Fábrica de carne premium – Parte III – Castração

Produtor mato-grossense abandona mercado de commodity e se dedica à produção de animais “sob medida”

Por Maristela Franco

Continue a leitura após o anúncio

Todo esse protocolo nutricional tem um custo, mas a grande incógnita do sistema continua sendo a castração. “Considerando-se que o concentrado, na fase final de recria, sai por R$ 2/cab e o valor do quilo de bezerro seja de R$ 5,50, temos um saldo positivo de R$ 2,5 por kg, se o animal ganhar em média 800 g/cab/dia. Portanto, vale a pena suplementar, mas não sabemos se o macho cruzado, que agora está sendo castrado logo após o nascimento, vai apresentar esse desempenho”, diz Eduardo Catuta, técnico da Novanis que assessora a propriedade.

Silveira decidiu castrar os bezerros recém-nascidos, quando são levados ao curral para fazer a cura do umbigo, a identificação com brincos eletrônicos e a tatuagem na orelha, porque ele acredita que a castração, nessa idade, eleva a qualidade da carne. Para contabilizar o impacto econômico da prática, contudo, o produtor separou dois lotes de animais inteiros e castrados para acompanhamento até o abate. “Dizem que os últimos engordam menos, mas quanto? Quero ter meus próprios números”, salienta.

Segundo Catuta, alguns projetos de carne de qualidade têm relatado perda de 25% na eficiência alimentar devido à castração, mas esse percentual pode ser até maior. “Em fazendas que fazem carne commodity em sistema intensivo, machos Angus/Nelore jovens, inteiros, têm entrado com 380 a 420 kg no confinamento e saído aos 18 meses com [email protected], em média, após 106 dias de engorda, ganhando [email protected] a mais do que na Serrinha. O prêmio para fêmeas e castrados destinados à produção de carne premium precisa compensar essa perda”, defende o técnico, lembrando que o macho inteiro permite colocar mais @/cab, enquanto o castrado, a partir de certo momento, começa a depositar muita gordura e precisa ser abatido.

Miguel concorda que há uma disparidade entre as duas categorias animais, mas não acredita que seja tão grande. “Vamos ver. Pelas minhas contas, hoje me sobram R$ 700/cab, o que considero um bom retorno. Quando eu tiver todos os números na mão, poderei avaliar melhor essa questão, mas, no ano passado, consegui uma média de R$ 154/@, ante R$ 135/@ do boi commodity, 14% a mais”, argumenta o produtor, reforçando sua opção pela produção dirigida. Ele já tem sistema de rastreabilidade interna, mas pretende se inscrever na Lista Traces (fazendas aptas a exportar para a União Europeia) para que seus animais tenham preferência no abate. “Os rastreados são os primeiros a entrar na escala, o que reduz o estresse. Minha preocupação com bem-estar vai do nascimento ao curral de espera do frigorífico”, justifica.

Silveira gosta de repetir uma sábia sentença: “Fazer bem feito ou mal feito dá o mesmo trabalho; então, por que não caprichar?”. O produtor também espera que a rastreabilidade oficial possa lhe abrir mais mercados. “Olho sempre para frente”, diz.

Confira as matérias anteriores:

Fábrica de carne premium – Parte I

Fábrica de carne premium – Parte II – Pilares do Projeto

*Matéria originalmente publicada na edição 450 da Revista DBO

Compartilhe
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no telegram
Compartilhar no email
Compartilhar no whatsapp
WhatsApp
Compartilhar no facebook
Facebook
Compartilhar no twitter
Twitter
Compartilhar no linkedin
LinkedIn
Compartilhar no telegram
Telegram
Compartilhar no email
Email

Publieditorial

2742961

Newsletters DBO

Os destaques do dia da pecuária de corte, pecuária leiteira e agricultura diretamente no seu e-mail.

Conteúdo original Revista DBO