Hereford: fêmeas comandam retomada

Oferta aumenta 32% em 2017 e receita vai a R$ 14,4 milhões, 14% superior a do ano anterior

Por Alisson Freitas

Se na maioria das raças bovinas as vendas em leilões recuaram na comparação com o ano anterior, no Hereford o movimento foi inverso. Após a forte queda em 2016, a raça encerrou 2017 com crescimento expressivo em vendas. Foram realizados 43 remates, que negociaram 1.509 animais, alta de 32,3% sobre 2016, que registrou vendas de 1.141 entre machos, fêmeas, embriões e prenhezes.

De acordo com o Banco de Dados da DBO, foi a maior oferta da raça desde os 1.833 registrados em 2014. A receita seguiu o mesmo ritmo, saindo de R$ 8,1 milhões de 2016 para os R$ 9,3 milhões do ano passado, alta de 14,9%. O desempenho surpreendente é justificado pelo aumento na venda de fêmeas: elas representaram 52% da oferta total de Hereford no ano, com a venda de 796 exemplares, 89% a mais do que as 420 do ano anterior. O preço médio mostrou estabilidade, com ligeira alta de 1,1%.

Para Fernando Lopa, diretor-executivo da Associação Brasileira de Hereford e Braford (ABHB), a demanda aquecida por fêmeas mostra que a genética adaptada da raça está entregando bons resultados em diferentes projetos. O perfil da oferta também ajudou. Segundo ele, a maior parte dessas fêmeas foi de matrizes de três anos e meio e com prenhez confirmada.

Lopa estima que 70% desses animais serão usados em trabalhos de seleção, principalmente para produção de reprodutores. “O Hereford é uma das melhores opções para uso em fêmeas F1”, assegura. As demais 30% das femeas devem ser usadas em cruzamentos com raças zebuínas para produzir animais meio sangue Braford.

Se a oferta de fêmeas cresceu, a de machos seguiu no sentido oposto. Foram vendidos 693 machos, 4% a menos do que os 721 de 2016. Com oferta menor, a média da categoria subiu, saindo de R$ 9.361 para R$ 9.519, alta de 1,7%. Também foram vendidos 20 lotes de prenhezes e de embriões a R$ 1.000 de média.

Vendas concentradas – As vendas de Hereford concentraram-se no mês de outubro, que respondeu por 76% dos lotes vendidos e por 73% do faturamento da raça no ano. O mês é marcado por ser o pico de negócios da temporada de remates da primavera gaúcha, que, em 2017, abrigou 28 promoções, movimentando R$ 6,8 milhões em 1.147 lotes.

Embora tenha havido mais vendas do que no ano anterior, o mercado segue restrito à região Sul do País, sobretudo no Rio Grande do Sul, Estado que, em 2017, promoveu 29 remates (apenas um fora do mês de outubro), onde foram comercializados 1.172 lotes (77% do total) por R$ 6,9 milhões (73% do total).

O segundo maior mercado foi Santa Catarina, com 174 lotes comercializados por R$ 1,6 milhão em oito remates. O destaque foi o Leilão Mãe Rainha e Meia Lua, realizado no dia 16 de setembro, em Lages, que comercializou 16 reprodutores à média de R$ 17.100 e 16 fêmeas a R$ 17.900. Foram as maiores médias no ano.

No Paraná, quatro leilões de Hereford venderam 90 animais por R$ 578.400.

O cenário de concentração pode mudar nos próximos anos. Fernando Lopa afirma que um dos principais objetivos da ABHB é levar a raça para outros Estados. Segundo ele, já existem alguns trabalhos de seleção no Centro-Oeste e até mesmo no Nordeste do País. Com os resultados de 2017, a expectativa é que a oferta da raça continue crescendo nos próximos anos

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