Há pouco espaço para recuperação no preço do algodão, avalia analista

Segundo Andre Pessoa, cenário para a próxima safra é de maior competitividade após recuperação de safra nos EUA

Desde que passou dos 95 centavos de dólar a libra peso na bolsa de Nova York em junho do ano passado, a cotação do algodão já acumula desvalorização de mais de 38% no mercado internacional – cenário que deve se manter nos próximos meses, segundo avaliação de André Pessoa, presidente da Agroconsult.

“A nossa avaliação é de que vamos ter muito pouco espaço para uma recuperação significativa de preços. O preço já caiu demais, não esperávamos ver cotações abaixo de 60 centavos de dólar”, afirmou o analista durante apresentação no 12º Congresso do Algodão, em Goiânia (GO).

De acordo com Pessoa, o atual cenário para o mercado de algodão é bem diferente do observado em 2018/19, quando uma quebra de safra nos EUA contribuiu para o aumento dos preços e para impulsionar as exportações brasileiras. A previsão da Agroconsult é de que o país embarque 1,8 milhão de toneladas da commodity este ano, consolidando-se como segundo maior exportador mundial.

Novo cenário

“Este ano a condição de oferta no mercado internacional é diferente. Alguns dos nossos maiores concorrentes estão retomando safras maiores, principalmente os EUA”, observou o analista ao avaliar uma produção da ordem de 5 milhões de toneladas nos EUA.

Do lado da demanda, Pessoa destacou o desaquecimento da economia internacional e a crescente preocupação com uma recessão global. “Tudo isso tem sido suficiente para tirar o ímpeto no qual que vínhamos recuperando, a cada ano, a demanda de algodão no mercado internacional”, afirma.

A previsão da Agroconsult é de um crescimento de 1,4% no consumo mundial, mais pessimista que os 2,1% apontados pelo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA). Desde outubro do ano passado, a previsão do órgão americano passou de um consumo global de 28 milhões de toneladas para 27 milhões de toneladas.

“No último ano, nós aumentamos nossa participação num mercado em expansão. No próximo ano, contudo, vamos ter que aumentar essa participação num mercado que não esta crescendo”, alerta Pessoa.

Margens estreitas

Em relação aos custos de produção, Pessoa classificou a situação do setor como “dramática”, tendo ultrapassado os US$ 2 mil por hectare no ciclo 2018/19 devido a elevada incidência de bicudo. “Na safra 2019/20, se voltarmos aos níveis de aplicação normais, não vamos reduzir muitos esses custos. Podemos chegar a US$ 2,1 mil por hectare tranquilamente”, avalia.

Entre as razões para o aumento dos custos este ano está a forte alta do dólar, acima dos R$ 4. Com isso, as margens financeiras da atividade no próximo ano devem ficar mais estreitas, dependendo do manejo adotado e da estratégia de fixação de custos.

“Tínhamos um ambiente de preços que acomodava esses custos do ponto de vista da rentabilidade, mas ela já caiu de forma significativa no ano passado e a expectativa é de que caia mais um pouco no ano que vem”, alertou Pessoa. Diante desse cenário, a Agroconsult reduziu sua previsão para o crescimento da área plantada em 2019/20 de 10% para 5%, com viés de queda em 2020/21.

“Certamente, aqueles produtores menores, recém chegados e que começaram a se interessar pelo algodão, já deram dois passos para trás e não vão contribuir para esse crescimento como fizeram ano passado”, avalia o analista.

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