Impactos da peste suína africana na China e no Brasil

Maior demanda chinesa está surtindo efeito para o setor de carnes (bovina, suína e de frango) e causando aumento nas exportações
Por Alcides Torres Jr. – Engenheiro agrônomo e diretor-proprietário da Scot Consultoria, de Bebedouro, SP; e Letícia Vecchi – Zootecnista e analista de mercado da Scot Consultoria.  

A peste suína africana é causada por um vírus altamente contagioso e acomete exclusivamente suídeos domésticos e asselvajados (javalis e seus cruzamentos com suínos domésticos). Não há tratamento para a doença, que pode apresentar taxa de mortalidade de 100%. Os sintomas comuns são febre e perda do apetite, além de vomito, diarreia, dificuldade em respirar e ficar em pé.

A transmissão ocorre por meio de contato direto com animais infectados, o que torna a doença altamente perigosa. Diversos países estão relatando que javalis selvagens são um dos culpados pela disseminação da PSA. Outra grande preocupação é a capacidade de sobrevivência do vírus (vários meses, em carne processada, e vários anos, em carcaças congeladas), o que pode causar transmissão entre fronteiras.

Desde o primeiro caso reportado em agosto de 2018, a peste suína africana vem se alastrando pelo país e causando danos irreparáveis. Segundo os dados da FAO, mais de 1,1 milhão de cabeças foram sacrificadas na tentativa de controlar a disseminação da doença. Se considerarmos o continente asiático, mais de 3,6 milhões de cabeças já foram abatidas.

Conforme estimativas do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), o rebanho total de suínos da China deverá diminuir 19,6% em 2019, em comparação com 2018, passando de 683,8 milhões para 550 milhões de cabeças. Consequentemente, a produção de carne suína decrescerá 10,3%, fazendo com que o país recorra às importações e mude os hábitos de consumo, aumentando a demanda por carne bovina e de frango.

Exportações de soja

A previsão é de que, em 2019, o consumo de carne suína na China caia 9,2%, o de carne bovina aumente 3,6% e o de frango, 9,8%. A China é a principal compradora de soja do Brasil e a queda do rebanho chinês pode causar uma redução nas importações desse grão, tendo em vista que 83,4% de toda a soja consumida na China é destinada à alimentação animal. Segundo o USDA, o gigante asiático deverá importar aproximadamente 86 milhões de toneladas da leguminosa em 2018/2019, 8,6% a menos do que na safra anterior. Por outro lado, a importação de carnes pela China está aumentando e o Brasil é um dos responsáveis por atender esse mercado.

Exportações de carne

De acordo com o USDA, a estimativa é que o Brasil aumente em 2,4% as exportações de carne de frango, 6,1% de carne bovina e 23,3% de carne suína. De janeiro a maio de 2019, as exportações de carne suína aumentaram 16,7% em comparação com o mesmo período de 2018, sendo que de toda carne suína exportada neste ano, 25,9% foram destinados à China. Para suprir essa demanda, a produção de carne de frango aumentará em 2,1%; a bovina, 3% e a suína, 5,6%.

Os impactos no mercado interno, principalmente de suínos, já estão sendo sentidos e os preços do cevado nas granjas e a carcaça suína no atacado estão firmes neste ano. Se compararmos com junho do ano passado, o preço do suíno nas granjas paulistas cresceu 45,6% e, no atacado, a cotação da carcaça está 42% maior. Lembrando que, em junho de 2018, a greve dos caminhoneiros prejudicou a produção, provocando alta de preço para o suíno. Os abates de suínos, no primeiro trimestre de 2019, aumentaram 5,5% frente ao primeiro trimestre de 2018, segundo o IBGE.

Conclusões

A diminuição do rebanho chinês pode causar uma queda na exportação brasileira de soja em 2019 e o fator “demanda” que colaborou bastante em 2018 com as altas de preços, pode pesar menos. Porém, o que se viu até aqui foi um volume embarcado 5,7% maior entre janeiro e maio. Embora ainda haja questões externas a ser resolvidas, como a guerra comercial entre China e Estados Unidos, que poderá impactar nas exportações brasileiras e no câmbio, a maior demanda chinesa está surtindo efeito para o setor de carnes (bovina, suína e de frango) e causando aumento nas exportações. Os impactos no mercado interno serão maiores para os suínos, tendo em vista a importância da China neste mercado.

*Conteúdo Exclusivo Revista DBO.

Clique e Assine a Revista DBO 

Compartilhar no facebook
Facebook
Compartilhar no twitter
Twitter
Compartilhar no linkedin
LinkedIn
Compartilhar no pinterest
Pinterest
Compartilhar no pocket
Pocket
Compartilhar no whatsapp
WhatsApp
Compartilhar no skype
Skype
Compartilhar no email
Email
Compartilhar no telegram
Telegram
Compartilhar no facebook
Facebook
Compartilhar no twitter
Twitter
Compartilhar no linkedin
LinkedIn
Compartilhar no pinterest
Pinterest
Compartilhar no email
Email
Compartilhar no pocket
Pocket

Conteúdo relacionado:

Sobre o autor

Menu

[banner-link-364-x-134-home-geral1]

[banner-link-364-x-134-home-geral2]

[banner-link-364-x-134-home-geral3]

Fechar Menu
Do NOT follow this link or you will be banned from the site!
×
×

Carrinho

Encontre as principais notícias e conteúdos técnicos dos segmentos de corte, leite, agricultura, além da mais completa cobertura dos leilões de todo o Brasil.

Encontre o que você procura: