Futuro já põe luz na arroba de R$ 290 em novembro-dezembro

Cenário de curto prazo é definido pela falta de boi gordo e de fêmeas para abate, enquanto a demanda sobe sem trégua, sobretudo a de fora do País

O mercado futuro do boi gordo aponta uma arroba em torno de R$ 290 no curto prazo (novembro-dezembro), enquanto no mercado físico o seu valor já caminha para R$ 270, base São Paulo. “Os pecuaristas deve ficar atentos ao mercado para aproveitar as boas oportunidades atuais, evitando esperar sempre pelo próximo patamar de alta da arroba”, sugere o analista Hyberville Neto, da Scot Consultoria.

Segundo Neto, o ideal é que o produtor que tenha boiada gorda para vender comece a negociar aos poucos os seus lotes, ou trave os valores de venda (proteção de preço/hedge) no mercado futuro da bolsa de mercadorias B3.

“Os fundamentos são de demanda aquecida nos próximos meses, tradicionalmente um período de maior procura interna pela carne bovina (época de festas de fim de ano, eventos com churrasco e e outras refeições com fatura de proteínas), o que deve manter a arroba com viés altista”, prevê o analista.

No entanto, alerta Neto, é preciso considerar a possibilidade de alguns ajustes (para baixo) nas cotações da arroba depois de um longo período de valorizações. “Todos os finais de ano, em algum momento, há um período de maior acomodação do mercado e eventuais correções de preços”, ressalta.

Dia a dia do mercado

Segundo avaliação da IHS Markit, atualmente, os movimentos altistas do boi gordo estão concentrados nas praças que reúnem um grupo maior de frigoríficos habilitados para exportação. “Diante da pressão sobre as suas escalas de abate, nesta quinta-feira (22/10) as indústrias se posicionaram mais ativas no mercado, oferecendo valores mais altos pelo gado gordo”, relata a consultoria. A demanda mais forte vem da China, disparado o maior cliente internacional da carne bovina brasileira.

De maneira geral, a oferta de animais terminados segue bastante escassa no País. O encarecimento da ração animal e a irregularidade dos índices pluviais, além avanços expressivos nos preços dos animais de reposição, são os principais fatores responsáveis pela lacuna de oferta de boiada pronta para abater, acrescenta a IHS.

Além disso, muitos pecuaristas estão retendo novilhas e vacas em função da estação de monta, fator que eleva o grau de escassez de animais para abater, informa a IHS. Não à toa, os preços das fêmeas vêm disparando nas praças pecuárias, com valorizações, em alguns casos, acima do avanço do boi gordo.

Segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), nesta parcial de outubro, os pecuaristas paulistas precisam de cerca de 8,9 @ para a compra de um bezerro (entre 8 e 12 meses de idade), contra 8,7 @ em outubro de 2019, ou seja, houve uma redução de 2,5% no poder de compra de recriadores e invernistas. Considerando-se toda a série histórica, a média da relação de troca é de 7,69 @ por bezerro – a relação atual está quase 16% superior.

Os preços médios mensais do boi gordo seguem em alta e renovando as máximas reais da série histórica do Cepea. O indicador CEPEA/Esalq, média das praças de São Paulo, fechou a quarta-feira em R$ 268,70/@, à vista.

No mercado físico paulista, o preço da boiada gorda segue firme em R$ 266/@, prazo, enquanto o valor da vaca gorda subiu para R$ 252/@ nesta quinta-feira, segundo dados da IHS.

Na quarta-feira, os contratos a termo de gado negociados na B3 voltaram a operar sobre forte alta. Os papéis com vencimento para dezembro/20, por exemplo, registraram avanço diário de 5,7%, encerrando a sessão em R$ 290,45/@.

Preços também aquecidos no atacado

No atacado brasileiro, o preço do dianteiro de boi e da ponta de agulha subiu para R$ 14,50/kg. Já o preço da vaca casada avançou para R$ 16,30/kg, conforme levantamento da IHS Markit.

“A alta dos preços da carne é resultado da menor oferta de cortes bovinos nas câmaras frigoríficas, uma vez que o ritmo dos abates nas indústrias segue limitado pela baixa disponibilidade de animais terminados”, justifica a consultoria.

O firme fluxo das vendas externas de carne bovina também colabora esse cenário de escassez gerado pelo descompasso entre oferta e demanda.

Confira as cotações desta quinta-feira, 22 de outubro, segundo dados da IHS Markit:

SP-Noroeste:

boi a R$ 266/@ (prazo)
vaca a R$ 252/@ (prazo)

MS-Dourados:

boi a R$ 256/@ (à vista)
vaca a R$ 241/@ (à vista)

MS-C. Grande:

boi a R$ 257/@ (prazo)
vaca a R$ 242/@  (prazo)

MS-Três Lagoas:

boi a R$ [email protected] (prazo)
vaca a R$ [email protected] (prazo)

MT-Cáceres:

boi a R$ 250/@ (prazo)
vaca a R$ [email protected] (prazo)

MT-Tangará:

boi a R$ [email protected] (prazo)
vaca a R$ 243/@ (prazo)

MT-B. Garças:

boi a R$ 251/@ (prazo)
vaca a R$ 241/@ (prazo)

MT-Cuiabá:

boi a R$ 250/@ (à vista)
vaca a R$ 239/@ (à vista)

MT-Colíder:

boi a R$ 246/@ (à vista)
vaca a R$ 237/@ (à vista)

GO-Goiânia:

boi a R$ 248/@ (prazo)
vaca R$ 239/@  (prazo)

GO-Sul:

boi a R$ 249/@ (prazo)
vaca a R$ 237/@ (prazo)

PR-Maringá:

boi a R$ 256/@ (à vista)
vaca a R$ 241/@  (à vista)

MG-Triângulo:

boi a R$ 259/@ (prazo)
vaca a R$ 249/@ (prazo)

MG-B.H.:

boi a R$ 258/@ (prazo)
vaca a R$ 248/@ (prazo)

BA-F. Santana:

boi a R$ 252/@ (à vista)
vaca a R$ 251/@ (à vista)

RS-Porto Alegre:

boi a R$ 235/@ (à vista)
vaca a R$ 220/@ (à vista)

RS-Fronteira:

boi a R$ 334/@ (à vista)
vaca a R$ 219/@ (à vista)

PA-Marabá:

boi a R$ 263/@ (prazo)
vaca a R$ 253/@ (prazo)

PA-Redenção:

boi a R$ [email protected] (prazo)
vaca a R$ 255/@ (prazo)

PA-Paragominas:

boi a R$ 262/@ (prazo)
vaca a R$ 254/@ (prazo)

TO-Araguaína:

boi a R$ 261/@ (prazo)
vaca a R$ [email protected] (prazo)

TO-Gurupi:

boi a R$ 255/@ (à vista)
vaca a R$ 244/@ (à vista)

RO-Cacoal:

boi a R$ 245/@ (à vista)
vaca a R$ 232/@ (à vista)

RJ-Campos:

boi a R$ 248/@ (prazo)
vaca a R$ 239/@ (prazo)

MA-Açailândia:

boi a R$ 253/@ (à vista)
vaca a R$ 239/@ (à vista)

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