das perdas sofridas pelo setor com as tarifas impostas por México e China.

Os agricultores e criadores interessados em receber a ajuda governamental devem informar ao USDA o tamanho de sua produção na temporada, seus plantéis de suínos ou a produção anual de leite. “Tentamos tornar isso fácil e direto”, disse o subsecretário do USDA, Bill Northey, acrescentando que muitos agricultores não poderão solicitar a ajuda até que a colheita esteja concluída.

O USDA afirmou que a ajuda não tem a intenção de compensar integralmente as perdas dos agricultores, mas de fornecer alívio, no curto prazo, enquanto o governo Trump trabalha para garantir acordos comerciais de longo prazo que beneficiem toda a economia, incluindo a agricultura.

Agricultores também acreditam que o Congresso não vai conseguir cumprir o prazo, que vai até domingo, para aprovação da nova lei agrícola (Farm bill) de cinco anos, que financia programas de agricultura e nutrição. Sem a nova legislação, o financiamento governamental será suspenso em dezenas de programas menores, incluindo aqueles que promovem produtos agrícolas norte-americanos no exterior. Autoridades do USDA disseram que novos pagamentos aos agricultores poderão ser anunciados em dezembro, se as restrições ao comércio persistirem.

Fonte: ESTADÃO CONTEÚDO.

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