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Inseminador, o profissional que não pode faltar

Com o crescimento de inseminação artificial nas propriedades leiteiras, contar com pessoas capacitadas na técnica é fundamental

Observar o comportamento das vacas para identificar o período do cio, saber o melhor horário para a inseminação, descongelar e manipular o sêmen da forma correta e dominar a técnica em si. Essas são algumas das funções do inseminador, um dos profissionais mais importantes em propriedades que utilizam esta técnica de reprodução em seus rebanhos. Apesar de o mercado estar crescendo ano a ano _ a Associação Brasileira de Inseminação Artificial (Asbia) indica que o volume de sêmen de animais de raça leiteira produzido em 2014 foi quase 6% maior ante 2013 e, nos últimos seis anos, o avanço foi de 34% –, essa tecnologia ainda é pouco utilizada pelos pecuaristas. Estima-se que só 12% do rebanho nacional seja inseminado.

Nas propriedades leiteiras, esse número é ainda menor. Para se ter ideia, nos EUA 95% dos animais são inseminados. Isso mostra o potencial do mercado no Brasil. “E é preciso profissionais bem treinados para acompanhar essa tendência de crescimento”, destaca o veterinário Pedro Leopoldo Monteiro Júnior, doutor em Reprodução Animal pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP).

O diretor técnico da Asbia, Sergio Saud, concorda com Monteiro Júnior. “Dada a importância do uso da técnica, ter um profissional devidamente qualificado para executar esse serviço certamente trará melhores resultados para a produtividade e a rentabilidade da propriedade.” A boa notícia é que a Asbia vem também registrando aumento na realização de cursos para formar inseminadores e que há predominância de participantes ligados à pecuária leiteira. Outro dado que mostra o crescimento da adoção da técnica é a venda de botijões, que avançou 6,4% em 2014. “Em parte, isso significa que novos produtores aderiram”, diz Saud.

O estudo “Importância da capacitação de recursos humanos em programas de inseminação artificial”, da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, comprova que a falta de profissionais capacitados é um dos fatores limitantes para a expansão da inseminação artificial no Brasil. Além disso, aponta que o manejo inadequado pode acarretar resultados indesejados. “Um manejo aversivo, que gera estresse no animal, pode alterar a resposta dos tratamentos recebidos durante os protocolos da inseminação artificial e até mesmo resultar em perdas embrionárias”, alerta o estudo.

O documento destaca que o profissional tem papel essencial na eficiência da técnica. Imperfeições na manipulação do sêmen e na execução da inseminação são apontados como fatores que comprometem o sucesso da prenhez. Os autores ressaltam a importância de o inseminador ter conhecimento da técnica e a possibilidade de participar de treinamentos e reciclagens. Outra consideração segue em relação ao comprometimento do profissional com o trabalho. “Inseminadores com maior comprometimento afetivo obtiveram melhores taxas de gestão (85%) do que aqueles que apresentaram comprometimento apenas por razões econômicas (68%).” O estudo também reforça a importância do maior número possível de pessoas treinadas na propriedade. “Conhecer e acreditar na técnica também pode ter influência positiva nos resultados. Os inseminadores que conheciam e acreditavam obtiveram melhores resultados”, diz o estudo. Essa informação mostra que é cada vez mais importante treinar e reciclar os profissionais, cuja autoestima e confiança também aumentam.

Além de dominar a técnica em si, o profissional deve ter comprometimento e habilidade. Uma das principais atividades que o inseminador desempenha é a observação dos animais para identificar quando a vaca entra no cio, que dura apenas entre 12 e 24 horas. “O inseminador é peça fundamental. Se ele perder esse momento, a vaca só terá novo cio em 21 dias. Isso acarreta custo para o produtor, pois terá um animal sem produzir por um período maior”, alerta o veterinário Marco Bergamaschi, da Embrapa Pecuária Sudeste, de São Carlos, SP. O ideal, diz, é que a observação seja feita até três vezes ao dia.

As vacas no cio apresentam algumas mudanças de comportamento facilmente percebidas. “Elas andam mais, ficam mais agitadas, se isolam do rebanho e aceitam a monta. Apesar de serem comportamentos fáceis de serem notados, é preciso estar sempre atento”, diz Bergamaschi. Além da observação, o profissional precisa estar treinado. “É preciso saber manipular o sêmen, mantê-lo na temperatura ideal, garantir a higiene no local e não deixar o animal estressado. São detalhes importantes que interferem na fertilidade”, diz Monteiro Jr.

O produtor Edimilson Vilela, de Lagoinha (SP), sabe bem a importância de ter bons profissionais inseminadores na propriedade. No Sítio Recanto da Lagoinha, dos sete funcionários, cinco estão treinados para identificar cio. E dois são habilitados para fazer inseminação artificial. “É importante ter mais de um profissional treinado. Se tem alguém de folga ou de férias, isso não interfere no trabalho”, diz Vilela. Atualmente, o rebanho do sítio tem 310 animais, sendo 170 vacas. Em média, são 130 em lactação, com 2.200 litros/dia. “Mesmo com cinco pessoas treinadas para observar, a gente tem perda de cio. Mas isso é natural”, diz. O veterinário Marco Bergamaschi, da Embrapa, confirma. “A média de perda de cio é em torno de 30%.” Vilela conta que, quando iniciou a atividade, em 1990, ainda não adotava a técnica de inseminação artificial. “Não havia mão de obra disponível naquela época. O inseminador era uma figura pouco comum”, lembra. Mas ele diz que sempre teve consciência de que a inseminação contribui para manter a produção e o lucro da propriedade.

Para o produtor, a reprodução é o item mais importante na atividade leiteira. “Por muitos anos tive apenas uma pessoa responsável pela inseminação. Mas percebi que na verdade o ideal é que todos os funcionários que lidam com o rebanho tenham essa habilidade.” Uma vantagem, segundo ele, é o custo menor em relação à reprodução de monta. “É mais barato investir no botijão e na compra de sêmen do que manter um touro. Mas é muito importante ter profissionais bem treinados e comprometidos.”

Para o gerente técnico de Leite e Cursos de Inseminação Artificial da central Alta Genetics, Reginaldo Antônio Alves dos Santos, hoje em dia é de extrema importância para o produtor, seja de carne ou de leite, que tenha produtividade em seu negócio, com menos animais e mais produção. “Para isso, a utilização da inseminação é a ferramenta mais democrática e acessível aos grandes raçadores existentes no Brasil e no mundo. Qualquer produtor pode ter acesso a esta genética por meio da inseminação artificial, trazendo mais ganho em menor tempo. Quem não faz uso dessa tecnologia não consegue acompanhar a evolução genética”, acredita.

Apesar disso, Santos diz que ainda falta muito para o Brasil alcançar um grande percentual de matrizes inseminadas. “Mas a cada dia aumenta a quantidade de produtores que enxergam o quanto estão deixando de ganhar quando não utilizam a inseminação. E é nisso que estamos investindo, em mão de obra qualificada para suprir esse mercado em crescimento”, complementa.

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