Evento reforça papel da ciência na corrida pela redução das emissões de gases do efeito estufa

No segundo dia, Fórum Metano na Pecuária trouxe especialistas nacionais e internacionais que detalharam informações técnicas para embasar ações para reduzir a emissão de metano

Palestras ricas em informação e didática marcaram o segundo dia do Fórum Metano na Pecuária, promovido pela JBS e pela Silvateam. O evento de dois dias terminou na quinta (5) no Hilton São Paulo Morumbi, zona sul da capital paulista. 

À tarde, foram expostos um exemplo prático de uma fazenda que tem balanço positivo no manejo do gado e da agricultura, as ações da JBS e da Silvateam na empreitada da redução de emissões e um panorama sobre o mercado de créditos de carbono. 

Juan Tricarico, vice-presidente de pesquisas em sustentabilidade da Dairy Management Inc, dos EUA, discorreu sobre como alimentos, genética e manejo de resíduos contribuem para a redução de emissões. “Alguns aditivos têm interferência direta no rúmen, outros mudam o processo de fermentação. Por isso, é preciso que se garanta uma dosagem adequada desses produtos aos animais, para não colocar em risco a sanidade”, afirmou.   

Darren Henry, professor da Universidade da Georgia, EUA, citou estudos envolvendo taninos e outros aditivos na nutrição dos bovinos, inclusive um patrocinado pela JBS, e concluiu que os resultados se assemelham e que o potencial de redução para o metano é grande.  

Roberto Giolo, pesquisador da Embrapa Gado de Corte, mostrou o peso das emissões dos bovinos de corte – 85% de toda a emissão entérica, que, por sua vez, representa 65% das emissões da agropecuária.   

Atualmente, a maior parcela (46%) das emissões brasileiras de dióxido de carbono equivalente (CO2 eq) – a medida para a qual todos os gases são convertidos – vem da mudança e uso de solo, não da agropecuária (28%), isoladamente. E o desmatamento é o grande problema. “Ele atrapalha o Brasil, o agronegócio e a pecuária, com mais intensidade. Não precisamos desmatar. Temos tecnologia, como os sistemas integrados, que melhoram a produção e a produtividade. Carbono no solo é sinônimo de eficiência”, definiu. Os sistemas integrados ao qual o pesquisador se referiu são a integração lavoura-pecuária (ILP) e a integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF). 

Eduardo Marostegan de Paula, pesquisador do Instituto de Zootecnia, ligado à Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), do governo paulista, mostrou estudos de laboratório da entidade e de outros organismos internacionais para demonstrar o impacto do metano na eficiência alimentar, a partir de dietas formuladas com óleos essenciais extraídos de plantas como orégano, canela e outras que possuem tanino – substância comprovadamente inibidora da liberação de metano no rúmen bovino.  

 “Apesar do enorme potencial, temos ainda um bom caminho para chegar a dosagens corretas e mais precisas com relação aos resultados”, disse. A APTA integra a parceria com a JBS e a Silvateam para avaliar as emissões de bovinos a partir do fornecimento dos produtos desenvolvidos pela Silvateam, por meio da empresa Silvafeed.  

Apresentar o resultado de 15 anos de estudos da Silvateam esteve a cargo de Marcelo Manella, diretor da companhia. Entre as conclusões obtidas nos 39 trabalhos publicados em várias partes do mundo estão, além da redução da emissão de metano, em até 30%, o registro de números expressivos em ganho de peso dos bovinos (7,5%), conversão alimentar e em peso de carcaça (6,4 kg).  

Fabio Dias, diretor de relacionamento com os pecuaristas da Friboi, também reforçou a importância do enfrentamento do desmatamento no Brasil em razão do peso que a questão tem nas emissões. Por isso, a companhia avança no monitoramento de toda cadeia de fornecedores de gado. Ele enfatizou o papel da Plataforma Pecuária Transparente. “Com ela, nossos fornecedores se transformam em ‘sentinelas’, ou seja, podem monitorar situações em que haja desmatamento em áreas de fornecedores deles, que não controlamos diretamente. Se nossos fornecedores começarem a acompanhar isso, daremos um passo importantíssimo nesse processo”.  

Também ressaltou o trabalho dos 15 Escritórios Verdes implantados pela empresa, que apoiam ações ambientais dos produtores e que foram responsáveis pela regularização de 2.642 propriedades. De maio de 2021 a fevereiro de 2022, essas propriedades forneceram mais de 600 mil cabeças para abate na Friboi. 

Com relação ao metano, informou que neste mês de maio começarão os abates de animais suplementados com aditivos que reduzem as emissões dos bovinos. “Tenho certeza de que os resultados serão promissores. A nós, da JBS, interessa muito estudar a eficiência ruminal, pois os resultados positivos terão impacto na empresa”, concluiu, em referência à meta Net Zero em 2040 da companhia.  

Também participaram do segundo e último dia do evento os palestrantes Maurício Palma Nogueira, da consultoria pecuária Athenagro; Federico Brugnoli, diretor da Spin360 (Itália); Pelerson Penido, do Grupo Roncador; Luiz Fernando Tamassia, da DSM; Henrique Pereira, da consultoria WayCarbon, Andrea Formigoni, da Universidade de Bologna (Itália), e Michael Boccadoro, da West Coast Advisors (EUA). 

 

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